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Inimigos da classe trabalhadora | Além da propaganda de Putin: a extrema direita é um problema real na Ucrânia

No contexto da agressão russa sobre a Ucrânia, a imprensa e os líderes ocidentais procuram relativizar o perigo colocado pela existência de uma extrema direita organizada e armada no país. Quem é ela, e em que ela representa uma ameaça para a classe trabalhadora?

quarta-feira 9 de março | Edição do dia

[SOPA Images/LightRocket via Gett]

Entre as justificativas apresentadas pelo presidente russo, Vladimir Putin, para atacar a Ucrânia está uma suposta “desnazificação” do país. Essas declarações são pura propaganda do Kremlin e buscam criar um consenso, principalmente na Rússia, para legitimar e justificar a agressão do regime de Putin. O governo ucraniano não é de fato dirigido por nazistas. O governo ucraniano é reacionário, liberal e pró-imperialista, mas não “nazista”. No entanto, negar a existência de organizações de extrema direita nacionalistas ucranianas e sua capacidade de impor temas políticos no país, desde 2014, só pode fortalecer as posições dessas forças profundamente reacionárias. Um perigo mortal para a classe trabalhadora e os setores populares na Ucrânia, e mesmo além. De fato, Putin usa um elemento de realidade para alimentar sua propaganda. Mas opor-se à política reacionária e de opressão nacional de Putin na Ucrânia não significa minimizar a ameaça representada pelas forças reacionárias ucranianas. Ao contrário, essa questão é tanto mais importante quanto mais as organizações de extrema direita certamente tentarem aproveitar a guerra para se fortalecer politicamente em nível nacional. Os analistas já estão alertando sobre isso. Assim, no The New York Times , do qual não se pode realmente suspeitar que tenha uma linha "pró-Putin", podemos ler: "A instabilidade na Ucrânia oferece aos extremistas da supremacia branca as mesmas oportunidades de treinamento que a instabilidade no Afeganistão, Iraque e Síria ofereceram aos militantes jihadistas por anos", declarou Ali Soufan, que lidera o Soufan Group, que documenta como, após vários anos, o conflito no leste da Ucrânia se tornou um centro internacional ao redor de onde orbita a supremacia branca. (...) A aparente mobilização de grupos de extrema-direita pode ser problemática para o governo ucraniano, uma vez que pode se enquadrar na descrição de Putin da Ucrânia como um país fascista e favorecer sua falsa pretensão de travar uma guerra contra os nazistas que controlam o governo em Kiev”. Mas, além das considerações políticas do governo de Kiev, organizações de extrema direita, algumas das quais são abertamente neonazistas, são um fator importante na situação. Não só ganharam um certo peso político e social desde o movimento Maidan em 2014 (que não pode ser analisado apenas por seus fracos resultados eleitorais), mas essas organizações adquiriram uma experiência muito importante nos combates e treinamentos militares. A extrema direita na Ucrânia organiza milhares de pessoas em grupos paramilitares mais ou menos integrados às forças armadas oficiais, dependendo do caso, e organiza acampamentos de juventude, é proprietária de casas culturais... Desse ponto de vista, mesmo que no momento ela não tenha a mesma força política, ela tem muito mais aspectos e pontos em comum com as organizações fascistas dos anos 1930 do que com a extrema-direita ocidental atual, bem mais respeitosa da legalidade imposta por seus regimes políticos respectivos.

O Movimento Azov e a cumplicidade dos ocidentais e seus aliados locais

Entre estas organizações, a mais conhecida a nível internacional é, sem dúvida, o movimento Azov. O especialista canadense sobre a extrema-direita ucraniana, Michael Colborne, que lançará um livro sobre o movimento nas próximas semanas, fala dele da seguinte maneira: A extrema-direita ucraniana, particularmente o movimento Azov, há muito tempo consegue operar com um grau de impunidade e abertura que causa inveja a seus pares internacionais. O movimento surgiu do regimento Azov (originalmente um batalhão), formado no caos da guerra no início de 2014 por um grupo heterogêneo de bandidos de extrema direita, hooligans e parasitas internacionais - incluindo dezenas de cidadãos russos - tornando-se uma unidade oficial da Guarda Nacional da Ucrânia. Composto de, estimasse, 10.000 membros, (...) o movimento Azov conseguiu se beneficiar de uma virada "patriótica" geral no discurso ucraniano dominante desde o início da agressão russa em 2014, (...) e carrega também sob seu guarda-chuva subgrupos vagamente afiliados, mas mais extremos, compostos de neonazis declarados que elogiam e encorajam a violência". Obviamente, os líderes imperialistas no Ocidente estão bem cientes da atividade política e militar das organizações de extrema direita na Ucrânia. No entanto, eles optam por não expressar suas preocupações em público porque isso poderia alimentar o discurso de Putin, mas também porque, no momento, a ação da extrema direita favorece seus interesses. No entanto, é inegável que esse exército de extrema direita terá um papel político no futuro da Ucrânia, seja qual for o resultado da guerra atual. A questão para os imperialistas e seus parceiros locais é se eles serão capazes de controlar essas forças e garantir sua “lealdade”. Não é por acaso que, ao contrário de 2014, o movimento Azov, por exemplo, está tentando “mostrar suas credenciais”. Para se beneficiar do apoio político e militar dos imperialistas, eles devem parecer parceiros confiáveis ​​e responsáveis. É nesse sentido que adotam uma estratégia de “desdiabolização”. Assim, em um artigo da Novara Media , que também cita Colborne, lemos: a preocupação do movimento com sua imagem provavelmente também significa que os voluntários de extrema direita do exterior não desempenharão um papel tão essencial em Azov quanto na fase inicial da guerra. Quando o conflito eclodiu em 2014, neonazistas de toda a Europa se reuniram na Ucrânia para se juntar aos lados ucraniano e russo. A presença de combatentes de extrema direita do exterior prejudicou a reputação dos Azov. “Enquanto em 2014 eles estavam recrutando ativamente ajuda externa, desta vez eles estão rejeitando ativamente”, diz Colborne”.

