Alagamentos e riscos de desabamento: estudantes da Moradia da Unicamp enfrentam precarização

Os estudantes e moradores da Moradia Estudantil da Unicamp se defrontando com a precarização da permanência estudantil na universidade.

sábado 23 de janeiro| Edição do dia

Foto: Denny Cesare/Código19

Em um contexto de pandemia e precarização da vida, estudantes da Moradia Estudantil da Unicamp denunciam as condições de precariedade em suas casas. Casas que alagam, tetos e escadas prestes a cair, rachaduras, goteiras e mofo, além de queda de energia, fazem parte do ambiente que vivem os estudantes. Por isso, os moradores fizeram um abaixo-assinado para denunciar o descaso que sofrem por parte da Reitoria de Knobel.

Essa situação chega a esse ponto graças a uma política de precarização da permanência dentro de uma das maiores universidades do país. Em meio a um momento de pandemia, crise econômica, a qual Bolsonaro e golpistas descarregam sobre os trabalhadores, além de Ensino Remoto precário e excludente, os estudantes se enfrentam com as consequências de anos de precarização da Moradia, que além de não ser ampliada, como acordado na greve de 2016, também a reitoria do Knobel que se embandeira da inclusão das cotas e do vestibular indígena, não faz um manutenção estrutural, para que a permanência destes e outros alunos que necessitam do programa de moradia estudantil possam permanecer na universidade com qualidade de vida. A precarização chega ao ponto de risco de desabamento de um dos blocos de casas (bloco B) e problemas elétricos, tendo dois blocos de casas sem luz por quatro dias (blocos N e O).

“No início do ano passado a casa em que moro alagou em decorrência da falta de manutenção na caixa d’água. Além do susto da água caindo por todo o teto, a Unicamp disse que resolveria o problema somente no dia seguinte e tivemos que dormir fora de casa sem saber ao certo como ficaria nossa situação. Mesmo após arrumarem o problema pontual, não fizeram uma vistoria para saber as consequências do ocorrido. Não bastasse este caso, a casa voltou a alagar em decorrência de outra bomba da caixa d’água que estourou.” disse Julie Sagüi, moradora do bloco J da Moradia.

A Reitoria de Knobel, que agora chega ao fim com o início de um novo processo para Reitor, deixa o seu legado, o aprofundamento dos ataques aos estudantes e aos trabalhadores da Unicamp, com ajustes e demagogia. Com a pandemia, avançou em jogar nas costas dos setores mais precários a crise universitária, aprovando, por via do Consu antidemocrático, o corte de de 72 milhões no orçamento; deixando os trabalhadores da saúde sem EPIs e sem liberar o grupo de risco; e permitindo a demissão dos trabalhadores terceirizados da Strategic e Alternativa.

A última ameaça de Knóbel e a burocracia acadêmica foi aos estudantes bolsistas, que por meio de novos critérios meritocráticos para a concessão de bolsa permanência afetava diretamente a possibilidade dos alunos mais pobres da universidade concluírem seus cursos. Mas a mobilização estudantil se enfrentou com o ataque e colocou o reitor na defensiva.

Em abaixo-assinado os moradores reivindicam uma equipe de serviço de manutenção, reforma das casas que precisam de manutenção, assim como o conserto da escada da casa C2 e o aumento do quadro de servidores administrativos e funcionários eletricistas, encanadores, de limpeza e jardinagem.

“É preciso que as nossas entidades estudantis, como o DCE, que hoje é dirigido pela UJS (juventude do PCdoB), sejam nossa ferramenta para organizar o conjunto dos estudantes em defesa da permanência estudantil e contra a precarização da Moradia - o que o DCE não é hoje, porque está paralisado. Não podemos ter qualquer esperança que nossa situação vai mudar com o anti-democrático processo de consulta para as reitorias, pois diante dos ataques à educação nacionais e estaduais, essas reitorias não se enfrentam com os governos e descarregam a crise sobre os estudantes e trabalhadores da universidade, para defender seus próprios privilégios, principalmente nos setores negros. Precisamos confiar na nossa luta aliada aos trabalhadores", diz Ana Vitória, militante da Faísca e estudante da Moradia Estudantil.

Nota de edição (26/01): Os moradores dos blocos sem energia mencionados nessa nota estão novamente sem o fornecimento de luz a dois dias.

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