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LAVA JATO

Alberto Youssef, Sérgio Machado: os corruptos que vão sendo libertados por Moro e a Lava Jato

O doleiro Alberto Youssef deixou a prisão da Lava Jato nesta quinta-feira, 17, após 2 anos e oito meses sob custódia. Um dos delatores que abriram caminho para as revelações da Operação Lava Jato, Youssef é personagem emblemático de como a Lava Jato busca fortalecer o autoritarismo judiciário substituindo um esquema de corrupção com a cara petista por um esquema com o rosto da direita.

sexta-feira 18 de novembro| Edição do dia

Braço direito do ex-deputado federal José Janene (morto em 2010) – ex-líder do PP que deu origem ao esquema de cartel e propinas na Petrobrás -, Youssef foi alvo principal da primeira fase das investigações, deflagrada em 17 de março de 2014. O doleiro foi preso em São Luís.

O doleiro vai cumprir quatro meses de prisão domiciliar, antes de se tornar um homem livre totalmente – o que está marcado para 17 de março de 2017. Ou seja, Youssef marca a tendência que a Lava Jato compartilha com a Operação Mãos Limpas na Itália – prisão temporária de um setor da casta política, que termina com a absolvição plena da imensa maioria dos corruptos burgueses.

Sinal disso é a “nova fase” da vida deste corrupto liberto por Sérgio Moro. O novo apartamento do doleiro, segunda pessoa a virar colaborador na Operação Lava Jato, custará no mínimo R$ 2.800 por mês.

O prédio para onde o delator se mudará em São Paulo, no bairro Vila Nova Conceição, tem apartamentos de um ou dois dormitórios, que vão de 36m² a 57m². Todos têm uma vaga na garagem. Para morar em uma das unidades menores e sem mobília, é preciso desembolsar mensalmente R$ 2.000 em aluguel, R$ 850 de condomínio e outros R$ 134 de IPTU.

Segue o caminho do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que vive em sua mansão de luxo depois de assumir participação no esquema da Petrobrás e revelar nomes conhecidos de políticos tão impunes quanto ele mesmo – José Sarney, Romero Jucá e Renan Calheiros.

Nas disputas internas entre o Ministério Público Federal, liderado por Rodrigo Janot e Sérgio Moro, e o Supremo Tribunal Federal, o judiciário – peça chave do golpe institucional e protagonista nos ataques que o governo Temer não tem força para aplicar, como a reforma trabalhista – busca se fortalecer e resolver qual das suas alas controlará o destino (e a soltura) dos corruptos.

A seletividade que mostra na captura de políticos do PT é mascarada com prisões de seres emblemáticos como Eduardo Cunha e Sérgio Cabral, apenas para melhor proteger o tucanato (e sua ala paulista) das delações da Odebrecht e da Camargo Correa. É assim que Moro ignora a propina de R$10 milhões ao PSDB delatado pela Queiroz Galvão.

Sérgio Moro e seus procuradores ganham medalhas do Exército por saber aproveitar a crise da Petrobrás para criar uma indústria milionária de delações. Faz jus em pertencer ao Judiciário mais rico do mundo: 1,3% do PIB nacional (quase R$70 bilhões) é consumido em salários aos juízes, sem contar os do Supremo, que merecem depois de tão árduos esforços por “extirpar” a corrupção nacional.

O Judiciário - e seus heróis como Moro e Dallagnol - prova uma e outra vez que está “no leme” deste segundo semestre político para resolver os elementos de crise orgânica e de representatividade no Brasil pela direita.




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