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RIO GRANDE DO SUL

Força Nacional no RS. Como combater pela esquerda a violência e a militarização?

domingo 28 de agosto| Edição do dia

O brutal assassinato de Cristine Fonseca Fagundes, que revoltou a todos, trouxe mais uma vez para o primeiro plano o debate sobre segurança publica. Sartori se apressou dessa vez em pedir a intervenção da Força Nacional para conter a crise política que levou à renúncia do secretário de segurança.

Explorando os altos índices de violência e homicídios em Porto Alegre, que mais uma vez causaram revolta com um assassinato bárbaro, a RBS e o jornal Zero Hora, se apressaram em vocalizar pela direita a insatisfação popular exigindo medidas mais duras de repressão. Aumento dos efetivos da Brigada Militar e da Guarda Municipal, construção de mais presídios e leis mais duras, fazem parte da resposta que pedem os grandes grupos de empresários, com apoio de grandes parcelas da população.

O que está completamente ausente na comoção atual é o debate sobre as causas profundas e os verdadeiros responsáveis pela situação atual. A escala repressiva e a consequente militarização da cidade, pedidas pela RBS e pelos empresários que se reunirão nesta segunda-feira para discutir o tema, não podem nem de longe amenizar o problema.

É impossível ignorar que a violência e a criminalidade tem como causas de fundo o aumento da pobreza, da desigualdade social, do desemprego e falta de perspectivas para a juventude. Também deveria ser impossível esquecer as relações entre o crime organizado, a prostituição e o jogo ilegal, com a corrupção estatal em todos os níveis (incluídos os aparelhos de “segurança” publica) e os sistemas de financiamento das campanhas políticas via caixa 2. Poucas foram as vozes, como a do jornalista Juremir Machado, que se lembraram também dos assassinatos e inúmeros abusos cometidos pela polícia, com a contradição que, mesmo reconhecendo a existência desses chamados abusos, continua defendendo o caminho da militarização.

No momento em que o país esta sendo governado por verdadeiras gangues de corruptos, com um crime sendo organizado pelo alto escalão do Estado, em que a crise econômica e o desemprego se agravam, como evitar que cada vez mais jovens se alistem como soldados rasos do tráfico e do crime organizado? O caminho da repressão e da militarização só fará aumentar o poder que as cúpulas do Estado, dominado por verdadeiros criminosos, concentra em suas mãos.

O centro do debate deveria estar nas medidas emergenciais que precisam ser tomadas para atacar os problemas de fundo. O problema poderia ser atacado de forma emergencial por três tipos de medidas que deveriam ser tomadas simultaneamente. Primeiro, investimentos maciços em escolas e postos de saúde, assim como clubes esportivos para a juventude, integrados num grande plano de obras públicas para combater o desemprego. Segundo, a denúncia das relações entre a polícia e as cúpulas estatais deveria ser o eixo no combate ao crime, já que o pequeno crime não existe sem o grande crime do colarinho branco. É preciso atacar os generais do crime organizado (que não estão nas favelas) e não apenas os soldados. E por último, a legalização das drogas retiraria o principal campo de atuação do crime organizado.

Essas medidas de fundo, que teriam que ser acompanhadas por outras mais profundas, não interessam à elite que governa o país. Para combater o desemprego e investir em saúde e educação é preciso atacar os lucros dos bancos, com o cancelamento da divida do estado junto a união e o não pagamento da divida publica federal, mecanismo que drena as riquezas do país para os cofres dos bancos. O que sim eles querem, os grandes criminosos que governam o país, é aumentar o poder que concentram e realizar suas próprias negociatas criminosas em paz.

Nas eleições municipais de Porto Alegre os candidatos dos partidos conservadores apresentam a mesma saída em coro com a RBS. Raul Pont do PT pode falar em construir o novo, mas a própria Força Nacional foi construída pelo PT, que não pode oferecer nada de novo além de novos discursos demagógicos. Sebastião Melo, do PMDB, celebrou a atitude de Sartori em trazer a Força Nacional para o estado. Luciana Genro, ao invés de apresentar uma alternativa e se opor ao clamor militarista também se coloca a favor de aumento do policiamento e da intervenção da Força Nacional. Em discurso na esquina democrática ela afirmou: "Aqui nós temos uma particularidade, que é o fato de termos mais brigadianos cuidando dos presídios do que cuidando da cidade de Porto Alegre. Parece que agora, depois da morte de Cristine, o governador acordou pra esse flagrante absurdo e resolveu solicitar ajuda das Forças Nacionais para cuidarem dos presídios e poderem liberar os brigadianos para fazer o policiamento de rua."




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