No entanto, por enquanto, o mais provável é que os líderes ocidentais continuem sua política de encobrir e relativizar a atividade dessas organizações. Esta é uma política que está em vigor há vários anos por políticos ocidentais. Como escreve a Al Jazeera: “Em junho de 2015, o Canadá e os Estados Unidos anunciaram que suas próprias forças não apoiariam ou treinariam o regimento Azov, citando seus laços neonazistas. No ano seguinte, no entanto, os Estados Unidos suspenderam essa proibição sob pressão do Pentágono". O Facebook, por sua vez, acaba de flexibilizar a censura de certos conteúdos relacionados à propaganda do movimento Azov. Essa atitude dos líderes e instituições ocidentais contribui para a criação de um terreno mais favorável para essas organizações reacionárias dentro da população ucraniana. Assim, embora não possamos afirmar que todos os membros das forças treinadas pelo movimento Azov sejam neonazistas, é mais do que certo que suas ideias são relativizadas, banalizadas e difundidas entre grande parte da população.

Pravi Sektor, o outro ator da extrema-direita ucraniana

O movimento Azov e outras organizações de extrema direita contam com o apoio e a benevolência das próprias autoridades ucranianas. Eles têm até mesmo contatos importantes dentro do aparato estatal, como o ex-ministro do Interior, Arsen Avakov, que renunciou no verão passado e que é suspeito de ter sido o líder do movimento Azov. Nesse mesmo sentido, outro movimento de extrema-direita importante no país é o Pravi Sektor (Setor de Direita) cujo capitão Dmytro Kotsyubaylo foi condecorado como “herói” pelo próprio presidente ucraniano. The Times pinta o seguinte retrato do Pravi Sektor: o grupo se originou em 2013 como um movimento militarizado que incluía extremistas ultranacionalistas e apoiadores de direita, e rapidamente se tornou um pilar na luta contra os separatistas apoiados pela Rússia. Embora sua ala política tenha fracassado, não conseguindo conquistar uma única cadeira nas eleições de 2019, as unidades voluntárias de Pravi Sektor são amplamente consideradas na Ucrânia como uma força dedicada de voluntários patrióticos comprometidos em preservar a integridade do território do país (...) Ao passo que a ameaça de uma invasão russa se aproxima, Pravi Sektor se viu em uma era de prestígio revitalizado, exemplificado pelo reconhecimento público de Kotsyubaylo como um herói nacional. Aquartelados atrás da linha de frente como uma força de reserva, os combatentes do Pravi Sektor treinam reservistas e voluntários em todo o leste da Ucrânia. "Somos parte integrante da defesa de nosso país e nos coordenamos no mais alto nível com o exército ucraniano", disse Kotsyubaylo". Existe uma osmose tão importante entre o Pravi Sektor e o Estado ucraniano que é normal ver crianças em idade escolar visitando os seus campos de treino, onde lhes é dada uma visão totalmente nacionalista da história do país. Este é particularmente o caso da história em torno do Exército Insurgente Ucraniano de Stepan Bandera, uma organização militar nacionalista ucraniana que durante a Segunda Guerra Mundial lutou contra o Exército Vermelho e os nazistas, mas que colaborou com os últimos. O exército de Stepan Bandera também é responsável pelo massacre de milhares de poloneses e judeus. Porém sua reabilitação está em andamento no país há vários anos, antes mesmo do movimento Maidan de 2014. É uma revisão reacionária da história que se tornou política oficial. Símbolos banderistas como a bandeira vermelha e preta, que podem ser vistos até em manifestações em Paris, tornaram-se “meros” símbolos nacionais.

