CRISE NO RIO

Alerj gasta R$25 milhões com reforma enquanto UERJ não tem bandejão

terça-feira 22 de agosto| Edição do dia

Imagem: Manifestação contra a privatização da CEDAE em frente à Alerj ocorrida no início do ano

Denunciamos várias vezes os absurdos com que os servidores públicos e a população pobre tem tido que se enfrentar no Rio de Janeiro. Atraso e parcelamento de salários dos servidores ativos e inativos, filas para recebimento de doação de alimentos para os mesmos, aulas suspensas na Uerj por falta de recursos e milhares de estudantes sem bandejão e com bolsas atrasadas, caos na saúde e outros serviços públicos. Mesmo assim, somente neste ano foram gastos R$25 milhões com a reforma do Edifício Lúcio Costa, onde será a nova sede da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). A obra completa está orçada em R$152 milhões.

O padrinho da obra foi o ex-prefeito Eduardo Paes (PMDB), que achava que o atual prédio não combina com a paisagem, que tem a sua volta o Palácio Tiradentes (onde atualmente fica a Alerj), o Paço Imperial e fica a poucos metros do mar. Também está em reforma a atual sede da Assembleia, que irá virar um centro cultural por ser datado dos anos 20 e ter abrigado a Câmara dos Deputados antes da mudança da capital para Brasília na década de 60.

Segundo dados da Secretaria da Fazenda, os gastos com folha de pagamento consomem cerca de R$50 milhões por mês do orçamento do estado, ou seja, com o gasto total com a obra e com os R$25 milhões gastos neste ano seria possível quitar parte importante dos salários atrasados dos servidores.

A Secretária da Fazendo do Estado já declarou que não sabe como será feito o pagamento dos servidores da Uerj no próximo mês. Mas quando a Alerj foi questionada se esse é o momento oportuno para a realização das reformas, a mesma respondeu que "está com as contas em ordem, graças a ajustes feitos no início dessa legislatura", e ainda que "tem feito a sua parte para ajudar a combater a grave crise que atinge o Rio". O que não contam é que o plano de ajustes e as formas para deixar as “contas em ordem” consistem no aumento da privatização, congelamento de gastos, aumento da alíquota da Previdência paga pelos servidores, como denunciamos aqui.

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Fonte: Constança Rezende, Assembleia do Rio gasta R$ 25 milhões em reforma este ano. O Estado de S.Paulo




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