Política

ELEIÇÕES 2018

Alckmin = Bolsonaro? Veja as aproximações do tucano ao defensor da ditadura

Nas pesquisas eleitorais sem Lula, Bolsonaro lidera. Para recuperar terreno à direita Alckmin está incorporando várias elementos do perfil e do programa do reacionário capitão.

domingo 5 de agosto| Edição do dia

Com a chegada do período eleitoral, candidatos à presidência começam a divulgar detalhes de seus projetos de governo, mostrando à serviço do que e de quem estarão em caso de assumirem o cargo. Geraldo Alckmin (PSDB), que já se mostrou totalmente favorável a submissão do país ao imperialismo, dará ainda mais corpo aos projetos de privatização, reformas e ataques aos direitos dos trabalhadores. Agora passa a assumir um projeto ainda mais reacionário, muitas vezes se colando a um programa que é tido como mais emblemático da direita conservadora e reacionária, o de Jair Bolsonaro.

A necessidade de Alckmin de incorporar parte da agenda de Bolsonaro é dupla. Por um lado por pragmatismo eleitoral para arrancar votos; por outro, é para se fortalecer em bases políticas conservadoras que não lhe são nada alheias. Membro da reacionária Opus Dei, e tendo comando SP por quase 20 anos, o discurso de repressão e até mesmo homofóbico não lhe são estranhos.

Concorrência em reacionarismo em relação a direitos trabalhistas

Nesta quinta feira (2), Alckmin afirmou em entrevista que caso eleito acabaria com o Ministério do Trabalho, deixando ainda mais evidente uma política para os patrões para que a crise seja descarregada nas costas do trabalhadores. Esta declaração mostra que a política do PSDB tem um caráter profundamente reacionário, de ataque evidente aos trabalhadores, assim como Bolsonaro, que na Confederação Nacional das Indústrias afirmou irá levar à frente uma política de desregulamentação, desburocratização para que o governo não fique "no cangote dos empresários".

A aproximação de Bolsonaro e Alckmin se mostra principalmente no que tange a política de ataque aos trabalhadores, uma necessidade imposta pela burguesia que depende ainda mais de um governo de ajustes para garantir seus lucros. O próximo governo eleito, invariavelmente, tenderá a enfrentar uma forte crise fiscal tendo que cortar gastos sociais (como começamos a ver na CAPES) e possivelemente elevar impostos para seguir pagando o roubo do país com a chamada dívida pública. Para que os empresários aumentem seus lucros, tanto Bolsonaro como Alckmin prometem não somente a Reforma da Previdência, mas também implementar ataques ainda mais duros que a Reforma Trabalhista de Temer, seja extinguindo o ministério do trabalho ou as leis trabalhistas.

Latifúndio e generais aqui e acolá

Bolsonaro é reconhecidamente um dos maiores entusiastas das Forças Armadas e da ditadura militar, também se declara favorável que generais assumam cargos de ministros. Agora, a chapa de Bolsonaro terá como vice o General Mourão, um reconhecido entusiasta de intervenção militar.

Se não há elogios à ditadura por parte da chapa de Alckmin, todo restante do programa foi incorporado. Ana Amélia (do PP de Maluf, partido que Bolsonaro era filiado até recentemente), escolhida como vice para chapa com Alckmin, possui uma vasta coleção de declarações e medidas reacionárias e conservadoras, sendo uma figura caricata similar à corja da direita reacionária que pertence Bolsonaro.


Ana Amélia, latifundiária que compõe bancada ruralista, agora compõe chapa ao lado de Alckmin

Ana Amélia, iniciou sua carreira política ocupando cargo no gabinete de seu marido Octávio Omar Cardoso, senador biônico da ditadura militar pelo ARENA e depois PDS, é atualmente latifundiária e representante da bancada ruralista, sendo responsável por leis que garantem o desmatamento, a superexploração de trabalhadores no campo, e, mais recentemente a proibição de venda de alimentos orgânicos e o aumento do uso de agrotóxicos.

Leia também: Saiba quem é e do que é acusada Ana Amélia, vice de Alckmin e Senadora do PP

Porém, Ana Amélia não é uma figura reacionária isolada na chapa tucana: no Estado do Ceará, o General Teophilo (4 estrelas como Mourão, vice de Bolsonaro, e Augusto Heleno seu assessor) teve sua candidatura à governador confirmada há poucos dias. Com perfil linha dura e repressor, Teophilo concorre com Mourão em matéria de golpismo. Na época do impeachment de Dilma ele foi o general que dizia que as Forças Armadas estavam prontas para intervir para "garantir a ordem".

Armar os jagunços e perseguir os movimentos sociais

O perfil repressor e reacionário de Bolsonaro não fica só no passado. Promete armar os latifundiários e criminalizar o MST. Alckmin promete justamente o mesmo.

Alckmin deu uma entrevista ao Canal Rural onde prometeu, tal como capitão do Exército facilitar a posse de armas no campo, ele disse: "Vou criar uma guarda nacional permanente - hoje tem uma força nacional que você empresta o policial de um Estado para ir para outros Estados. E, de outro lado, facilitar a posse e o porte de armas no campo".

No que tange a criminalizar o MST, a chapa Alckmin-Ana Amélia deve pouco a Bolsonaro. Ana Amélia foi uma das autoras da "Lei Anti-terrorismo" que foi sancionada por Dilma e prontamente utilizada por Alckmin para demitir metroviários e reprimir protestos durante a Copa do Mundo.

Homofobia aberta e homofobia enrustida

Bolsonaro é conhecido por ser um homofóbico. Mas apesar de ser um membro da reacionária Opus Dei Alckmin tenta mostrar-se moderno, mas não é. Uma de suas últimas medidas, no último dia como governador de São Paulo em 6 de abril deste ano foi vetar lei que punia homofobia nos estádios de futebol.

Mas a homofobia não termina aí. Conivente, Alckmin governou São Paulo por quase duas décadas e garantiu um posto invejável em reacionarismo: Estado campeão anualmente em crimes LGBTfóbicos.

Com passos a direita e uma mãozinha da mídia e da Lava Jato, Alckmin entra no páreo

A Lava Jato serviu como uma importante ferramenta para garantir uma "pré-seleção" pelos golpistas e pelos capitalistas, dos candidatos que mais agradam a burguesia imperialista.

A prisão arbitrária de Lula, e tentativa de continuar o golpe institucional retirando do pleito a figura que concentrava a maior quantidade de intenções de voto, abre espaço por definitivo para que Alckmin possa ajustar ainda mais seu programa de governo em prol dos desejos capitalistas e que dispute com uma melhor margem as eleições de 2018, uma das pedras no seu caminho é Bolsonaro, e para isso, como mostramos cada parte de seu programa está sendo incorporada pelos tucanos.




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