Sociedade

LEGALIZAÇÃO DA MACONHA

Aconteceu a Marcha da Maconha em São José dos Campos!

Evandro Nogueira

São José dos Campos

terça-feira 5 de julho de 2016| Edição do dia

O movimento foi organizado por um grupo de jovens trabalhadores, estudantes e organizações da esquerda. Em seu trajeto cerca de 100 pessoas percorremos as principais ruas comerciais do centro da cidade, além do terminal rodoviário central, buscando o diálogo com a população sobre a legalização dessa planta. Nossas palavras de ordem denunciavam as mortes de jovens vítimas da guerra da polícia contra o tráfico, “se você acha que a maconha mata, a maconha não mata não, quem mata é a polícia, a rota e o caveirão”, e também defendiam o direito ao uso livre recreativo.

Enquanto a manifestação passava pelo calçadão comercial, jovens trabalhadores acenavam em apoio, outros dançavam embalados pelas palavras de ordem e até mesmo uma loja de artigos de som trocou a trilha imediatamente para algo contextualizado com o movimento político. Ao passar próximo às obras do centro da cidade também recebemos apoio dos operários que trabalhavam ali. Embora não tenha sido um movimento massivo, a pauta da legalização se mostrou de amplo alcance democrático em distintos setores da população.

Após a marcha ainda fizemos uma grande roda de discussão na principal praça da cidade, debatendo as contradições da proibição, como prisões e mortes ligadas ao tráfico, mas também os diversos usos que a cannabis possibilita, no campo medicinal e em muitos outros como na produção de tecido, plástico e tijolos biodegradáveis.

A luta pela legalização e a perspectiva anticapitalista

Existe um amplo arsenal de pesquisas científicas a respeito dos diversos usos da cannabis que já permitiria sua aplicação, mas a indústria do jeans, a indústria do cimento, do plástico e, sobretudo, a indústria química, especialmente os setores da produção de remédios, tem grandes interesses em jogo para serem ativos defensores da proibição dessa planta – pelo menos enquanto não conseguem modificar alguma molécula que possam patentear. É preciso compreender que dentro do capitalismo, uma sociedade baseada na competição pela maior taxa de lucro (que é fruto da exploração), os diversos aspectos de desenvolvimento da humanidade, como a ciência, a cultura e a moral, estarão sempre submetidos a essa competição – além da própria luta de classes.

É verdade que em diversos países a legalização avançou e por mais restritiva que seja ainda parece um cenário melhor do que a simples proibição que vivemos. Contudo, em nenhum desses casos a planta é totalmente liberada, tal como a natureza fornece, para ser feito qualquer uso dela, medicinal ou recreativo. O controle que existe é justamente para que o uso a ser feito não se desenvolve ao ponto de se chocar com aqueles interesses de grandes monopólios. A mais avançada das legalizações que existe não nos permite desfrutar nem da metade dos amplíssimos potenciais dessa planta para nossa sociedade. Desse ponto de vista, não é possível separar uma luta consequente pela completa liberdade de cultivo e de uso da maconha sem se chocar com interesses capitalistas.

Não é só sobre a proibição da maconha que o capitalismo demonstra total irracionalidade, isso é nítido em diversos aspectos da nossa vida, as crises econômicas, a fome no mundo enquanto a produção de alimentos daria para todos, e muitos outros exemplos. Esse sistema atravanca o desenvolvimento da humanidade porque nele, enquanto não estiver assegurada a taxa de lucro para um determinado grupo dominante, por mais eficiente que seja a utilização de determinado produto novo (ou nova técnica), não será aceito facilmente.

Foi com essas ideias que participei do debate e das atividades de construção dessa manifestação, vendo de perto as contradições como a falta de espaços da juventude para se reunir e promover debates e atividades culturais ligados à causa da legalização da maconha, por exemplo. Apesar disso, várias atividades foram realizadas como exibição de vídeos para fomentar debates e oficinas de zine para a divulgação das ideias sobre a legalização e estêncil de camisetas. Em São José dos Campos, apesar da divulgação prévia feita a respeito da marcha, nenhuma figura política reconhecida na cidade se pronunciou sobre a manifestação.


Todas as fotos são de Régis Philippe

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