Mundo Operário

REFORMA TRABALHISTA

ARGENTINA: O sindicalismo combativo definiu novas medidas de luta contra a reforma trabalhista

Nessa quinta-feira o sindicalismo classista argentino se mobilizou pela manhã, enquanto que pela tarde houve uma nova reunião de coordenação de distintos setores combativos que resolveu se mobilizar no Senado no dia que se trate a lei (possivelmente no dia 23 de novembro) e novamente no dia 6 de dezembro.

sábado 18 de novembro| Edição do dia

Nessa quarta-feira se anunciou um princípio de acordo entre o Governo nacional e a CGT pela reforma trabalhista anti-operária que o macrismo desenhou e planificou como parte de um plano que, junto com a reforma tributária e as mudanças no sistema previdenciário, buscam beneficiar aos grandes empresários e redobrar a exploração e a miséria sobre o povo trabalhador.

Como resposta imediata, nessa quinta-feira, 16, o sindicalismo classista argentino voltou às ruas pela manhã, enquanto que pela tarde se realizou uma nova reunião de distintos setores combativos que votou os passos a seguir para continuar a luta.

Enquanto os burocratas milionários que dirigem a CGT fazem acordos pelas costas dos trabalhadores, e o peronismo, sem o qual não poderiam sair as leis do Congresso, se prepara para votar outra vez junto ao Cambiemos, o sindicalismo combativo se organiza para lutar, sabendo que todas as conquistas que hoje nos querem tirar, foram arrancadas com enormes lutas ao longo da história do movimento operário.

Desde cedo, nessa quinta-feira, 16, trabalhadores da PepsiCo, junto a outros setores combativos, realizaram um corte no cruzamento das avenidas 9 de julho e Corrientes, importantes vias da capital argentina. Essa medida teve forte repercussão nos meios de comunicação e foi impulsionada pelo Movimento de Agrupações Classistas (PTS e independentes), se convertendo em uma importante tribuna para denunciar o acordo que está sendo feito. Foram parte também desse ato alguns referentes da Frente de Esquerda como Nicolás del Caño e Nathalia González Seligra.

Camilo Mones, referente dos trabalhadores da PepsiCo, declarou desde o corte de rua realizado, entre outras importantes definições, que “rechaçamos o pacto da cúpula da CGT com o governo. Exigimos que retirem todos os artigos de uma reforma que ataca os direitos dos trabalhadores”.

Uma nova reunião para coordenar a luta

Pela tarde, na sede da Faculdade de Ciências Sociais (UBA), se realizou uma nova reunião entre distintos setores do sindicalismo combativo para debater e votar novas medidas de luta. A mesma foi continuidade de outra que foi feita na quinta-feira passada na barraca que os trabalhadores da PepsiCo mantém montada frente ao Congresso Nacional.

As resoluções mais importantes da reunião foram se mobilizar no Senado no dia que se trate a lei, que possivelmente será na próxima quinta-feira, 23, assim como também no dia 6 de dezembro, no marco de uma mobilização unitária, como os próximos passos de um plano de luta.

No início da reunião se repartiu aos presentes um rascunho de declaração que serviu de base para a abertura do debate. Depois do encontro, as organizações entrarão em consenso pelo texto final que se fará então público.
A proposta de declaração apresentada partia de denunciar que “o Governo retirou alguns artigos, os mais brutais, que haviam gerado o repúdio massivo dos trabalhadores, como o banco de horas que liquida as horas extras (questão que de todas as formas vão querer impor em negociações dos convênios) ou a computação das horas extras para calcular as indenizações. Mas o novo projeto que foi consenso sustenta pontos como o chamado embranquecimento, em que se indulta os empresários que tiveram trabalhadores sem contrato durante anos, enquanto que os trabalhadores não registrados não poderão reclamar nada e só irão ser reconhecidos em um máximo de 5 anos de aportes para a aposentadoria, ainda que tenham trabalhado toda a vida.
Se mantém o artigo que diz que as indenizações não levarão em conta o bônus em dinheiro para sua liquidação, o qual serve para abaratar as demissões, e se criarão estágios pelo que a juventude irá trabalhar sem direitos e salários de miséria, fora de todo convênio, deixando muito abaixo o salário do conjunto dos trabalhadores e alentando as demissões dos mais antigos”.

Ao mesmo tempo, na reunião se debateu que a reforma trabalhista é um duro ataque que é parte de um plano capitalista de conjunto junto às reformas fiscal e da previdência com as quais, por exemplo, atacam duramente os aposentados condenando-os a viver na miséria. Com as mudanças nos modos de calcular a atualização dos haveres e com a rebaixa nos aportes patronais fazem extensos negócios para os poderosos enquanto nossos avós são abandonados na pobreza.

Com base nessas denúncias, a proposta de declaração sustenta que “repudiamos o acordo anti-operário de Macri e da CGT e denunciamos que o PJ e outros blocos que se autodenominam da oposição, se preparam para votá-lo no Congresso (...). Além disso, os dirigentes das duas CTA rechaçaram a reforma (...), mas não se mobilizaram durante essas semanas cruciais”.
Em relação as resoluções, “seremos parte da mobilização unitária chamada para o dia 6 de dezembro e participaremos com uma coluna do sindicalismo combativo. Mas ao mesmo tempo, chamamos a todos os sindicatos e centrais que se opõem à reforma, as CTA e a Corrente Federal, a convocar de forma urgente um plano de luta que comece com uma paralisação e mobilização (...). Por último, convocamos uma mobilização no Congresso para a quinta-feira, 23 de novembro, em pleno tratamento do projeto no Senado, como também marcharemos com uma coluna desse espaço ante toda convocatória de organizações sindicais que se opõem a essa nefasta lei”.

Foram parte da reunião dirigentes de sindicatos, comissões internas, agrupações classistas e trabalhadoras e trabalhadores de distintos grêmios. Entre eles, referentes da União Ferroviária de Haedo, Ademys (docentes), da oposição nas diretivas de Foetra (telefônicos) e AGTSyP (metrô), da Conadu Histórica e Cicop. Também estiveram representantes das comissões internas das fábricas Mondelez
Victoria, Falcon, Frigorífico Rioplatense, da companhia LATAM e outras empresas aeronáuticas, terceirizados do FFCC Sarmiento, MadyGraf, juntas internas de diversas dependências estatais, dirigentes dos SUTEBA recuperados, Ferroviários, de distintos hospitais, jovens de call center e outros trabalhadores do Comércio, gráficos de distintas empresas, trabalhadores bancários, assim como organizações políticas tais como o PTS (organização-irmã do MRT do Brasil), com a presença de Nicolás del Caño e IS, integrantes da Frente de Esquerda, MST, Novo Mais, Rompendo Cadeias, Opinião Socialista, entre outras (todos nomes traduzidos para o português). Também fez uso da palavra Pablo Viñas pela CSC – Partido Operário.




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