Educação

GREVE TRABALHADORES DA UNICAMP

Ações dos funcionários no hospital e no COLE marcam dia de greve

Nesta manhã, o CAISM (Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti) foi trancado por cerca de uma hora, como ação da greve dos funcionários da UNICAMP, que também realizaram ato pela universidade e intervieram na 20º Edição do Congresso de Leitura do Brasil (COLE), colocando no centro suas reivindicações por reajuste e isonomia, mas também se somando à campanha contra as punições aos lutadores que os unifica com a greve estudantil.

terça-feira 12 de julho de 2016| Edição do dia

Nesta manhã, o CAISM não abriu em seu horário de costume. Em um contexto em que os cortes, que também foram o estopim da histórica mobilização estudantil, afetam profundamente o trabalho na universidade e precarizam o Hospital das Clínicas e os serviços da saúde em geral, já que, dos 40 milhões de reais cortados, 10 milhões são do Hospital, os funcionários da UNICAMP, em greve há quase dois meses, têm discutido com centralidade a necessidade de repensarmos o orçamento da universidade e mostrado que isso se dará apenas com um enfrentamento com sua estrutura de poder. A campanha do reitor, Tadeu Jorge, na época em que assumiu foi considerada “progressista” e “do diálogo”, e uma de suas principais promessas dizia respeito à garantia de isonomia aos funcionários – equiparação salarial em relação aos funcionários da USP. Não só não cumpriu o prometido, como tem tratado a greve desse setor com ainda mais intransigência do que lidou com a mobilização estudantil.

Nesta semana, saiu uma nota assinada pela Reitoria na qual marca uma reunião com os funcionários, disposta a debater sua greve, mas já adianta que existe uma crise orçamentária e que a “negociação” terá de girar em torno de soluções que não firam os gastos já estipulados. Vale lembrar, é claro, de todos os anos em que as contas da UNICAMP são recusadas pelo Tribunal de Contas da União, pela presença de salários que ultrapassam o teto estipulado pelo salário do governador e pelas chamadas “duplas matrículas” – pessoas que recebem mais de um salário. Ou seja, enquanto o CRUESP (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) oferece 3% de reajuste aos funcionários e docentes das universidades, quando a inflação ultrapassa 10%, o reitor da UNICAMP ganha mais de 50 mil reais.

Neste contexto, atrasar o funcionamento do CAISM foi uma medida simbólica dos que se colocam em luta em defesa da saúde e da educação, contra os processos de precarização do serviço público que, não nos enganemos, abrem portas para a privatização. Além disso, sabemos que a saúde é uma porta de diálogo importante com a população, pois é o serviço oferecido que de fato lhe atende – e não à toa é o mais atacado. O conhecimento produzido nos Institutos da UNICAMP muitas vezes se volta às empresas e tem sua produção restrita pela ausência de cotas raciais e pelo próprio filtro que é o vestibular.

O ato que foi seguido de uma intervenção no COLE trazia faixas que se posicionavam contra o reajuste de apenas 3%, o governo Temer e também as punições contra os lutadores. Todas essas discussões por trás das pautas dos funcionários e também os eixos que pautam a mobilização estudantil – cotas, permanência e moradia – podem levar a um questionamento profundo do caráter de classe da universidade. As intervenções no COLE dos trabalhadores e estudantes diziam respeito à luta por outro projeto de universidade – e a resposta que a “reitoria do diálogo” e dos supersalários reserva aos lutadores.

Estamos em um momento da greve em que cada vez mais a unificação dos setores em luta se coloca como essencial para que arranquemos nossas pautas e disputemos nosso projeto. Os funcionários têm se solidarizado e apoiado ativamente os estudantes desde o início da mobilização. É profunda a percepção de que, por mais “progressistas” que sejam as campanhas, as reitorias são parte de uma burocracia que serve à outra classe social – portanto, nossas inimigas. Ao mesmo tempo, precisamos saber identificar e agir em unidade com nossos aliados, pois o conteúdo e as ferramentas da nossa luta estão ligadas e são as mesmas.

Precisamos, juntos, pressionar a reitoria para que negocie as pautas dos funcionários e fortalecer nossa campanha contra as punições, sendo que já existe uma sindicância em curso. No momento da mobilização em que estamos, é fundamental que adotemos ações conjuntas que aprofundem o diálogo com a população sobre a necessidade da nossa luta e dispute a opinião pública. Também assim garantiremos que nenhum lutador será punido por questionar e transformar essa universidade elitista e racista!




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