RACISMO E ATO ANTI-SINDICAL NA USP

Acusada de racismo, USP alega que diretor do Sintusp não é negro

Contrariando o Estatuto da Igualdade Racial, a Universidade de São Paulo agora quer definir quem é negro e quem não é.

segunda-feira 14 de dezembro de 2015| Edição do dia

A Reitoria da USP está processando o trabalhador negro e diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP Marcello Pablito, reconhecido militante da luta contra o racismo e a opressão ao povo negro, é também diretor da Secretaria de Negros e Combate ao Racismo do Sintusp. Autor dos livros "Questão negra, marxismo e classe operária no Brasil", neste mês lançou a publicação "A revolução e o negro", no qual assina o prólogo. Para saber mais sobre o caso, clique aqui.

Na próxima terça-feira, dia 15/12 haverá audiência no Fórum Trabalhista da Barra Funda como parte do processo contra Marcello Pablito. O que chama a atenção é que ao ser acusada de ação anti-sindical e racismo, em sua defesa, a Reitoria da USP alega que Pablito não é negro, portanto ela, a Reitoria, não poderia ser acusada de racismo. A Reitoria também alega que Pablito não parece atuar em defesa dos negros: “o servidor não comprovou atuar de forma tão relevante na causa da igualdade racial. Nas redes sociais não há documento que comprove a participação na luta pela igualdade racial. Não é combativo, esforçado e dirigente o suficiente na questão racial", segundo a defesa da Reitoria. Ou seja, a USP além de considerar que pode definir quem é negro ou não, também se alça na localização de quem pode determinar quem é combativo ou dirigente o suficiente na questão racial.

Não bastasse isso, a Reitoria pratica algo abolido em nosso país desde o fim da ditadura militar, pois o Estado brasileiro reconhece como critério a autodeclaração dos negros para definir sua identidade racial. Na prática a USP se recusa a reconhecer o Estatuto da Igualdade Racial, que foi aprovado como lei desde 2010 e onde lê-se que:

Parágrafo único. Para efeito deste Estatuto, considera-se:
IV - população negra: o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, conforme o quesito cor ou raça usado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou que adotam autodefinição análoga; (LEI Nº 12.288, DE 20 DE JULHO DE 2010.

O Sindicato dos Trabalhadores da USP chama todos os trabalhadores e trabalhadoras da USP, os estudantes, professores, centros acadêmicos, Diretório Central dos Estudantes, CSP-Conlutas, movimento negro e outros sindicatos a se somar na defesa do companheiro Marcello Pablito e do companheiro Zelito, também processado. Dia 15 de dezembro às 13h horas haverá uma Audiência de Instrução do caso de Marcelo Pablito. Haverá um ato-vígilia neste dia.

15/12 às 13hs ATO VIGILIA CONTRA A PERSEGUIÇÃO POLITICA E O RACISMO NA USP
NO FÓRUM TRABALHISTA DA BARRA FUNDA (Av. Marquês de São Vicente, 235)




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