AGRONEGÓCIO

Agronegócio impede passagem de moradores na Bahia

terça-feira 19 de dezembro de 2017| Edição do dia

A empresa Estrondo, empresa composta por 22 companhias de monocultura de milho, soja, algodão e outros, cercou áreas e está impedindo que moradores das regiões no interior da Bahia se utilizem de suas terras para o gado e outras atividades. Para andar pelas terras, é necessário dar o nome, RG e percurso a ser percorrido.

Além disso, os moradores relatam a violência por parte dos seguranças da empresa Estrondo. Muitos moradores sofrem ameaças e há relatos diretos de violência contra os moradores. Ednaldo Lopes Leite, de 32 anos, ousou desafiar o megaempreendimento que se expande pelas terras de sua família, no interior de Rio Preto na Bahia, em novembro deste ano.

O que o agricultor fez foi pastorear o seu gado por uma estrada pública em que o acesso foi fechado pela Estrondo sem ordem judicial. Enquanto pastoreava o seu gado, funcionários da empresa se aproximaram por meio de um veículo e mandaram que deixasse o local, caso contrário atirariam. Ednaldo enfrentou os funcionários e de fato houve disparos, mas não o acertaram. Ednaldo foi com uma advogada para a delegacia, mas não conseguiu registrar boletim de ocorrência porque o sistema estava fora do ar.

Há dois anos atrás, o agricultor e seu irmão tentaram impedir a construção de uma cerca por parte da empresa e foram algemados e colocados dentro de uma caminhonete em que ficaram por horas. Isso ocorreu em Cachoeira, uma das comunidades em Formosa no Rio Preto. Os irmos nunca tiveram retorno sobre a investigação desde então e a polícia quando procurada não se pronuncia. Ou seja, a polícia trabalha para proteger a propriedade criada e que se torna privada pela empresa Estrondo.

Cercas elétricas e de arame foram instaladas pela empresa em várias comunidades, às vezes nos quintais das casas. As crianças já não podem mais brincar livremente, pois suas famílias têm medo de que algo aconteça. Estradas municipais foram fechadas por funcionários da Estrondo lembrando que sem autorização judicial, o que não tornaria menos grave essa ação. Além disso, abriram novas estradas com guaritas, que ficam ao lado dos portões de ferro e trancados a cadeados. Hoje são sete portões no total, seguranças armados se revezam nessas portarias.
Guilherme Ferreira de Sousa, 60 anos, diz: “Se alguém ficar doente aqui à noite é obrigado a morrer, porque eles não deixam passar”. A comunidade de Guilherme teve todas as suas saídas fechadas pela Estrondo. Em cada parada, todos precisam apresentar documento de identidade, o caminho que será percorrido, o destino final e a data de regresso. Quem não dá as informações, não passa.

Em nota, a Prefeitura de Formosa informou ter conhecimento da situação, mas não disse há quanto tempo - algumas vias estão fechadas há mais de cinco anos, segundo moradores. Disse que a Procuradoria Geral municipal foi acionada “a fim de garantir o direito de ir e vir das comunidades dos Gerais do Rio Preto, bem como a segurança dos moradores.”

“Sabe quando você sente que vai conseguir melhorar um pouquinho de vida? A Estrondo veio e tirou isso da gente", diz Sabino Batista Gomes, de 47 anos. Os moradores da região são indígenas e descendentes de escravos. O etnocídio e o racismo continuam persistentes e são parte da estrutura desse sistema que avança contra as populações originárias. As nossas vidas valem mais que os lucros deles e não podemos permitir que famílias percam suas terras e seu modo de vida para o capitalismo.

Informações do site: http://reporterbrasil.org.br/estrondo/




Tópicos relacionados

Capitalismo   /    Bahia   /    Agronegócio

Comentários

Comentar