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Além da Amazônia, Cerrado brasileiro também é destruído pelas queimadas criminosas

Além da destruição da Amazônia que segue sem parar, agora a atenção também está sendo voltada para o cerrado brasileiro, onde teve o registro de mais de 7 mil focos de incêndio nos primeiros 9 dias de setembro. Especialistas apontam que foram provocados pela ação humana. Por isso, a luta pelo fim da destruição criminosa da natureza em prol de lucros, deve ser uma luta anticapitalista.

quarta-feira 11 de setembro| Edição do dia

Depois dos dados alarmantes da destruição da Amazônia que foram divulgados em agosto deste ano, setembro já começa com um novo alerta, agora no cerrado, local onde acontece um maior número de focos de queimada do que na Amazônia – invertendo a lógica que vinha desde o começo deste ano, onde a destruição da Amazônia em prol do capitalismo vinha com mais vigor do que no cerrado.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou – no banco de dados do Programa Queimadas – comparações entre os números de queimadas ocorridas em um específico período, de agosto e setembro (gráfico abaixo). Depois de todo o escândalo de denúncias contra a ação criminosa dos burgueses do agronegócio em prol de seus lucros, vemos que não somente a Amazônia está pagando pelos interesses e riqueza dos capitalistas.

No primeiro dia de setembro, os focos de queimadas foram mais numerosos no cerrado do que na região Amazônica, onde no primeiro foram registrados 7.304 focos, e na Amazônia, 6.200 focos de queimadas. Entretanto, a região amazônica ainda é a mais atingida quando consideramos o total de destruição no decorrer do ano, como é demonstrado no gráfico a seguir. Ainda, no gráfico, vemos um aumento de 44% de focos de incêndios no cerrado dentro do período destacado, quando comparado com o mesmo em 2018.

E diferente do que muitos podem afirmar, os incêndios não estão sendo causados pela onda de calor que chegou na região, nem por causas naturais como raios que podem iniciar um incêndio, mas sim provocados pela ação humana – segundo especialistas que acompanham o caso. A atual onda de calor que atinge a região não provoca os focos de incêndio, mas dificulta o controle do fogo, pois a altíssima temperatura e a baixíssima umidade torna o cerrado inflamável, fazendo com que as queimadas se espalham rapidamente pelo território. Apesar do cerrado ser um bioma adaptável ao fogo, tudo tem um limite, e este já foi ultrapassado pela enorme proporção que se chegou com esse alto número de focos de queimadas provocadas pela ação humana, segundo Carlos Nobre – climatologista, membro da Academia Brasileira de Ciências e ex-pesquisador do Inpe.

Para se colocar fim na destruição que os capitalistas fazem em prol de seus lucros, é preciso uma mudança radical na sociedade. É necessária uma reforma agrária radical que acabe com o latifúndio no país, distribuindo terra a quem deseja nela trabalhar, que garanta autonomia e integralidade das terras indígenas e quilombolas, e integre as pequenas propriedades de cinturões verdes nas cidades, com os pequenos proprietários no campo, com grandes fazendas e fábricas sob controle dos que nela trabalham. A economia deve ser centralizada não no lucro, mas sim na satisfação das necessidades da população. Para livrar os seres humanos e a natureza de toda a exploração, é preciso levantarmos uma luta anticapitalista e anti-imperialista.




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