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RACISMO E TRABALHO

Advogado negro barrado em boate sofre racismo ao ser “confundido” com segurança

Vanessa Oliveira

Professora do ABC

segunda-feira 17 de julho| Edição do dia

(Foto: Arquivo Pessoal)

Semana passada um advogado negro foi barrado em uma boate em Curitiba, por vestir uma camisa preta e a gravata da mesma cor, pois segundo um funcionário do estabelecimento que o barrou, a roupa poderia ser confundida facilmente como a de um segurança, e que as pessoas poderiam solicitar seus serviços dentro do bar.

Juliano Trevisan, 27 anos disse em entrevista à Folha que se retirou do local a partir da fala do funcionário e que “sua ficha caiu” minutos depois do ocorrido. Em casa, ele postou nas redes sociais o que aconteceu, e em nota o Bar (James Bar) informou que foi uma atitude arbitrária e que o fato não condiz com a politica do estabelecimento, o pedido de desculpas veio seguido da demissão do funcionário.

Este fato apenas é mais um de milhares que o ocorrem diariamente no país que acredita no mito da democracia racial, onde os negros sempre são lembrados por atuarem nos trabalhos mais precarizados e informais.

Ao ser confundido como segurança Juliano se torna a prova viva de como o trabalho precarizado tem cor no Brasil, pois segundo dados (Ipea 2015) as vagas de emprego com carteira assinada estão destinadas quase que em 50% para trabalhadores brancos, enquanto os negros se concentram em trabalhos informais, sem carteira assinada ou como autônomos.

Nesta lógica um negro com roupa social certamente é segurança, e jamais advogado. E mesmo diante de um possível ascenso num pequeno período onde poucas politicas públicas foram instituídas para equiparar as diferenças entre brancos e negros, os piores postos de trabalho, os trabalhos sem instabilidade e com maior rotatividade, ainda pertencem aos trabalhadores negros.

Quando se trata de cargos mais elevados os dados ainda pioram, pois segundo o instituto Ethos em sua mais recente publicação 2016, os negros concentram-se nos níveis de aprendiz ( 57,5%), estagiário (28,8%) e trainee (58,2%), porém quando essa participação no mundo empresarial passa ao nível de gerência ela caiu para 6,3% se tratando de trabalhadores negros neste posto, ou seja ainda perpetuam nas condições de servir.

No Brasil, assim como no mundo, o racismo, é fator estrutural para a perpetuação das péssimas condições de trabalho e de vida para a população negra. E fatos como este, apenas apontam com os negros são vistos pela sociedade, e como os estereótipos racistas se fazem presentes no cotidiano brasileiro.




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