A extrema direita, milícias privadas dos oligarcas?

Há uma faceta menos conhecida das forças de extrema-direita: sua relação com os oligarcas. De fato, vários oligarcas ucranianos estão entre os principais apoiadores financeiros de grupos paramilitares nacionalistas. Entre esses oligarcas podemos citar o magnata da energia, Igor Kolomoïsky. Este não apenas financiou o regimento Azov, mas também as milícias Dnipro 1 e Dnipro 2, Aidar e as Unidades do Donbass. Como escreveu o jornalista norte-americano próximo ao Partido Democrata, Peter Cioth, em 2019: durante o conflito entre a Ucrânia e os separatistas apoiados pela Rússia, Kolomoïsky estava pronto para fazer qualquer coisa para que seu lado ganhasse – esse lado era, na época, o lado pró-ocidental. O Sr. KolomoÏsky é judeu, possui nacionalidade israelense além de sua nacionalidade ucraniana e já foi presidente do Conselho Europeu das Comunidades Judaicas. No entanto, nada disso o impediu de financiar milícias neonazistas na Ucrânia, particularmente o infame Batalhão Azov, desde que se opusessem à Rússia (e as propriedades de Kolomoisky não fossem saqueadas)". Kolomoïsky foi, no entanto, sancionado pelos Estados Unidos em março de 2021. Não por seu apoio e financiamento a grupos neonazistas, mas porque, enquanto isso, ele começou a financiar facções parlamentares em desacordo com os ocidentais. De fato, longe da narrativa heróica que é feita atualmente dos líderes ucranianos, estes (incluindo o próprio Zelensky) e os oligarcas estão usando as disputas entre a Rússia e os imperialistas ocidentais para melhorar sua posição nas negociações com esses dois "blocos". Essa é a história política da Ucrânia desde a queda da URSS. Nesse sentido, o financiamento de brigadas de criminosos e neonazistas contra a Rússia segue a mesma lógica: proteger seus interesses particulares. Quanto ao aparente paradoxo do fato de Kolomoïsky ser judeu e ao mesmo tempo financiar grupos filiados ao neonazismo, isso também serve para relativizar o verdadeiro caráter político desses grupos. Alguns também apontam para o fato de que Zelensky, ele próprio judeu, não pode apoiar ou ser apoiado por “neonazistas”. Isso significa esquecer que essas organizações foram fundadas por indivíduos tão reacionários quanto oportunistas, dispostos a deixar de lado algumas de suas “convicções” em favor do maior lance. Nesse sentido, o jornal israelense Haaretz , escreve sobre os crimes desses bandos: suas tropas [do Regimento Azov] foram acusadas de crimes de guerra pelas Nações Unidas, enquanto seu braço paramilitar, o Corpo Nacional, foi associado a ataques a ciganos locais e membros da comunidade LGBT. No entanto, embora grupos de extrema direita tenham cometido ataques na última década (…) a violência contra os judeus é relativamente rara”. Que essas organizações ataquem menos as populações judaicas não significa que estejam menos próximas do neonazismo, mas apenas que enfatizam outros aspectos dessa ideologia nauseante.

E a extrema direita “pró-russa”?

