Política

FORA INTERVENÇÃO FEDERAL DO RIO

Abaixo a intervenção federal, continuidade do golpe de Temer. Fora as tropas do Rio!

sexta-feira 16 de fevereiro| Edição do dia

FOTO: Domingos Peixoto / Agência O Globo

O golpista Temer, em acordo com Fernando Pezão, acaba de anunciar uma intervenção federal no Rio de Janeiro. Trata-se de uma escalada repressiva sem precedentes em meio às tentativas de aprovação da reforma da previdência. Além disso, Temer busca também emplacar uma medida para reverter sua impopularidade e o grito de ódio entalado na garganta das massas contra os ataques aos direitos dos trabalhadores, que ficou explícita no carnaval. O anúncio da intervenção federal faz com que a votação de qualquer medida provisória fique suspensa, mas como já colocamos aqui não significa que a reforma da previdência não possa ser posta para votar, já que pode ser suspensa no dia e retomada depois, ou que seja possível votar partes da reforma que não exigem emendas constitucionais. Mas é inquestionável que se trata de uma tentativa de Temer de desviar as atenções de sua debilidade nesse terreno, para aparecer como um governo de “mão forte” contra o povo negro e pobre. Com isso a reacionária bancada da bala sai ainda mais favorecida.

Diferente da Garantia de Lei e Ordem (GLO) que estava vigorando no estado do Rio desde o ano passado, e que foi posta em uso 29 vezes entre 2010 e 2017, responsável pelas operações do exército no Rio no último ano, a intervenção decretada hoje por Temer é inédita desde a instauração do regime de 1988. Com ela se institui uma intervenção federal no estado do Rio de Janeiro, com o exército tendo o controle absoluto das forças repressivas, criando ainda uma espécie de governador específico para chefiar a repressão no Rio de Janeiro, a cargo do general Braga Netto. Trata-se de uma intervenção das forças repressivas sobre a política do Rio de Janeiro com poderes imensos, que superam meras operações locais dos militares, que em si já são escandalosas.

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E como se já não bastasse, Temer quer ainda constituir um Ministério para aprimorar a repressão. Com isso a polícia federal, rodoviária federal e todos os aparatos repressivos sairiam da alçada do Ministério da Justiça em direção ao novo Ministério. Pode ocorrer a mudança de mando da polícia federal que atualmente investiga alguns dos já amplamente conhecidos escândalos de corrupção que envolvem Temer. Especula-se que o “Ministério da Bala” ficaria a cargo do general Sergio Etchgoyen, atual ministro de Segurança Institucional do governo golpista vindo de uma longa linhagem de generais com em ditaduras obtida após o golpe de 1964, ou o ex-governador de São Paulo, Antônio Fleury Filho, responsável pelo infame Massacre do Carandiru são os nomes cotados para a pasta, que já anunciam o que está por vir contra de os trabalhadores e o povo negro e pobre.

Num marco de recrudescimento do autoritarismo Judiciário com a condenação sem provas de Lula, agora é a vez de Temer seguir o golpe que lhe colocou ilegitimamente no poder e com isso atacar os direitos democráticos elementares do povo, sob a demagogia falsa de que estaria preocupado com a população que sofre as consequências da decomposição social gerada pela crise. Na verdade Temer, bem como todos os políticos que atuam para perpetuar a situação de miséria da ampla massa dos trabalhadores, busca aprofundar ainda mais a criminalização e a repressão dos pobres e negros, em meio à aprovação de ataques como são as reformas trabalhista e da previdência.

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A crise do estado do Rio de Janeiro, criada pelos capitalistas e alimentada pelos governos que atuam em benefício daqueles, vem sendo descarregada nas costas dos trabalhadores e do povo pobre e negro das maneiras mais brutais. São famílias de trabalhadores destroçadas pela miséria, educadores aposentados ateando fogo em seu próprio corpo por não receberem salários, jovens negros e pobres sem nenhuma perspectiva enquanto aos capitalistas todas as benesses são permitidas, como a concessão de bilionárias isenções fiscais para os que mais lucram, entre inúmeros escândalos. Já para os trabalhadores e o povo pobre do Rio de Janeiro a única resposta que existe é a repressão, miséria, o assassinato de sua juventude pela polícia.

Num estado em que reina a impunidade aos assassinatos cometidos pelos policiais contra o povo trabalhador, em que crianças são mortas dentro de escolas, em que as operações nas comunidades são cada vez mais violentas – como as imagens dos helicópteros da polícia atirando a esmo sobre os moradores do Jacarezinho, ou a violência policial cotidiana na Maré – essa medida autoriza que os policiais e militares atuem ainda mais impunemente, concedendo todo o poder a um general, que não foi votado por ninguém e que não será controlado por ninguém. Não é a toa, portanto, que seja justamente o Rio de Janeiro a plataforma dessa escalada repressiva, que visa na verdade ser um balão de ensaio para todo o país em como lidar com a crise gerada pelos capitalistas, servindo de alerta ou aceitam os ataques ou o futuro do Brasil será como no Rio, na busca por reprimir e atuar preventivamente contra qualquer organização dos trabalhadores e do povo contra as reformas, varrendo o espectro de uma resistência como a que se deu com a greve geral de 28 de abril do ano passado. No entanto a aspiração a resistir aos ataques segue viva, apesar do pacto de imobilismo das centrais sindicais.

Precisamos partir dessas aspirações e organizá-la, para acabar com a trégua das centrais sindicais e exigir uma greve geral em defesa dos nossos direitos como a aposentadoria e pela revogação da reforma trabalhista. Que avance contra os privilégios dos capitalistas e dos políticos. E que agora inclua a exigência pela retirada imediata das tropas do exército do Rio de Janeiro, e a derrubada do decreto de Temer. Ao povo trabalhador do Rio de Janeiro que sofre todos os dias as consequências da decomposição social causada pela crise, é preciso não cair nas ilusões de que a militarização resolverá a situação. É preciso acabar com a guerra aos pobres, em especial aos negros, garantindo a legalização das drogas. Todas essas medidas repressivas estão endereçadas contra nós. Precisamos, por meio de nossa luta, impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana na qual possamos mudar as regras e acabar com esse regime político corrupto, varrendo o autoritarismo que querem usar para nos calar. Somente a resolução da crise capitalista, fazendo com que sejam os capitalistas e os corruptos os que paguem pela crise que criaram, expropriando suas empresas e pondo-as para produzir sob controle dos trabalhadores, pode resolver em profundidade o problema que gera a violência social.

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