Sociedade

Absurdo: Servidores do RJ seguem sem salários e precisam de doações de alimentos

terça-feira 18 de julho| Edição do dia

Os servidores estaduais ativos e inativos do Rio de Janeiro, que vem enfrentando atrasos no recebimento de seus salários desde 2015, com os salários de abril e maio deste ano ainda sendo parcelados, estão sendo obrigados a recorrer a doações de cestas básicas para garantir a sobrevivência de suas famílias.

No último sábado, dia 15, cerca de 500 cestas básicas foram distribuídas para os servidores. A quantidade de cestas foi insuficiente, e hoje (18/07) muitos já estavam desde as 5h da manhã na fila para tentar receber uma das 300 cestas que foram distribuídas. No final de 2016, cerca de 300 cestas básicas foram arrecadadas e distribuídas pelo MUSPE (Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais) antes do Natal.

Os servidores denunciam a falta de pagamento há três meses e atrasos do 13º salário de 2016. Muitos tem se endividado com contas básicas, realizado empréstimos no banco e procurado outros serviços como bico. Para os juízes do Tribunal de Justiça do Rio (que não tiveram seus salários atrasados), toda essa situação é um “mero aborrecimento”, e o governador Pezão, hipocritamente, pede desculpas pelos atrasos, com a coragem de afirmar que está recebendo seu salário no mesmo dia que os funcionários da UERJ.

O governo alega crise econômica e endividamento do estado para justificar o atraso e o parcelamento dos salários, bem como uma série de medidas de sucateamento dos serviços públicos. Mas ao mesmo tempo, perdoa dívidas bilionárias de empresários, como denunciamos aqui, cujo valor em menos de dez anos é quase cem vezes maior do que o orçamento destinado ao pagamento dos trabalhadores estaduais. O governo, junto com os empresários e o poder judiciário, quer descarregar a crise nas costas dos trabalhadores. É absurdo que os servidores tenham que depender de doações de cesta básica para não passar fome e que toda essa situação seja mantida e aprofundada no Rio, enquanto os privilégios dos políticos e os lucros dos empresários seguem intactos.

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