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Abuso: a dura realidade das crianças imigrantes

São sobreviventes de uma travessia mortal. Deveriam brincar, ir à escola, fazer suas tarefas. Mas o mundo real é outro: são vítimas de todo tipo de abuso, segundo documentou o Associated Press.

sábado 30 de janeiro de 2016| Edição do dia

Fugiram da América Central: da fome, dos carteis do narcotráfico, da guerra entre facções. Ao contrário do pequeno Aylan Kurdi, o menino curdo de 3 anos que morreu afogado em uma praia da Turquia durante a migração para a Europa, milhões de meninos da América Central e do México sobreviveram a perigosas viagens.

Assim estourou a crise das crianças imigrantes que não acompanhadas chegaram entre 2014 e 2015, nos EUA. Segundo denúncia em meios de comunicação como Proceso e Sin Embargo, sobre estas meninas e meninos, os oficiais da patrulha de fronteira exerceram distintos tipos de abuso.

O conhecimento desses fatos se tornou público a partir do caso de um agente que golpeou um menino mexicano dentro de uma cela em um centro de detenção de Nogales. Quantos casos nunca se tornam públicos?

Além disso, desde outubro de 2013, o Departamento de Saúde e Asistência Social se dedicou a alojar mais de 89 mil garotos em lares adotivos. Mas, segundo uma investigação da Associated Press (AP), não existe nenhum tipo de controle das pessoas que os recebem e muito menos há acompanhamento posterior. Quer dizer que não existe registro com dados sérios de quem adota as crianças.

A barbárie gera mais barbárie: foram denunciados casos de abuso sexual, de maltratos, de cárcere, de escravidão infantil.

Isso é, em grande parte, resultado da política de deportação e terror que se desenvolveu nos sete anos do governo de Barack Obama. Segundo novos informes, o número de pessoas deportadas durante ambas as administrações alcançou mais de 3 milhões. Em muitos casos, essas deportações implicaram na separação de famílias, perda de emprego e miséria para que ficou em solo estadunidense.

Se somou a isso a abertura dos centros de detenção de imigrantes, em que numerosos imigrantes, homens, mulheres e crianças, permanecem encarcerados em condições de superlotação.

Enquanto isso, Obama lançou suas medidas que dariam um breve respiro a uns 5 milhões de pessoas com permissões temporárias de trabalho e de moradia no gigante do norte, enquanto outros 6 milhões estariam à mercê das redes de deportação. Estas medidas, freadas pelo partido republicano, serão avaliadas pela Corte Suprema de Justiça, que dará sua sentença em Junho.

A comunidade imigrante não pode esperar absolutamente nada nem do partido democrata nem do republicano, fora as compaixões hipócritas na melhor hipótese, como uma forma de atrair o voto latino para as eleições presidenciais que acontecerão esse ano.

Somente a unidade com a comunidade afroamericana, que enfrenta a violência policial, com trabalhadoras e trabalhadores que lutam por salário a 15 dólares/hora e com a juventude que expressou sua solidariedade diante do desaparecimento dos 43 normalistas de Ayotzinapa, pode levar os imigrantes a conquistar plenos direitos trabalhistas, sociais e políticos, assim como o livre trânsito pelos países da região.




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