Estado/Igreja

Agora o lenço laranja: surge a campanha pela separação da Igreja e do Estado

Neste final de semana, depois que as atrizes Verónica Llinás e Catherine Fulop participaram do programa Podemos hablar (Podemos Falar), que o lenço laranja despertou o interesse. Onde e por que surge?

terça-feira 24 de julho| Edição do dia

Neste sábado, Verónica Llinás e Catherine Fulop participaram do programa Podemos Hablar, na Telefe (emissora de televisão Argentina). Ambas são reconhecidas por seu apoio à luta pelo direito ao aborto livre, seguro e gratuito. Mas elas também usavam lenços laranja. Llinás disse que "este é um estado Laico. Não somente é uma discussão econômica (para as quantias que o Estado destina à igreja, NdR). A Igreja tem uma grande influência nas decisões dos governantes".

O lenço laranja, que está sendo usado pelas atrizes e centenas de jovens, ganhou força nos últimos meses e se espalhou nas redes sociais no calor da maré verde pelo #AbortoLegalYa na Argentina. Por exemplo, em uma página do Facebook chamado Campanha Federal para a Separação Estado/Igreja.

Há também lenços pretos, pois tem um setor da campanha que escolheu essa cor já que o laranja foi usado pela Igreja Católica para se opor à Lei do Casamento Igualitário, uma batalha que ela chamou de "A Guerra de Deus" e que perdeu .

No início deste ano, o chefe de gabinete aargentino, Marcos Peña, revelou que o salário de um bispo é de mais de 40 mil pesos, dependendo do caso, o que gerou muita repercussão nacional. Estes estão garantidos pela Lei 21.950 sancionada em março de 1979, que obriga o Estado a pagar um salário aos bispos equivalente a 80% da remuneração de um juiz de primeira instância. Mas esse regulamento foi apoiado pelos governos posteriores.

Há também "contribuições indiretas", relacionados com todo tipo de isenções fiscais, subsídios para escolas e colégios confessionais, e uma herança gigantesca em edifícios públicos cedidos por diferentes governos.

Os deputados da Frente de Esquerda, Nicolás del Caño e Nathalia González Seligra, insistem novamente neste ano, após as declarações de Peña, com um projeto de lei que propõe a revogação dos decretos e leis que garantem o financiamento da Igreja.

O consigna educação sexual para decidir, contraceptivos para não abortar e o aborto legal para não morrer é fundamental, se trata não somente de aprender sobre contracepção e camisinha, mas de uma lei transversal que aponta ao exercício de uma sexualidade não heteronormativa, para reconhecer e compreender o prazer e para todas essas coisas se precisa de orçamento. Esse orçamento pode ser os milhões que cobram a cúria¹.

O consigna pela separação da Igreja do Estado foi forte em 13 de junho e começa a se espalhar entre milhares de mulheres e jovens.




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