Política

COVID-19 E IMIGRANTES

Abandonados pela embaixada e vítimas da ganância das empresas, 180 colombianos vivem no aeroporto de Guarulhos

Cerca de 180 colombianos estão acampanando no aeroporto de Guarulhos, alguns a mais de 12 dias, devido a recusa da embaixada Colombiana de garantir um vôo de repatriação, e vitimas da ganancia capitalista, onde cada passagem aérea custa de 2.300 a 2.500 reais, uma valor impossível de pagar para uma pessoa desempregada e sem recursos.

segunda-feira 25 de maio| Edição do dia

Somado ao abandono absurdo e desumano no qual adultos, crianças e bebes de colo são obrigados a permanecer por dias em um aeroporto, um local com alta possibilidade de contágio do COVID-19, sem recursos para higiene e alimentação, muitas dessas pessoas foram obrigadas a voltar aos seus países devido ao desemprego no Brasil resultado da própria pandemia.

Essas pessoas que estão acampadas pedem que o governo da Colômbia, por meio da embaixada, organize um vôo de repatriação, sem que as passagens sejam cobradas, ou por via de um avião da Força Aérea. Contudo a opção oferecida até agora, é a de passagens ao custo de US$ 420 a US$ 460 (R$ 2.300 a R$ 2.500), ou seja, o abandono completo. E pior, para os que não tinham bilhete comprado e tiveram o vôo cancelado durante a pandemia esta sendo cobrado US$ 140 (R$ 770), quando a companhia aérea deveria remarcar os passageiros sem custo ou ressarcir o dinheiro.

“Eu já nem consigo dormir mais”, diz a engenheira Monica Ramirez, 37. “Deixamos os colchões para as famílias com filhos pequenos e usamos alguns papelões para amortecer o frio do piso.” Monica afirma que veio a turismo e teve seu vôo cancelado, e não conseguiu o ressarcimento da passagem: “o dinheiro acabou, e não conheço ninguém no Brasil, então vim para cá.” Segundo entrevista do Jornal Folha de São Paulo.

Enquanto o Estado Colombiano abandonou essas pessoas e o Brasileiro ignora o problema, as empresas aéreas que tem todas as condições materiais de transportar esses passageiros de volta ao seu país, se isentam desse problema e cobram uma valor altíssimo inalcançável. Essa é a realidade irracional do capitalismo, no qual mesmo havendo as condições tecnológicas e materiais para que as pessoas não ficassem nessa situação, lhes é negado, uma vez que essas condições e riquezas não estão a serviço da população, e sim dos lucros. Se não há como lucrar num vôo, os empresários do setor aéreo preferem manter as pessoas abandonadas e expostas no aeroporto.

No pólo oposto a ganância e individualismo capitalista, os trabalhadores do aeroporto e a população vem tentando ajudar como pode, doando alimentos, ajudando com a higiene e medição de temperatura dos colombianos. O grupo vive à base de doações de brasileiros e da comunidade de imigrantes colombianos no Brasil. “Tem que ser uma marmita para cada duas pessoas, para sobrar para o jantar”, disseram a reportagem da Folha. “O pessoal dos restaurantes do aeroporto nos ajuda, pessoas que nem nos conhecem nos doam comida, leite e fraldas para as crianças. Temos 100% de gratidão pelos brasileiros.”

Quando vemos a situação dos imigrantes - muitas vezes negros e indígenas - é possível ver a face mais cruel do capitalismo mundial e suas políticas racistas e xenofóbicas que na Europa condena os imigrantes a morte na travessia do mediterrâneo ou as prisões nas fronteiras, nos EUA a realidade são as prisões e a revoltante política de dividir as crianças de seus pais as mantendo presas em verdadeiros campos de concentração. Enquanto, hipocritamente, os empresários ligados aos Estados capitalistas usam da mão de obra imigrante para impor uma taxa maior de exploração, quando não, obriga-los a trabalhos escravos. No Brasil sabemos que a mão de obra Boliviana e Colombiana é usada na industria têxtil, com um regime de trabalho semi escravo muitas vezes. Com a pandemia do COVID-19 esse cenário que já era revoltante de absurdo da situação dos imigrantes pelo mundo, piorou drasticamente.




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