COTAS RACIAIS

Alerj começa votação da prorrogação do sistema de cotas nas universidades estaduais

Hoje, terça feira (19), na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro começará a votação da prorrogação do sistema de cotas nas universidades públicas estaduais que ocorrerá durante uma sessão extraordinária na mesma casa legislativa.

Carolina Cacau

Foi candidata a vereadora do MRT em 2016, é estudante da UERJ e professora da rede estadual.

terça-feira 19 de junho| Edição do dia

A lei que trata do sistema de cotas vigente termina em dezembro desse ano e segue um plano pela atual gestão pmdbista de estender as cotas para cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado; continuar beneficiando 20% de negros e indígenas, beneficiar 20% para alunos de escolas públicas, 5% para pessoas com deficiência e outros 5% para policiais civis, policiais militares, bombeiros e agentes de segurança que tenham sido mortos ou incapacitados durante o serviço.

A cota racial ou as ações afirmativas foram conquistas de anos de luta do movimento negro e do movimento estudantil em diversas universidades, na realidade, a permanência desse tipo benefício à população negra e trabalhadora do Rio de Janeiro transmite o quadro de desigualdade racial brasileiro, no qual se torna ainda mais aguda a disparidade sócio-econômica entre negros, pardos e brancos quando observamos as oportunidades educacionais. Uma país que no momento do pós-abolição não concedeu nenhuma reparação aqueles negros descendentes de ex-escravos, articulou todos os expedientes necessários para cobrir a segregação racial e o racismo com a falsa retórica da democracia racial.

Essas são algumas definições históricas que devem nos auxiliar para refletirmos sobre essa votação importante na Alerj, a ampliação do sistema de cotas precisa beneficiar de maneira ampla a população negra carioca, por conta disso, as cotas devem ser proporcionais ao numero de negros declarados no Estado do Rio de Janeiro. Além disso, uma política efetiva que inclua os negros no sistema de ensino superior público deve acabar com o mecanismo de exclusão social e racial que é hoje o vestibular. A prova de vestibular nada mais é que um mecanismo de exclusão da população negra e pobre das universidades, pois num país onde as disparidades raciais são profundamente marcadas desde o ensino básico não é razoável que negros e brancos devam ser avaliados de maneira que os privilégios econômicos e sociais desses últimos os beneficiem.

Na Uerj essa luta pela ampliação das cotas e pelo fim do vestibular está sendo encampada pela Chapa 2 (Quero me livrar dessa situação precária) que disputa o DCE e pela Chapa 2 (Por isso me grito) que concorre as eleições do Centro Acadêmico de Serviço Social. Essa deve ser uma batalha tomada pelo conjunto dos estudantes, negros e brancos, de todas as universidades, a manutenção e ampliação do sistema de cotas é uma reparação histórica que sem sombra de dúvidas, recupera a história do primeiro negro sequestrado na África para trabalhar como escravos nas colônias na América.




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