Sociedade

VIOLÊNCIA POLICIAL

Adolescente morre baleado na Maré e informações oficiais se contradizem

Adolescente de 13 anos morre em confronto policial no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta terça-feira. Segundo informações da página Maré vive, o Coronel Major Blaz, porta voz da PM, se contradisse ao comentar sobre a operação.

terça-feira 6 de fevereiro| Edição do dia

IMAGEM: DefesaNet

Na tarde de terça-feira (6), por volta das 16 horas, uma denúncia até agora não confirmada de sequestro de policiais no Complexo da Maré, recebida pela Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, iniciou uma operação policial na comunidade que resultou na morte de Jeremias, morador da favela. O adolescente ficou ferido e foi levado para o hospital, mas não resistiu.

O confronto fechou importantes vias da cidade, como a Linha Amarela e a Avenida Brasil. A Secretaria de Segurança do Estado, no entanto, nega que houve operação no local. O sequestro também não foi confirmado.

A cada duas horas, uma pessoa é baleada no Rio de Janeiro, segundo dados da Globo. A cidade está militarizada e convive diariamente com a presença, nas ruas e periferias, de polícias e exército fortemente armados. Nas violentas operações revistam até mesmo crianças (link).

Em entrevista à TV Globo, a mãe de Jeremias, a auxiliar de serviços gerais Vânia Moraes, afirmou que o filho foi atingido quando voltava de um futebol.

" Toda vez que volta às aulas na comunidade é isso. Volta às aulas, começa operação. Parece que eles combinam. Meu filho de 13 anos, servo do senhor, um menino de ouro, estava aprendendo a tocar violão. Eu tinha cinco filhos, senhor, agora só tenho quatro", disse ela, emocionada, na porta do Hospital Souza Aguiar.

Jeremias foi, infelizmente, assim como Maria Eduarda e muitas outras, mais uma vítima desse sistema que reserva às crianças pobres a não escolha, o roubo da infância e do futuro pelas mãos da polícia dentro das favelas. Com a justificativa de proteção e combate ao tráfico, ela invade a moradia das pessoas, para, na verdade, seguir defendendo os interesses dos governantes e a conservação desse sistema desumanizador.

Segundo a Página Maré Vive, a polícia deu duas versões acerca das crianças baleadas:

"O Major Blaz, porta voz da PM, fez a misancene habitual e disse que a policia não estava operando na NH na hora que a criança (que veio a óbito) foi atingida. Mas depois ele se contradiz dizendo que o caveirão estava na localidade pra cobrir uma chamada do 190 e "encontrou" a criança que foi baleada, fazendo os primeiros socorros e encaminhando para os bombeiros."

Veja aqui a íntegra a denuncia.




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