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SÍRIA

Al Assad redobra os bombardeios e ataques sobre Alepo

Nem doze horas durou a promessa de cessar fogo na Síria, anunciada na terça-feira pela Rússia e Turquia. Com bombardeios sobre Alepo e novas exigências, Al Assad cancelou qualquer possibilidade de trégua.

quinta-feira 15 de dezembro de 2016| Edição do dia

Em declarações diante da ONU, a Rússia havia confirmado na terça-feira um suposto acordo a que haviam chegado junto com a Turquia para a evacuação de Alepo dos opositores ao regime de Al Assad. Entretanto, as promessas jamais chegaram a se cumprir porque, no lugar de um cessar-fogo, Alepo viu, desde a manhã de quarta-feira, uma intensificação dos bombardeios e ataques da parte do Exército sírio, que é apoiado pela Rússia.

O assédio de Al Assad sobre Alepo pôs fim a qualquer plano de cessar-fogo antes de que se possibilitasse a saída dos opositores e civis prevista para esta quarta-feira das zonas atacadas.

Apesar das declarações da Rússia que afirmou que Al Assad havia recuperado o controle total de Alepo, o Observatório Sírio de Direitos Humanos (que tem relação com as frações rebeldes) reportou intensos enfrentamentos entre o Exército sírio e grupos opositores nos pontos de contato entre os bairros controlados pelo regime e os que estão em poder da oposição.

Novas exigências de Assad

A Rússia havia anunciado na terça-feira um cessar das operações das forças armadas sírias após conquistarem um suposto acordo de trégua temporária junto à Turquia para a saída dos combatentes rebeldes de Alepo. Porém, os opositores a Al Assad denunciaram que o regime sírio e as milícias iranianas que o apoiam sobre o terreno começaram a interpor novas exigências que eram inaceitáveis para os rebeldes.

Segundo a agência EFE, o coordenador das facções rebeldes de Alepo, Abdelmoneim Zeinedín, afirmou que o Irã não quer aplicar o pacto para a evacuação a menos que se incluam algumas cláusulas especiais referentes aos “interesses xiitas em relação a Fua e Kefraya”, dois povos de maioria xiita cercados por grupos opositores.

O porta-voz do opositor Conselho da Província de Alepo Livre, Abu Zaer al Halabi, cujo organismo se encarrega da administração das zonas dominadas pelas frações rebeldes, declarou à agência Efe que "as milícias iranianas querem tirar os feridos e enfermos de Fua e Kefraya”.

As ditas localidades estão localizadas na vizinha província de Idleb e rodeadas pela Frente da Conquista do Levante (ex-filial síria da Al Qaeda) e outros grupos.

As frações rebeldes também denunciaram que o Governo de Al Assad exigiu aos opositores uma lista com os nomes das 15 mil pessoas que seriam evacuadas para poder identificá-las.

É evidente que Al Assad considera que conseguiu avançar o suficiente sobre Alepo, apoiado pela Rússia, como para tentar infligir-lhe uma derrota esmagadora aos opositores mais além dos acordos que se declarem fora do país.

Segundo o Observatório, têm sido as autoridades sírias as que “têm evitado a aplicação do pacto forjado entre Rússia e Turquia para uma evacuação por não haverem sido consultadas sobre o mesmo”. Ou seja, confiavam mais nos opositores no acordo entre Rússia e Turquia do que no próprio Al Assad que o havia dado por morto antes de colocá-lo em prática.

A dinâmica que adquiriu a guerra na Síria, com a intervenção direta de potências imperialistas e regionais, tornou cada vez mais impossível a instauração de qualquer tipo de trégua em que se possam incorporar os interesses de todos eles. Todos interesses reacionários, por certo, como se pode ver nos milhões de sírios que foram deslocados, naqueles que sofrem a xenofobia em campos de refugiados e nos centenas de milhares que acabaram mortos nos últimos anos e nos que seguem morrendo diariamente com a intensificação dos ataques em Alepo.

Tradução: Vitória Camargo




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