Política

PACOTE DE ATAQUES DE BOLSONARO

Agrado aos patrões e demagogia com a juventude: governo quer isentar em 30% encargos trabalhistas

Governo Bolsonaro vai dar mais um "agradinho" aos patrões garantindo que cortar em 30% os encargos trabalhistas de empresas que empregarem jovens e pessoas com mais de 55 anos. Por trás desta demagogia de "crescimento de empregos" está a meta de fazer com que a juventude e os trabalhadores paguem pela crise capitalista.

terça-feira 29 de outubro| Edição do dia

O governo Bolsonaro, após aprovada a reforma da previdência, segue elaborando um pacote de ataques contra os trabalhadores brasileiros. Agora, o governo planeja cortar em 30% os encargos trabalhistas de empresas que empregarem jovens entre 18 e 29 anos e pessoas com idade acima de 55 anos.

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Sendo os jovens atualmente parte substancial dos milhares de desempregados no Brasil, esta medida do governo Bolsonaro antes de ser uma "preocupação" com esta situação é uma forma de dar aos patrões um subsídio, afrouxando ainda mais as regras trabalhistas e impondo condições de trabalho ainda mais precárias.


Filas quilométricas de desempregados tomam o país. A demagogia de Bolsonaro se esbarra com a realidade de que as reformas vem sendo incapazes de diminuir o desemprego. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

Este corte, que pode durar até dois anos de acordo com o projeto, permite que o patrão abata o pagamento de impostos destinados aos direitos legítimos dos trabalhadores como contribuição previdenciária, do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), salário-educação e contribuições do Sistema S (que reúne instituições como Sesc, Senai e Senac).

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O que a mídia burguesa e o governo propagandeiam como uma "medida para ajudar" jovens ingressarem no mercado de trabalho, na realidade nada mais é do que as declarações de Bolsonaro tomando corpo via medidas deste governo, como por exemplo, de que seria necessário escolher ter emprego ou direitos.

Esta medida é parte de um conjunto de ataques, o verdadeiro "pacote da miséria" que Bolsonaro quer impor à juventude e aos trabalhadores no Brasil. Somada à reforma trabalhista e seu aprofundamento, bem como a reforma da previdência recém-aprovada, este governo avança com projetos neoliberais para fazer com que a classe trabalhadora pague pela crise capitalista.

Desemprego: quem vai pagar pela crise, os patrões ou a juventude e os trabalhadores?

O Brasil tem hoje uma massa de 12,6 milhões de pessoas em situação de desemprego, como aponta o IBGE. Junto à esses números que crescem à passos largos, avança também os trabalhados informais, intermitentes e temporários. Desde a aprovação da reforma trabalhista pelo golpista Michel Temer, os trabalhadores e a juventude brasileira se vê desempregada e sem direitos.

A resposta que Bolsonaro e os governos de direita querem oferecer em diversos países do mundo é impor uma série de medidas e ajustes neoliberais, dizimando direitos, precarizando ainda mais as condições de trabalho, diminuindo salários, para garantir o lucro dos capitalistas em meio a crise capitalista que completa mais de 10 anos.

As reformas, que a cada dia tornam-se "obsoletas", surgem com novas e mais violentas medidas para fazer com que sejam os trabalhadores que paguem pela crise que os capitalistas criaram. É necessário enfrentar este projeto de futuro miserável, que avança para aumentar ainda mais a exploração dos trabalhadores em prol do lucro dos capitalistas.

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Assim, a diminuição das vagas de emprego e o aumento da massa de desempregados, garante que os patrões mantenham seus lucros, aumentando ainda mais a taxa de exploração sobre aqueles que encontram-se empregados.

Nesse sentido, para responder o dilema do desemprego é necessário batalhar pela divisão das horas de trabalho entre todos os trabalhadores, com escalas móveis nas quais cada um possa trabalhar um pouco, sem redução de salários.

Medidas como essa, que atacassem o lucro dos patrões diretamente, devem ser impostas pela força dos trabalhadores e da juventude organizada, com um plano de lutas capaz de impor que os capitalistas paguem pela crise econômica.

Os chilenos, que seguem em luta incessante contra o governo de Piñera, denunciam a falência destes projetos neoliberais que querem fazer sangrar cada gota dos trabalhadores para manter os lucros da patronal. É preciso depositar as forças nas ruas, no terreno da luta de classes, se inspirando nos chilenos contra Piñera, para impor uma saída para a crise que não nos imponha trabalhar ou ter direitos, trabalhar até morrer ou morrer até trabalhar.




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