No entanto, uma vez que denunciamos e mostramos o perigo representado pela extrema direita nacionalista ucraniana, seria muito parcial parar por aí. De fato, se Putin e a propaganda russa denunciam a "nazificação" da Ucrânia e o peso (intencionalmente exagerado) dessas organizações no governo de Kiev, nada dizem sobre a presença de ativistas e líderes de extrema direita nas fileiras das " milícias pró-russas" do Donbass. Mesmo que tudo seja feito para esconder a influência dessas correntes dentro das “repúblicas populares”, a realidade é que também existem reacionários nacionalistas do lado pró-russo. Assim, em 2019, Iosif Zisels, chefe da Associação de Organizações e Comunidades Judaicas da Ucrânia, declarou que em 2014 "Os neonazistas russos (incluindo a Unidade Nacional Russa) desempenharam um papel ativo nos combates no leste da Ucrânia, embora sua ideologia remonte de 20 anos atrás”. Da mesma forma, em uma reportagem de 2014 no Donbass, a jornalista Julia Ioffe estava entre os combatentes pró-Rússia mostrando símbolos nazistas, mas também a preocupação deles em esconder essa realidade. Discutindo com um dos líderes do Batalhão Vostok, ela relata a seguinte anedota: "Enquanto Dmitry e eu conversávamos, notei um combatente de Vostok em calças militares, camiseta e colete à prova de balas, andando de um lado para o outro com uma Kalashnikov. Ele tinha uma barba loura longa e densa e estava coberto de tatuagens: uma runa em um cotovelo e, dentro de seu antebraço direito, uma suástica. (...) Perguntei a Dmitry sobre isso, mas o homem me viu mostrando meu braço. "Venha aqui", ele rosnou, acenando para mim com raiva. Eu permaneci congelada no lugar. "Não vá espalhar suas mentiras," ele latiu enquanto caminhava em nossa direção. "Não é uma suástica. É um antigo símbolo eslavo. Swa é o deus do céu". Eu ouvi, em silêncio. "É nossa herança eslava", disse ele. "Não é uma suástica". Mas nem tudo termina aí. As ligações oficiais das autoridades das repúblicas de Donbass com a extrema direita ocidental são bastante fáceis de estabelecer. Assim, a jornalista e ativista de direitos humanos Halya Coynash descreveu em um artigo de 2014 a lista de “observadores internacionais” que vieram certificar a “validade democrática” dos referendos separatistas realizados no Donbass: “Entre eles estavam pelo menos dois membros do partido populista de extrema direita Freedom Party of Austria; Aymeric Chauprade, o assessor para assuntos internacionais do Front National francês; o belga Luc Michel, ex-membro neonazista da FANE e agora membro de um partido de extrema direita, bem como dois compatriotas do partido de extrema direita Vlaams Belang; dois membros do partido de extrema direita búlgaro Ataka; o húngaro Bela Kovacs do partido de extrema direita Jobbik, etc.". O poder russo precisa ocultar essa realidade para garantir a “credibilidade” de sua propaganda, apresentando-se como uma força de “libertação” das populações de língua russa da Ucrânia contra uma ameaça neonazista ucraniana. A partir daí, também explica-se que alguns são capazes de fazer demagogia em torno da denúncia da derrubada das estátuas de Lênin. Mas isso não pode esconder o caráter reacionário e opressor do regime de Putin. Tampouco pode ocultar os projetos políticos repetidamente apresentados por certos líderes das repúblicas do Donbass, que assumem os projetos da Rússia Imperial pré Revolução de Outubro, como a criação de um Estado (Nova Rússia) reunindo as regiões leste e sul da Ucrânia. As referências de organizações de extrema direita neofascistas ou nacionalistas na Rússia são menos a Alemanha nazista do que o imperialismo czarista russo. Isso permite que eles joguem com símbolos menos conhecidos, especialmente no Ocidente. Mas essas correntes são tão nefastas quanto os neonazistas ucranianos.

Por uma classe trabalhadora e uma política independente

Como tentamos mostrar ao longo deste artigo, a extrema direita é uma ameaça muito real para a classe trabalhadora e as populações oprimidas da Ucrânia. Mas essa ameaça vem não apenas do lado do nacionalismo ucraniano reacionário, mas também do chamado lado “pró-russo”. A política de opressão da Ucrânia, a “Grande Rússia” de Putin, apenas favorece o desenvolvimento de correntes nacionalistas reacionárias do lado ucraniano. A opressão russa leva centenas de milhares de pessoas (até milhões) a banalizar ou relativizar esse perigo reacionário e a misturar sentimentos legítimos de defesa de seu país diante da agressão com a agenda política da extrema direita nacionalista. Por outro lado, Assim, a política dos governos de Kiev e dos oligarcas ucranianos favorece um nacionalismo anti-russo violento. Dessa forma, um dos perigos para os trabalhadores e as massas é que a guerra - dada a sua configuração atual e as forças envolvidas - possa favorecer o desenvolvimento e fortalecimento de correntes de extrema direita, em particular aquelas que trabalham em estreita colaboração com as forças de segurança ucraniana, que podem sair fortalecidas. Beneficiando-se, sem dúvida, da "assistência militar" prestada pela OTAN, mas também, indiretamente, do apoio político que o governo de Kiev recebe das potências imperialistas, pode ser que estes grupos militares liderados pela extrema direita, pelo seu papel decisivo na defesa da Ucrânia, vejam o seu prestígio aumentado. Situação que terá impacto nos países ocidentais.

Mesmo no cenário de derrota e luta pelo governo ucraniano, essas correntes poderiam tentar lucrar ao se opor oportunisticamente a Zelensky, enquanto as correntes de extrema direita “pró-Rússia” também emergiriam fortalecidas no caso de uma vitória militar. Para impor outra saída da guerra, é necessário construir uma alternativa progressista de massas, liderada pela classe trabalhadora independentemente da Rússia e das alas pró-russas locais, do imperialismo ocidental, da burguesia nacionalista e dos nacionalistas reacionários. Tal campo seria um passo muito importante para uma perspectiva de classe, revolucionária e socialista nesse conflito: a única perspectiva que poderia garantir os direitos nacionais dos povos da Ucrânia e uma Ucrânia verdadeiramente independente. Caso contrário, é altamente provável que sejam as forças reacionárias que levem vantagem, incluindo correntes de extrema direita.




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