Economia

PREÇO DO FEIJÃO

Ainda sobre o feijão: Por que a direita se incomoda tanto com uma professora defender o direito do trabalhador comer feijão?

segunda-feira 11 de julho de 2016| Edição do dia

O vídeo da professora Maíra chegou a mais de 22 mil visualizações em menos de dois dias. O que há de mais no vídeo? Além de ser professora e mulher com coragem de defender suas ideias – as coisas que a direita mais odeia – defende uma saída anticapitalista, ou seja, que os trabalhadores não arquem com o custo da crise, sem que não possam sequer comer feijão no almoço e na janta. Mas como isso parece ser algo básico demais, explicamos em 5 pontos por que a direita chora tanto nas redes sociais:

1) “Não se pode ser mulher, pensar e ter ideias fortes”: Para a direita as mulheres deveriam ser, como disse a revista Veja sobre a mulher de Michel Temer (golpista), “belas, recatadas e do lar”. Sempre propriedade de algum homem e nunca indivíduos independentes. A Professora Maíra foi ofendida na publicação com vários xingamentos machistas e homofóbicos, mostrando que em toda oportunidade que têm, querem silenciar as vozes daquelas que não abaixam a cabeça para a sociedade machista e patriarcal.

2) “Professora? De Esquerda? Nem pensar”: Se tem uma coisa que a direita odeia são os professores, principalmente aqueles que fazem greve em defesa dos salários e das condições de trabalho, os que lutam por uma educação laica e verdadeiramente emancipadora. Muitos comentários defendiam o projeto reacionário de “Escola sem Partido” para que a única ideologia que esteja nas escolas seja a do capitalismo, a partir das cartilhas do Estado que não contam a história do povo negro, da luta das mulheres e dos LGBTs e que tratam dos temas como a ditadura militar como algo ameno e não necessariamente ruim. Querem com o projeto “Escola sem Partido” inculcar uma mentalidade de submissão na juventude, para que não lute.

3) “Trabalhadores terem salários que acompanham a inflação? Jamais!”: Quando ouviram a professora defender o aumento progressivo dos salários foram ao delírio. “Diz que é anticapitalista mas quer abaixar o preço do feijão? Buguei”(!!!). Mostram que todos seus argumentos estão a serviço de justificar que os trabalhadores tenham que pagar com seus salários desvalorizados, que se tornam a cada dia menos capazes de bancar as compras básicas do mês, já que algum lado tem que arcar com a inflação. Não aceitam uma voz anticapitalista que quer, justamente, que os empresários e os patrões paguem a crise que geraram, e que luta contra as privatizações e as demais saídas capitalistas para a crise.

4) “Anticapitalista? Vá pra Cuba, Venezuela e Coreia do Norte!”: Os comentadores de direita como “grandes gênios da economia, da sociologia e das ciências políticas” fingem que não entendem o que significa capitalismo. Explicamos: é a sociedade dividida em classes, onde a burguesia organiza a partir do Estado e suas instituições a sua maneira de explorar a classe trabalhadora. Falam de Cuba, Venezuela e Coreia do Norte mas é tudo mimimi e blá-blá-blá pra defender o capitalismo e sua profunda desigualdade social.

5) “Esquerda? Socialista? Fora PT! Fora Dilma”: Como vemos nos posts, a direita xinga qualquer pessoa que é de esquerda de petista. Por trás dessa “confusão” escondem seu verdadeiro ódio daqueles que combatem o PT pela esquerda. Se tem uma coisa que a direita mais tem medo é de uma esquerda revolucionária que não siga a estratégia de conciliação de classes como fez o PT. Uma professora que represente milhares de trabalhadores, jovens, mulheres, negros e negras e LGBTs, sem depositar confiança neste Estado, assusta. Dizem que tudo, inclusive o preço do feijão, é culpa da Dilma e do PT. Mesmo depois do golpe institucional, seguem com ódio não do PT, mas de qualquer mínima reivindicação dos direitos dos trabalhadores, como a denúncia do preço do feijão.
Essa é a direita golpista que quer cada vez mais justificar o aumento da exploração sobre os trabalhadores. Que pensa que 80 horas de trabalho por semana é pouco e se não podemos mais comer feijão, que mudemos nossa alimentação, que não lutemos por nossos direitos. Só reforçam nossas convicções e nossa certeza de que é preciso uma força anticapitalista para fortalecer nossas reivindicações, inclusive as mais básicas... como o direito ao feijão, sim!




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