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Acordo do MPF com JBS inclui empresa deixar de ser brasileira para virar americana

quinta-feira 18 de maio| Edição do dia

O monopólio de alimentos brasileiro JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, está fazendo de tudo para se mudar do Brasil. Em tempos de crise como atual que colocou a JBS no olho do furacão, envolvendo diretamente o executivo Joesley Batista que em delação premiada denunciou ontem Temer de ter comprado o silêncio de Eduardo Cunha na Lava Jato, parece haver interesses mais profundos para a gigante da alimentação que vão para além da garantia de impunidade para seus executivos. Após a escandalosa denúncia de adulteração em seus produtos e venda de carne estragada, não tenhamos dúvidas de que cada passo dado por esta empresa hoje representa o desespero desenfreado do capital nacional e internacional em dar continuidade à garantia de lucros ao capital financeiro, aos grandes empresários, independente da corrupção desenfreada que existe nessa empresa, ou da baixa qualidade e altos preços dos alimentos que chegam na mesa da população.

A JBS que é uma empresa de capital brasileiro há alguns anos vem tentando transferir sua sede (parcial ou totalmente) para o exterior, sendo que hoje a maior parte das operações do JBS (quase 80%) já estão fora do país. Nos Estados Unidos são 56 fábricas de processamento de carne. No ano passado tentou ir para a Irlanda, mas o BNDES criou empecilhos para isso.

Um dos principais objetivos pelo qual a JBS deseja sair do país é sem dúvida garantir mais lucros do que já vem tendo, pois as empresas querem pagar menos imposto de renda. A importante ligação do BNDES com a JBS faz surgir uma tendência para efetuar um monopólio desta grande empresa a nível mundial muito grande, fazendo-a possuir o domínio sob todo o capital de venda de carnes em um, dois, ou vários países, fazendo com que a concorrência entre as empresas de carne se feche e impedindo as empresas menores de competirem com a JBS.

A corrida para tentar garantir isso envolve um processo de reorganização que levará o grupo a deixar de ser essencialmente brasileiro, para transferir sua sede aos EUA. Essa sede seria então regida pelas leis americanas (e consequentemente os impostos seriam cobrados pelos EUA), e a repatriação de lucros não viria para o Brasil neste caso, mas sim para a cede nos EUA. O dono vai continuar sendo Joesley, que aliás já se encontra nos Estados Unidos, gozando de sua liberdade em troca do pagamento de R$ 250 milhões, e sem ter que se preocupar com nenhum processo judicial.

Além da imunidade de Joesley Batista, portanto, o que está em jogo é transformar uma das maiores global players brasileiras, com o aval do próprio Ministério Público brasileiro que tem cooperado para transferir esta empresa brasileira para os EUA, deixando milhares de trabalhadores no Brasil sem empregos e aumentando o custo da alimentação no país. Uma outra forma de garantir que os capitalistas tenham a uma só vez favorecimento econômico, e impunidade. Por essas e por outras questões, que se torna essencial abrir um caminho pela via da mobilização dos trabalhadores e do povo para que a crise seja paga pelos capitalistas.




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