Educação

PRECARIZAÇÃO DOS PROFESSORES

Absurdo: professores eventuais do Estado de São Paulo estão sem salário em meio a pandemia

Cerca de 35 mil professores Estado de São Paulo estão desde março sem salário, enquanto o secretário da educação acumula três cargos no Estado e acumula rendimento líquido mensal de mais de 26 mil reais

quarta-feira 24 de junho| Edição do dia

É escandalosa a negligência que o governo do Estado de São Paulo coloca os professores eventuais. Esses professores têm os contratos de trabalho mais precários, substituem os professores efetivos ou estáveis que faltam diariamente, seja porque estão doentes ou porque tem que levar os filhos ao médico, etc. Ainda assim, esses professores não são considerados trabalhadores por Dória, tendo as piores condições de trabalho.

Como não tem aula presencial, os professores não estão entrando em sala e não estão recebendo. Para este o governo do Estado de São Paulo que todos os dias aparece em coletiva de imprensa dizendo que está combatendo o coronavírus uma verdadeira falácia, frente às recentes estimativas que falam em mais de 1 milhão de casos em SP. Enquanto isso sequer citam esses profissionais, que hoje estão sem salários e não podem nem recorrer ao auxílio emergencial, porque tem contrato aberto e são considerados funcionários públicos.

Como muitos sabem ser professor no Brasil não é nada fácil, somos chefiados por ministros e secretários da educação que não dão a mínima para a nossa existência, nos enchendo de burocracias educacionais, seja com ou sem pandemia, com salários que beiram a miséria.

Tudo isso resulta que os professores são os profissionais que mais se adoecem em São Paulo e o que acontece com as aulas desses professores? Bem, nas Escolas do Estado de São Paulo vão para os professores eventuais, profissionais esses que são contratados por um determinado tempo, atualmente são quatro anos, recebem de acordo com a quantidade de aulas que lecionam, ou seja, nos dias que não tem aula não recebem.

E em tempos de aulas remotas, como ficam esses professores? Aquí está o grande problema: não ficam. Não estão recebendo nada. O último salário foi referente ao mês de março. O secretário Rossieli, alega que não possui como pagar, pois não está tendo falta de professores. Simples só criarem um “jeitinho” parecido com o qual ele consegue acumular três cargos no Estado de São Paulo, dois deles com rendimentos acima de R$ 6 000,00 (seis mil reais), o primeiro na Companhia de Seguros do Estado de São Paulo, o segundo na Companhia Paulista de Obras e Serviços e como Secretário da Educação com salário de R$ 20 000,00 (vinte mil reais), o rendimento líquido de Rossieli é de R$ 26.311,15.

Para piorar ainda mais a situação dos professores eventuais não podem pegar o auxílio emergencial, já que Bolsonaro também não incluiu os professores eventuais no auxílio emergencial, virando as costas para esses professores. Doria e Bolsonaro não se diferenciam em nada quando se trata dos planos econômicos. Se Bolsonaro fala abertamente que "é só uma gripezinha e que a economia não pode parar", Dória e Rossieli, que fazem um discurso em defesa da vida, na verdade deixam milhares de professores sem recurso algum em suas casas. Para esses profissionais, as opções são: morrer infectado pelo vírus ou morrer de fome.

Os professores eventuais estão a deriva contando com a solidariedade de familiares, amigos e colegas de trabalho. Fora os que estão saindo para fazer bicos que não tem nada a ver com a profissão e estão se expondo. Muitos estão trabalhando como Uber ou entregadores de aplicativo. O desmonte da escola pública e precarização da categoria tem como resultado, em tempos de pandemia, essa desigualdade de direitos que busca colocar a vida do professores que não são efetivos em direção ao matadouro.

A Apeoesp, por sua vez, para além de pedir para o governo que esses professores, recebam o auxílio emergencial, que como todos sabem não dá para sustentar uma família, até agora não deu nenhuma batalha em defesa do salário minimamente digno para esses professores. Exigimos o rápido pagamento de seu salário bem como a efetivação de todos os professores eventuais sem necessidade de concurso público, para que assim como os professores efetivos também possam ter seus direitos assegurados.




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