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CORONAVÍRUS

Acontece absurda reunião para decidir pelo encarceramento em containers na pandemia

Tal como eram os navios negreiros: está em andamento desde as 10h a reunião do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) para decidir sobre o encarceramento em contêiners da enorme e negra população carcerária no Brasil. Mais uma medida desumana, racista, e que não corresponde com medidas de segurança sanitária.

sexta-feira 15 de maio| Edição do dia

Neste momento está sendo transmitida ao vivo no canal do Ministério da Justiça e da Segurança Pública a reunião que impede a participação de qualquer representante de entidades de direitos humanos ou afins, mas decide sobre a vida – a morte, melhor dizendo – de grande parte da população carcerária no Brasil, que é majoritariamente negra e da qual 40% sequer foi julgada. Ao invés de testar os presidiários e fornecer condições sanitárias dignas para essas pessoas, a proposta do ministério agora liderado pelo ministro “terrivelmente evangélico” de Bolsonaro, é coloca-los em containers, abafados, como mercadorias, como eram os navios negreiros.

Leia também: Editorial MRT – Após 132 anos da abolição da escravidão no Brasil, Covid-19 promove devastação nos países de maioria negra

O Estado brasileiro, racista em seu DNA, encarcera a população pobre e negra grande parte das vezes arbitrariamente, como fez com Rafael Braga. Nas favelas, policiais milicianos assassinam a juventude e plantam falsas provas de envolvimento com crimes, em nome de aumentar o controle coercitivo sobre uma população que já estava desolada antes mesmo da pandemia. Não precisa ser comunista para se chocar e solidarizar com a situação de presidiários e presidiárias, inclusive grávidas, que escrevem cartas emocionantes para suas famílias se despedindo, sem perspectiva de sobreviver ao Covid-19 em celas superlotadas.

A situação de uma mãe que tem um filho preso, possivelmente sem que hajam provas de seus supostos crimes, e que sabe que nunca mais pode vê-lo, sem se despedir ou ao menos enterrar seu corpo, é o retrato de muitas mulheres negras que além de tudo também são vítimas da falta de testes, máscaras, álcool em gel, licença remunerada e, caso adoeça, leitos e respiradores. Não é possível não se revoltar frente à proposta que escancara a face até hoje escravocrata da elite brasileira e de seu regime.

Como já dissemos neste portal: “O presos vivem amontoados em celas minúsculas, sem condição a uma alimentação adequada, com precárias condições de saúde e sanitária, sem testes e condições adequadas para garantir a saúde dos detentos, as prisões na América Latina podem vir a ser grandes focos de contaminação, registrando milhares de mortes e infectados. Tudo isso porque no capitalismo, as vidas das pessoas que vêm de estratos pobres da sociedade, se são negros e imigrantes, não valem de nada, há a necessidade de garantir testes para todos os presos, medidas adequadas de higiene e saúde para que se possa evitar mais contaminações.”




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