Política

GRANDES AMIGOS: BOLSONARO CONVIDA MORO PARA O GOVERNO OU STF

Aliança podre: Bolsonaro e golpista Moro querem consolidar parceria para aumentar ataques

Fernando Pardal

@fepardal

quarta-feira 31 de outubro| Edição do dia

Sergio Moro é um dos pivôs do golpe institucional no Brasil, tendo atuado de diversas formas para a prisão arbitrária e sem provas de Lula, o impedimento de sua candidatura, entre diversas outras medidas que, por trás do disfarce de “combate à corrupção”, escondem um juiz treinado pelos EUA para garantir seus interesses.

Bolsonaro, capitão da reserva que, por trás de sua demagogia patriota é, seguindo a tradição do Exército brasileiro, um entreguista e um submisso a todos os interesses do imperialismo norte-americano, quer Moro trabalhando lado a lado com ele. Bolsonaro disse em entrevista: “Se tivesse falado isso lá atrás, soaria oportunista. Pretendo sim (convidar Moro) não só para o Supremo, como quem sabe até para o Ministério da Justiça. Pretendo conversar com ele, saber se há interesse e, se houver interesse, da parte dele, com toda certeza será uma pessoa de extrema importância em um governo como o nosso”. Cinicamente, Moro respondeu não apenas que “não descataria” o cargo de Ministro da Justiça, mas que aceitaria de bom grado o de Ministro do STF. E não perdeu tempo: o juiz já marcou encontro com Bolsonaro.

O fato é que Moro, desde antes de assumir qualquer cargo, já foi um fator decisivo para que Bolsonaro se tornasse presidente: foi o responsável pela condenação arbitrária e sem provas de Lula, sendo assim peça-chave da manipulação do judiciário dessas eleições, impedindo o povo de exercer seu direito democrático mais elementar de votar. Assim, tirando da competição o candidato que provavelmente venceria ainda no primeiro turno, Moro abriu caminho para o reacionário Bolsonaro. A seis dias da votação do primeiro turno, Moro tirou de forma ilegal e arbitrária o sigilo da delação de Antonio Palocci - que acusa o ex-presidente Lula de estar diretamente envolvido na articulação da corrupção em seu governo – com o propósito de minar a candidatura de Haddad. Assim, o juiz fez tudo o que pôde para ser o maior cabo eleitoral de Bolsonaro.

Os dois pesos e duas medidas de Moro, se já não eram suficientemente claros por toda sua atuação para livrar a cara de empresários bilionários e políticos tucanos, voltou a se manifestar na eleição quando veio à tona o Caixa 2 milionário das Fake News de Bolsonaro, que foi convenientemente preservado impune pelo STE. Moro, que em 2017 havia afirmado considerar “Caixa 2 pior que corrupção”, mudou de ideia rapidamente quando era a campanha de Bolsonaro quem fazia a operação ilegal. Ele afirmou que, mesmo que fosse verdadeiro o financiamento ilegal, poderia ser “um erro da campanha”, mas não corrupção, já que Bolsonaro “poderia não saber” do apoio dos empresários. Ao contrário do caso Lula, aqui o judiciário tinha muitas provas, mas nenhuma convicção.

Vale lembrar que, ainda no primeiro turno, quando já afundava a campanha do tucano Alckmin, a esposa de Moro chamou voto em Bolsonaro. Moro disse a pessoas próximas que sua entrada no Ministério da Justiça poderia afastar o temor de alguns setores da sociedade de uma possibilidade de quebra do Estado democrático de direito. Uma declaração absolutamente hipócrita vinda de quem vaza escutas e delações ilegalmente, ordena conduções coercitivas abusivas, condena sem provas e comete todo tipo de ilegalidades.

A verdade é que Sergio Moro é o ministro perfeito para Bolsonaro, seja na pasta da Justiça, seja no STF: está disposto a transformar qualquer legalidade em papel molhado para poder melhor atender aos interesses do grande capital e, em especial, do capital dos EUA. Exatamente como Bolsonaro. Ambos querem implementar até o fim os ataques iniciados por Temer, têm como prioridade a reforma da previdência, a privatização da Petrobras e outras empresas estatais, e a perseguição e criminalização da militância sindical e de esquerda.

Sua entrada no STF seria mais uma amostra do quão antidemocrático é o poder judiciário: sem o voto de ninguém, exceto pelo de Bolsonaro, o juiz golpista passaria a assumir de forma vitalícia e irrevogável o cargo de maior importância na suprema corte. Não admira que esses ministros, que não precisam se submeter em nenhum momento a qualquer tipo de crivo popular, se sintam tão à vontade para aumentar os próprios salários para R$ 39 mil em meio à crise, ou interferir nas eleições, anular o voto de 3,5 milhões de pessoas entre outros escândalos. Os arroubos autocráticos de Moro são a cara desse judiciário, e também de Bolsonaro.

Não à toa, o general Augusto Heleno, nome de Bolsonaro para o Ministério da Defesa, disse, em entrevista para a CBN, “Eu torço muito para que ele aceite. Seria uma honra tê-lo comigo em qualquer situação. O Brasil lucraria muito se ele aceitar”. Já Lula, que durante seu governo fez tanto para fortalecer a Polícia Federal e o poder de árbitro do judiciário que depois seria utilizado contra ele, pretende utilizar o apontamento de Moro como ministro para reforçar sua defesa, mostrando que não há nada de “imparcial” em seu juiz.

É essa confiança do PT nas instituições do regime, sua eterna política de conciliação com a direita e os patrões, e sua fé inabalável – mesmo com Lula na cadeia – de que é necessário seguir a via eleitoral e abafar qualquer tipo de luta dos trabalhadores que “atrapalhe” o funcionamento normal do regime, é parte fundamental do que nos trouxe até aqui. Bolsonaro encontra em Moro – e no judiciário de conjunto – aliados fundamentais para aplicar seus ataques, entre os quais destruir nossa aposentadoria é uma prioridade. Somente confiando na força independente dos trabalhadores e da juventude, criando nossos comitês de base, exigindo da CUT, CTB e UNE a convocação de assembleias e mobilizações, e preparando uma greve geral capaz de retomar o caminho que vislumbramos em 28 de abril de 2017 é que poderemos derrotar essa alianças entre Bolsonaro, Moro, judiciário e patronal para acabar com todos os nossos direitos.




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