BRASÍLIA / ENTREVISTA COM DIRETOR DO SINDÁGUA-DF / Crise hídrica / FAMA

“Água não pode ser fonte de lucros”: entrevista com Diretor do Sindágua

terça-feira 13 de março| Edição do dia

Igor Pontes Aguiar / Diretor de Comunicação do SINDÁGUA-DF [Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Água e Esgotos do DF] na campanha em defesa de um companheiro sindicalista perseguido pelo governo Rollemberg.

Como você vê a crise hídrica no momento em que se reúne o Fórum Mundial das Águas em Brasília?

Somos contrários ao Fórum Mundial da Água” ou "Fórum das Corporações", que está agendado para acontecer em Brasília de 18 a 23 de março deste ano, porque o objetivo deste fórum é historicamente dar a grandes empresas acesso privilegiado às decisões dos governos, para transformar a água em uma mercadoria, privatizando as reservas e fontes naturais de água. Tentando transformar este direito em um recurso inalcançável para muitas populações, que, com isso, sofrem exclusão social e submetidas a conflitos e guerras de todo o tipo.

Por esse motivo estamos integrando o Comitê do FAMA (Fórum Alternativo Mundial da Água) de Brasilia. O FAMA acontecerá entre os dias 17 e 22 de março de 2018, em Brasília, o FAMA 2018, e seu lema é: “Água é um direito, não mercadoria”
Em plena "crise hídrica" que castiga a população do DF, é escandaloso que mais de 50 MILHÕES DE EUROS ou 200 MILHÕES DE REAIS de dinheiro público* sejam desviados para bancar um fórum de corporações, que querem transformar nossa água em mercadoria e objeto de lucro [fonte da informação]

Já o FAMA visa a inclusão de todo o povo, e tem recursos limitados captados de doações voluntárias, movimentos sociais e ambientais, sindicatos.
São 748 milhões de pessoas sem acesso a fontes confiáveis de água potável no mundo, mais de 2,5 bilhões sem saneamento básico, e cerca de 1,5 milhão de crianças menores de cinco anos mortas todos os anos por doenças relacionadas à potabilidade da água e à precariedade dos serviços de saneamento básico, segundo dados da ONU.

Tentaram enganar a população apontando a privatização como solução, mas ficou comprovado o fracasso mesmo no centro do grande capital. Entre as grandes capitais que acabaram com privatização do saneamento, destaca-se Berlim e Paris (França), berço das poderosas Empresas Multinacionais Suez e Veolia, que dominam o mercado da água no mundo.

Como você vê a solução para o problema da água?

A solução para falta de saneamento que precariza e mata a população pobre é muito mais simples do que se imagina. O mundo precisa investir apenas 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) global de 2010 durante cinco anos, para universalizar o acesso à água tratada e ao saneamento, segundo o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento de Recursos Hídricos 2015.

Entretanto, a aparente solução fácil esbarra nos interesses do Capital e sua elite, que não passa de 1% da população, mas detém riqueza acumulada superior à dos 99% restantes.

Não existe interesse em investir na melhoria da gestão da água e serviços de saneamento, porque isso significa redução da pobreza e o crescimento econômico, para maioria da população, com a melhoria dos serviços de saúde e redução das despesas com doenças. Isso não é visto pela elite mundial como algo vantajoso e que gere lucro fácil e vultuoso.

Assim, pelo direito universal ao saneamento, saúde e vida digna da população, e fundamental que o saneamento seja público e de qualidade, controlado socialmente e orientado para os interesses da maioria da população, e não geração de lucros, que é intrínseca ao Capitalismo.

Confira campanha em defesa do companheiro do Sindágua perseguido pelo governo do GDF:




Comentários

Comentar