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Alemanha quer responder “com decisão” as tarifas do aço impostas por Trump

O governo alemão e a patronal da União Europeia dizem que a medida poderia derivar em uma guerra comercial. Trump assegurou que essas guerras “são fáceis de ganhar”.

segunda-feira 5 de março| Edição do dia

O Governo alemão expressou nesta sexta-feira, 02, seu “total rechaço” às novas tarifas impostas às importações de aço e alumínio anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Desde Berlim, mostraram sua confiança que a União Europeia (UE) dará a “resposta adequada” a essa decisão.

As medidas que foram anunciadas por Trump, “afetarão sensivelmente” o setor alemão, assegurou o porta-voz do Governo alemão, Steffen Seibert, que destacou que a chanceler Angela Merkel já tinha abordado esta questão “repetidamente” com o líder dos EUA e “deixado suficientemente claro” qual era seu parecer a respeito. Seibert não declarou se a questão foi tratada na comunicação telefônica que mantiveram ambos os mandatários na quinta-feira à noite.

Previamente o ministro de Exteriores alemão, Sigmar Gabriel, tinha qualificado já de “totalmente incompreensível” a imposição de tarifas às importações de aço e alumínio e pediu à UE que desse uma resposta “com decisão”.
“Um ataque generalizado por parte dos Estados Unidos afetaria com maior força precisamente nossas exportações e postos de trabalho”, lamentou Gabriel, e assegurou que justificar esta medida com interesses nacionais “é totalmente incompreensível, em particular com os sócios da UE e da OTAN”.

Entretanto, o presidente da Confederação Alemã de Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK), Martin Wansleben, assegurou que o anúncio da imposição de tarifas “cria uma considerável incerteza às empresas alemãs” e “custará milhões à economia” deste país. “O que está claro é que as tarifas dificultam o acesso ao mercado nos Estados Unidos e conduzem a preços mais elevados também para os consumidores estadounidenses”, remarcou.

Isto poderia fazer cambalear todo o sistema de comércio mundial e existe o perigo de que outros sigam o exemplo e “continuem socavando o sistema da OMC em prejuízo de todos”, advertiu o presidente da DIHK.

No mesmo sentido a patronal europeia Business Europe se pronunciou assegurando que as medidas de Trump podem levar o mundo a “uma guerra comercial”. O diretor geral da Business Europe, Markus J. Beyrer, agregou que Washington pode “criar uma interrupção de grande alcance no comércio mundial com consequências substanciais para as empresas e para os consumidores” e criticou Trump por ignorar “a importância de aliados estratégicos chave”.
“Não há ganhadores em uma guerra comercial, uma escalada golpeará a todos”, agregou Beyrer.

As guerras comerciais são fáceis de ganhar

O presidente dos EUA, Donald Trump, respondeu na manhã da sexta-feira as críticas contra sua recente medida, de impor tarifas às exportações de aço e alumínio, por meio da sua conta no Twitter.

“As guerras comerciais são boas e fáceis de ganhar”, assegurou Trump buscando respaldar sua medida. “Por exemplo, quando estamos abaixo 100 bilhões de dólares com um determinado país e eles se colocam fofos, não comerciamos mais e nós ganhamos. É fácil!”, agregou o mandatário.

Em janeiro, Trump já tinha imposto restrições às importações de lavadoras e painéis solares, mas as medidas anunciadas contra o aço e o alumínio, de acordo com os analistas, são de um impacto muito maior pelo volume de negócio que geram estes setores.

Com este anúncio, Trump dá um passo concreto em sua retórica de nacionalismo e protecionismo comercial, com medidas contundentes que os analistas advertem que podem desatar em uma guerra comercial internacional em forma de represálias de todos os países afetados.




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