Política

ELEIÇÕES 2018

Alckmin anuncia os eixos de sua campanha para 2018: privatizar tudo e aumentar a repressão

Geraldo Alckmin, tucano governador de São Paulo, na disputa a candidato a presidente em 2018 pelo PSDB, quer privatizar tudo também a nível nacional e aumentar a repressão.

segunda-feira 27 de novembro| Edição do dia

Do alto do cinismo daquele que possui um longo histórico de enfrentamento com os trabalhadores de São Paulo, como bem sabem os professores da rede estadual e todo o funcionalismo público, Alckmin se declarou nesta semana um “reformista” que, no pleito à candidato pelo PSDB a presidente do país, quer retirar o “Estado paquiderme” das costas dos trabalhadores e “empreendedores” no Brasil. Para isso, ironicamente, promete privatizar a maioria das 150 estatais brasileiras e criar um Ministério de Segurança no governo federal.

Segundo uma pesquisa do Valor Econômico, há três dias Alckmin liderava as pesquisas para as eleições de 2018 (um dado tanto inédito como suspeitável), ultrapassando Lula e Luciano Huck. Também na corrida pela presidência do PSDB, o tucano que quer privatizar todo o Ensino Médio de São Paulo busca se colar ao discurso de “reformista” para assumir uma cara de mudança, quando na raiz de suas propostas está: transformar direitos básicos, que deveriam ser públicos, como saúde, educação e transportes (vide o metrô de São Paulo), no lucro de grandes empresários e entregar definitivamente nossas riquezas ao capital estrangeiro, que é parte intrínseca do regime político podre e seus escândalos de corrupção. Alckmin não esconde que quer privatizar a maioria das 150 estatais brasileiras. Não muito diferente, diga-se de passagem, do que têm buscado fazer Temer e Maia, gloriosos “reformistas”, com a Reforma Trabalhista e da Previdência, vendendo nossas estatais na Bolsa de Valores, como Eletrobrás, Petrobrás e Banco do Brasil.

Além disso, o tucano anuncia que, se eleito criará o Ministério da Segurança no governo. Na boca do inimigo dos secundaristas, à frente do estado com maior taxa de encarceramento de negros do país, segurança é à la Alexandre de Moraes, pitbull da PM que fez escola em seu governo. Sua proposta nada mais é do que aprofundar a repressão, enquanto quer atacar os trabalhadores e o povo pobre.

Não nos enganemos: as reformas de Alckmin soam mais velhas do que os mandatos do PSDB em São Paulo. Aos trabalhadores, nenhum direito e muita repressão. Não atoa ele foi peça chave do partido para garantir seu o apoio tucano a Temer após a agudização da crise política instalada com o áudio da JBS. Em favor da agenda da Reforma Trabalhista e da Previdência, Alckmin manteve-se fiel ao notoriamente corrupto Temer (que não mais que 3% da população aprova).

Porém, não é possível pensar essa conjuntura reacionária sem compreender o papel do próprio PT, que hoje volta a se apresentar como alternativa a toda direita, desde Bolsonaro a Alckmin. As centrais sindicais petistas, CUT e CTB, boicotaram junto às patronais Força e UGT seus próprios chamados de luta à Reforma Trabalhista, não organizaram nas suas bases sindicais sequer com assembleias, quem dirá um plano de lutas real que almejasse derrotar as reformas. Os trabalhadores enfurecidos da greve geral do dia 28 de Abril sofreram da desmobilização e desmoralização organizada pelas suas direções políticas, terreno fértil à campanha de Lula para 2018.

Lula diz perdoar os golpistas, volta a rotina de reuniões e alianças com políticos golpistas, os mesmos que querem os trabalhadores marcados a ferro com essas reformas. O mesmo tipo de política que fizeram durante todo governo, dando continuidade a política do PSDB de FHC de dedicar imensos recursos do país, quase metade do PIB, para o pagamento da dívida, que hoje é usada de argumento para Temer criar a PEC do teto dos gastos públicos, dentre outros ajustes. Aprofundou a política desse governo de terceirização, ampliando em quase 4 vezes o número de trabalhadores nessa condição precária de trabalho. Se aliou com Cunha, Temer, fortalecendo todo tipo de direita, que depois lhe deu o golpe.

Para que esse tipo de política o eleja em 2018, ele tem que convencer os empresários e banqueiros, os capitalistas, a ser capaz de utilizar de suas burocracias nos sindicatos controlar a revolta. Com a desmoralização instalada por essas burocracias, Lula pode prometer vencer a direta nas urnas e aos poucos as coisas voltarem a melhorar.

Nesse sentido, os desafios da conjuntura demandam que seja construída uma força política independente também do PT, e que seja radicalmente anticapitalista. É para a construção dessa força que o Esquerda Diário, impulsionado pelo MRT, quer estar junto com milhares de trabalhadores, cotidianamente e nas lutas.

Saiba mais sobre essa proposta: 2018 já começou: batalhar por uma alternativa anticapitalista e revolucionária para a luta de classes




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