Política

ELEIÇÕES 2018

Acusação de racismo e agressões contra codeputado da Bancada Ativista marcam diplomação de SP

A extrema direita já começa seu show de horror. Ontem durante a cerimônia de diplomação, Jesus dos Santos, integrante da Bancada Ativista, do PSOL, subiu ao palco no momento da diplomação e foi impedido de ali continuar por seguranças e pelo deputado federal eleito, Alexandre Frota (PSL).

quarta-feira 19 de dezembro de 2018| Edição do dia

Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo

O que o TRE alega é que não houve acordo para que todos os integrantes da Bancada subissem ao palco, ao que Jesus dos Santos rebate, afirmando ao Esquerda Diário que “O TRE falar que precisa de um acordo para estivéssemos coletivamente eu não entendo, já que faz parte da práxis das diplomações que os deputados levem assessores para tirar fotos, anteriormente, já teve até a presença de pets. Nós comunicamos o que pretendíamos fazer. Para ser bem sincero, eu estou assustado até agora”.

O parlamentar foi agarrado e puxado à força para fora do palco. Debaixo de gritos da platéia de "fascistas não passarão", misturaram-se diversas outras vozes, em direta ofensiva contra Jesus. “Claro que foi racismo! Eu fui o único homem negro a ter acesso àquele espaço, acesso este que me foi negado, sem que eu tivesse direito de responder o que eu estava fazendo ali. Fui agredido. Ouvi tanto de parlamentares diplomados como da platéia injúrias raciais. Isso se posterga inclusive agora na internet, com xingamentos como ‘macaco’”. E completa ainda: ”É uma dor muito grande. Acho que ninguém gostaria de estar numa situação dessa”.

Além dos seguranças, o deputado federal eleito Alexandre Frota (PSL) também impediu Jesus de se juntar aos demais parlamentares e segundo Jesus, o agrediu com uma joelhada. O presidente do TRE negou que houvesse acordo para que todos subissem ao palco. O desembargador também repreendeu a atitude de Jesus. “Quem entrou no palco desobedecendo as ordens age com violência”, afirmou. “Se é que é para pertencer à coletividade, nós temos que dar exemplo e agir de acordo com aquilo que estava preestabelecido.”

Monica, codeputada eleita da Bancada Ativista, disse que já havia um acordo prévio com o TRE para que a chapa coletiva recebesse o diploma com os nove integrantes juntos no palco. Jesus dos Santos, segundo a deputada eleita, teria sido o único barrado por um dos seguranças e por Frota. Houve a paralisação da cerimônia por cerca de 20 minutos. Policiais militares, jornalistas e demais participantes subiram ao palco.

Frota logo disparou: “As pessoas estão sendo homenageadas, estão sendo diplomadas, não dá para ter atos como esse tipo de bandido, de pular no palco e criar esse tipo de situação. Comigo não se cria, vai ser daí para frente. Eu não sei se é uma mostra de oposição não, mas é errada, no dia em que as pessoas todas, inclusive partidos de oposição e partidos de situação, estão todos juntos recebendo os seus diplomas. Então a gente não pode aceitar que um sujeito desses pule no palco daquela maneira que ele pulou e venha achar que ele irá mandar na festa”, disse à mídia.

Sobre o “pulo” à que Frota se refere, Jesus nos conta que subiu ao palco por aquele lugar somente porque o acesso estaria mais fácil e complementa: “Somente quando eu já estava lá no meio do palco foi que vi o segurança me segurando e daí deu início à confusão toda”.

Depois, questionado sobre o motivo de ter chamado Jesus de "bandido", Frota só fez aumentar ainda mais o absurdo grotesco de tal afirmativa. Disse: "Para mim ele é um bandido. A maneira como ele pulou no palco eu não gostaria que fizesse isso, você gostaria que fizesse isso na sua casa, na sua festa? Não, e eu também não gostei disso aqui, isso é uma festa para aqueles que foram eleitos e não para bandido, para militante de esquerda ficar fazendo e usando da nossa festa para promover os movimentos deles". Obviamente, Frota não está sozinho nessa linha. Eduardo Bolsonaro (PSL) se manifestou sobre a confusão. "As pessoas estão sendo homenageadas, diplomadas, e acontecem atos bandidos como este”, disse.

“Havíamos comunicado ao cerimonial do que pretendíamos! Inclusive por isso nos foi cedido uma localização privilegiada próximo ao palco, além disso a codeputada Mônica Seixas veio até onde estávamos sentados justamente para que ali fossemos receber. Este simbólico de coletividade é muito importante para nós da Bancada Ativista”, ressalta Jesus e reafirma que “o que inclusive baliza toda a nossa solicitação era que já houve diplomação com deputado levando família e filhos”.

É um verdadeiro absurdo que a extrema direita perpetue tais práticas e continue por ecoar discursos homofóbicos, racistas, machistas e racistas. Em sua absurda e infundada luta contra a esquerda, vale-se de mentiras e falácias para rechear toda sua demagogia e descarregar nos trabalhadores, mulheres, jovens, negros e LGBTS seu discurso de ódio mais profundo. Contra isso, é imprescindível que sejamos potentes vozes desde cada local de trabalho e estudo e que nos colequemos intransigentemente na luta contra todo e qualquer ataque dessa abjeta extrema direita e de Bolsonaro.




Tópicos relacionados

PSL   /    Extrema-direita   /    PSOL   /    São Paulo (capital)   /    Política

Comentários

Comentar