Educação

RETORNO ÀS AULAS EM SP

Adicional de Doria e Rossieli para comprar retorno às aulas é chamado de adicional da morte

Enquanto o estado carrega o maior número de mortes no Brasil, o governador de SP e seu secretário querem comprar os professores através de um adicional para impor um plano de retorno às aulas sem a menor condição sanitária, isso enquanto grande parte da comunidade escolar se opõe. Basta de Doria e Rossieli jogarem com nossas vidas para satisfazer os patrões! Que através da reativação dos conselhos escolares, possamos nos organizar por comissões que imponham um efetivo plano de retorno em prol de nossas vidas e não dos lucros dos capitalistas.

quarta-feira 2 de setembro| Edição do dia

Foto de Jorge William - Agência O Globo

Dia 01/09, em publicação no Diário Oficial, a Secretaria de Educação do Estado de SP reafirmou sua decisão de reabertura das escolas públicas e privadas para o dia 8 de setembro. Com um protocolo que todos nós sabemos ser insuficiente para conter o contágio da COVID, o estado quer forçar o retorno às atividade escolares, mesmo o estado de SP sendo onde mais pessoas morrem por dia.

Como eles dizem, estamos no momento em um platô que começa a apresentar quedas no número de infectados e mortes pelo coronavírus, mas isso não deixa de lado o fato de que seguimos perdendo vidas, chegando a mais de 30 mil mortes só em São Paulo. Agora o governo joga com a ideia de que através da flexibilização, as cidades vão chegando a um patamar onde o contágio pode ser mais facilmente contido. Com um protocolo de testes nas crianças, jovens e funcionários, Doria quer fazer demagogia de que se importa com as nossas vidas, mas ainda lá no início da pandemia não garantiu teste para ninguém até chegarmos agora onde estamos.

Para comprar os educadores, Doria e seu aliado Rossieli prometem um adicional para aqueles que retornarem às atividades que seriam, por hora, somente de reforço, além do intuito de abrir as escolas para os alunos sem acesso à internet poderem utilizar as salas de informática (quando essas existem nas unidades). Mas o verdadeiro intuito dessa flexibilização é usar dos alunos que mais possuem dificuldades de aprendizado, ou que não possuem acesso à internet (a maioria), ou dos que os pais não têm com quem deixar – para ver onde chegaremos com o número de novos casos e óbitos com essa pequena reabertura das escolas. Só que estamos falando de vidas senhores governador e secretário. Vidas de crianças, jovens e seus familiares que fazem parte da classe social que mais morreu em decorrência dessa pandemia devido a desigualdade social e o descaso do governo.

O secretário Rossieli chora na frente das câmeras dizendo estar preocupado com o psicológico dos alunos que estão sem aulas, mas não chora para as vidas que estão sendo perdidas e de que a depressão que hoje um aluno pode ter não está ligada a falta de escola em si, mas sim pela precariedade que o seu governo junto aos seus aliados impõe à classe trabalhadora e à juventude. Que sonhos um jovem hoje pode ter em um país com um governo que pouco se importa com suas vidas, seus direitos, seus sonhos?

Além disso, eles se utilizam do fato de que pelo menos 35 mil professores categoria O e eventuais - que estão sem aulas atribuídas - estão sem receber salário ou auxílio do governo federal, para jogarem com nossas vidas pagando para nos arriscarmos. Não é por menos que esse adicional está sendo chamado de “auxílio funeral”, “roleta russa da morte”, “adicional da morte”, etc. Brincam tanto com nossas vidas, que em meio a pandemia, decidem aumentar o pagamento dos atendimentos do IAMSPE (hospital do servidor público). Para aqueles educadores que são de grupo de risco, se protegem contra processos e dizem que estes precisam assinar um termo de responsabilidade, ou seja, se morrerem será culpa deles e não do governo que impôs as saídas ou morre de COVID ou morre sem dinheiro.

Rossieli aparece em canais falando sobre o preparo que o estado está providenciando para as escolas, mas o que tem chegado é o contrário, de que poucas escolas receberam algo até agora, sendo que muitas estão na verdade gastando suas verbas para comprarem itens de limpeza para responder à essa pressão que o governo agora está aplicando pela reabertura. Dizem que isso ocorrerá através da escolha da comunidade escolar, e muitas estão efetivamente optando pela não reabertura agora em setembro. Mas como se dará isso em outubro, quando o governo já vem deixando aberta a ideia de que irá promover um retorno obrigatório?

O objetivo de Doria e seu aliado Rossieli é jogarem com nossas vidas para responderem ao mercado do qual fazem parte. Todos nós sabemos que as escolas não possuem condições de retornarem de maneira segura. No discurso falam de preocupação, mas na prática, não oferecem ferramentas para os trabalhadores da educação trabalharem e para os jovens poderem estudar de maneira digna. Nunca se importaram e não será agora que vamos confiar nesse governo. Tanto não se importam, inclusive com os professores, que com o retorno irão impor uma jornada presencial e também à distância, sendo que os professores já estão sobrecarregados com as burocracias impostas a eles durante esse EAD.

Por isso, nós, comunidades escolares, precisamos reativar nossos conselhos pela não reabertura das escolas, pela liberação remunerada dos trabalhadores que seguem trabalhando sem necessidade, pelo pagamento de uma jornada de 24 aulas para os professores sem aulas atribuídas e pelo pagamento de um salário para os terceirizados que fazem parte da comunidade escolar. Além disso, é preciso usarmos os conselhos para organizarmos comissões que debatam sobre um retorno seguro, que privilegie nossas vidas e não os lucros dos capitalistas e seu governo. Fazemos assim um chamado também ao nosso sindicato, para que rompa com a paralisia ou a luta descentralizada, para que a nossa instância sindical atue para a organização da base, juntamente com todos os trabalhadores da educação, alunos e seus familiares, para impormos uma saída que seja em prol da vida e segurança de todos.

Veja aqui: Não à reabertura das escolas! Por um plano emergencial imposto pelas comunidades escolares!




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