CRISE NO GOVERNO

Alckmin e Temer discutirão PSDB no governo e como preservar reformas da crise política

Ítalo Gimenes

Campinas

sexta-feira 2 de junho| Edição do dia

Nesse fim de semana, Temer deve se reunir com Alckmin com objetivo de evitar saída de PSDB, ou ainda a sua ala em São Paulo, do governo. Prometendo vencer no julgamento do TSE, Temer quer convencer de que é melhor apoia-lo para que a crise política não salte ao ponto de levar a uma maior mobilização das massas, como com nova greve geral, capaz de comprometer as reformas.

Trata-se de um momento muito delicado para Temer, que torna especial a sua procura ao PSDB. Na próxima semana, será julgado pelo TSE, situação que o presidente quer demonstrar estar já contornada sem nem que precisem adiar o julgamento, com pedido de vista de um membro do tribunal ou o que quer que seja, mas que conta vencer com 4 dos 7 votos, revelando seu placar de voto individual dos ministros. Uma condenação comprometeria o apoio do PSDB que precisaria estar integro para a disputa de seu nome para a saída institucional imposta pelo Judiciário, o golpe dentro do golpe, ou as eleições indiretas.

Por isso tantas vozes cruzadas a respeito dos rumos do PSDB no governo, que nunca se compromete em defende-lo, com Aécio e Doria apoiando o governo, FHC declarando apoio com base na economia e setores jovens, “cabeças pretas”, defendendo a saída imediata. Não está certo o que vai se dar. O que converge nesses setores é o medo de que a crise política prejudique as reformas, de modo que Temer tem buscado se provar capaz de tocá-las, estabilizada a crise. Ela mesma pode sofrer novas explosões na próxima semana com o TSE, que apesar do placar de Temer (semelhante ao engano de Dilma sob a votação do seu impeachment no Senado), ainda que com chances reais de preservá-lo, pode comprometê-lo.

Há ainda as prováveis movimentações de Janot e Fachin na próxima semana que podem tirar de Rocha Lourdes um novo escândalo para Temer, que provavelmente deverá ser julgado culpado por Janot, de modo que a base de Temer já se articula para protegê-lo dessa denuncia no Congresso, que certamente pressionaram tanto o TSE quanto o PSDB.

Vê-se que os políticos e juízes desse regime podre, corrupto e que nos ataca se atropelam nesse momento de crise de tanto que correm pela disputa de qual saída para crise política, de modo que se apressam pela aprovação das reformas Trabalhista e da Previdência, as quais tanto desejam todos os setores do PSDB, do judiciário, do Congresso, dos empresários e dos banqueiros. Os trabalhadores não só não tem pressa como detestam as reformas. Demonstraram no 15M, na greve geral do dia 28A e na Marcha de Brasília, que tem muita força para derrota-las, mas que precisam de comitês em cada local de trabalho e estudo para preparar uma nova greve geral, coisa que as centrais sindicais tardam muito em fazer. Os tempos estão acelerados, enquanto vigora a crise política, há uma enorme abertura para os trabalhadores darem eles o golpe final em Temer e nas suas reformas, e não o Judiciário, a Mídia e os políticos do Congresso.

Com tamanha possibilidade nas mãos, as centrais traem os trabalhadores que querem impor essa derrota a Temer quando demoram para anunciar concretamente a nova greve geral, portanto para prepara-la. Não devemos esperar e preparar comitês de mobilização para tirar das mãos das centrais o rumos da nossa luta. Assim também podemos elevar a nossa luta para acabar de vez com o regime que sustenta os ataques e a corrupção, elegendo não um novo presidente ou novos parlamentares que manterão as reformas e a corrupção, mas delegados que saiam dos nossos comitês de mobilização para pôr de pé uma Constituinte que revogue todas as PECs, leis, que tiraram direitos dos trabalhadores, como a PEC do teto e a lei da terceirização irrestrita, desde Sarney, FHC, Lula e Dilma.




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