Sociedade

VIOLÊNCIA POLICIAL

Ação covarde de PM deixa costureira com fratura na perna onde necessitou de 13 pinos para correção

Circula nas redes sociais um vídeo gravado no município de Mafra, Santa Catarina, no qual mostra uma ocorrência policial em andamento onde uma mulher já detida por desacato, e sem apresentar resistência, é algemada sob ação violenta, desproporcional e - claramente - não necessária, de um dos seis policiais presentes na filmagem. A mulher detida é Silvana de Souza, 39, costureira. Trabalhadora.

quarta-feira 11 de março| Edição do dia

O fato ocorreu no bairro do Novo Horizonte do município localizado no planalto norte do estado e a 310 km de Florianópolis (SC) no dia 19 de fevereiro, mas as filmagens viralizaram somente agora. Segundo a PM, em nota divulgada sob o protocolo SADE 5506052, o fato se deu devido a um motociclista que fugiu de uma blitz no bairro Jardim América e se escondeu nos fundos de uma casa, mas foi detido pelos policiais. “Nesse momento vários vizinhos se aproximaram e passarão a ameaçar de agressão física os policiais caso tentassem levar o detido e a motocicleta” O relato ainda aponta que uma “pessoa, de posse de um facão foi na direção dos policiais militares que utilizaram gás de pimenta” e que “várias outras pessoas, de posse de pedações de madeira, ferro e pedras ainda ameaçavam os policiais militares”. Após isso, a situação foi controlada e segue-se os acontecimentos do vídeo que viralizou, assim segue a nota da PM.

Tal relato não pode ser deixado como despercebido. Pois, num segundo vídeo produzido pela câmera tática instalada na farda de um dos policiais não evidencia o trecho acima, onde a nota justifica o uso do gás, pois um dos moradores do local deixou “claro o intento de investir contra a vida dos policiais militares”. E neste vídeo, gerado pela PM, Silvana de Souza também não demonstra nenhum indicativo físico contrário à sua condução até a viatura para ser detida. A nota ainda minimiza a situação vivenciada pela costureira apontado que sofreu “ferimentos superficiais no nariz, bem como, suspeita de fratura na perna esquerda”. Atente-se para como esta colocação é destituída de sentido.

O ocorrido foi dia 19 de fevereiro; a nota foi emitida posteriormente ao episódio, e somente, devido a viralização do vídeo; um editorial da região, Notícias do Dia, divulgou ontem (10/03/20) que a mulher teve a perna quebra, com fraturas “na fíbula e na tíbia, além de uma ruptura no tendão”, assim descreveu um familiar; o editorial também divulga fotos, cedidas por familiares, das lesões na face e na perna “onde realizou uma cirurgia para a colocação de 13 pinos” e que ainda deverá faz outra cirurgia devido a ruptura. Já passados vinte dias da ocorrência, pós consulta médica da vítima, como pôde a PM, em nota, apontar tal lesão - ocasionada por um de seus agentes - como suspeita de fratura? Não fazendo, menção alguma a situação presente, ao dolo causado a Silvana, a real vítima, a sua família? Nenhuma retratação? É estarrecedor isto ter viralizado após dois dias do 8 de março.

Este tipo de narrativa, após uma ação policial que finaliza com vítimas, muitas vezes fatais, já é bastante comum nos bairros pobres e nas periferias de muitas cidades pelo país. Uma inversão dos papeis, no qual se constrói uma explanação que faz as vítimas serem as vilãs. E isto é usado de maneira tão corriqueiro nos acontecimentos envolvendo polícias, que aparenta ser algo institucionalizado: uma ferramenta de combate ao crime. Diante do vídeo, em um noticiário online, um internauta postou: a covardia veste farda. Para se entender de onde vem essa covardia, essa truculência descabida é preciso se entender de onde e quando nasceu a polícia no Brasil, coisa que este artigo pode esclarecer alguns pontos: Quando vamos falar sobre a polícia?




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