Política

PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA

Aliado de Janot é o mais votado para concorrer à sua sucessão na Procuradoria-geral

Os procuradores da República, em todo País, elegeram nesta terça-feira, 27, a lista tríplice para a cadeira do procurador-geral da República: Nicolao Dino, Raquel Dodge e Mario Bonsaglia, pela ordem, foram escolhidos pela classe em eleição interna promovida pela Associação Nacional dos Procuradores da República. A lista será levada ao presidente golpista Michel Temer a quem cabe indicar o chefe do Ministério Público Federal.

terça-feira 27 de junho| Edição do dia

Nicolao, que é o mais próximo à Janot, teve 621 votos, Raquel, 587 e Mário, 564. Como não há previsão na Constituição sobre a necessidade de formação da lista, Temer não precisa escolher um dos mais bem colocados. Na prática, o novo PGR pode ser qualquer um dos procuradores do MPF.

A escolha do sucessor de Janot se dá em um cenário de tensão entre o Ministério Público Federal e o Poder Executivo por conta dos desdobramentos da Operação Lava Jato e da primeira denúncia - de possíveis três - contra Temer oferecida por Janot na segunda-feira, 26.

Rodrigo Janot está no fim de seu segundo mandato, que termina em setembro. Ele foi indicado pela ex-presidente Dilma nas duas ocasiões para chefiar o Ministério Público Federal.

A tradição de formação da lista tríplice iniciou-se em 2001. Segundo a ANPR, "trata-se de um processo que atende ao clamor dos procuradores da República de indicar aquele que acreditam ser o mais preparado para gerir a instituição". De 2001 até agora, a lista tríplice para o cargo de Procurador-Geral da República só não foi acatada em sua primeira edição. A partir de 2003, o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, passou a reconhecer e prestigiar a escolha dos procuradores da República para o cargo de chefe do órgão.

Após o resultado das eleições, a ANPR é a responsável por encaminhar os três nomes mais votados aos presidentes da República, do Supremo Tribunal Federal, do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, bem como ao procurador-Geral da República e ao Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Quem é Nicolao Dino, primeiro na lista tríplice para a sucessão de Rodrigo Janot?

O primeiro colocado da lista tríplice, Nicolao Dino, tem apoio do atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que acaba de oferecer denúncia criminal contra Temer por corrupção passiva no caso JBS.

Nicolao Dino é vice procurador-geral Eleitoral e foi responsável pela acusação no caso da chapa Dilma-Temer, quando pediu a cassação do mandato do presidente Michel Temer. O subprocurador é irmão do governador do Maranhão, o juiz federal Flávio Dino, do PCdoB, partido de oposição ao governo golpista. É também um entusiasta da Operação Lava-Jato.

O atual procurador-geral e o presidente golpista vem travando um duelo histórico, sendo que hoje, um dia após ser denunciado por Janot, Temer fez seu pronunciamento acusando Janot de fazer a denúncia motivado por questões políticas, o que para o Temer seria um “ataque injurioso, indigno, infamante à minha dignidade pessoal”.

Entenda: Temer acusa Janot ao defender sua "inocência" e as reformas

Em meio a esse atrito, Temer deverá escolher quem será o responsável por todas as investigações de políticos e pessoa com foro por prerrogativa de função, o foro privilegiado. O novo PGR também tocará as negociações de acordos de colaboração premiada, largamente utilizados na Lava Jato, com todos interessados em citar políticos envolvidos em casos de corrupção.

Aliados de Temer têm sugerido ao presidente que ignore a lista tríplice dos procuradores, optando por um nome de sua estrita confiança para comandar a instituição nos próximos dois anos. Segundo a Folha de São Paulo, aliados teriam dito que o favorito de Temer é Bonsaglia, mas que ele pode optar por Raquel por ser mais fácil justificar sua escolha e não a do primeiro colocado, sob a defesa de que quer nomear a primeira mulher procuradora-geral da república. Raquel atua como oposição à Janot, portanto o que está escondido atrás de uma falsa defesa de que as mulheres precisam ocupar mais espaços na política é a defesa de seu próprio mandato, já tão questionado.

Após a escolha do presidente, sem prazo definido por lei, o nome do procurador escolhido passa por uma sabatina no Senado Federal.

Com informações da Agência Estado.

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