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APPs: Unidade internacional para convocar uma paralisação em 1º de julho

Reunidos em plataforma virtual, trabalhadores de empresas de entrega no Brasil, Argentina, Chile, Costa Rica, México, Guatemala e Equador, organizaram a preparação de uma paralisação internacional no setor de entregadores.

Marcello Pablito

dirigente do MRT e fundador do Quilombo Vermelho

domingo 21 de junho| Edição do dia

A iniciativa surgiu de entregadores de distintas empresas de APP no Brasil, que chamaram uma medida de luta nacional com uma paralisação no dia 1º de julho. O Esquerda Diário, que está prestando solidariedade e apoiando a mobilização, entrou em contato com entregadores e grupos como o Treta no Trampo que estão apoiando o movimento e buscou ajudar na articulação de uma reunião internacional para tentar articular um dia de paralisação internacional dos entregadores em vários países simultaneamente, na mesma data de 1 de julho que os brasileiros votaram.

Além dos brasileiros, que estiveram presentes na reunião com entregadores independentes, Entregadores antifascistas e representantes do coletivo Treta no Trampo, participaram da reunião argentinos que são entregadores independentes e Grupos como La RED, de trabalhadores precários e desempregados, ATR, Glovers Unidos, TDPP, Precarizadxs e Lucha. Também aderiram ao chamado entregadores do Chile e do PTR, da Costa Rica, do México, de Glovers do Equador, da Guatemala.
A reunião avançou com o compromisso de todos os países em organizar as medidas de luta para 1º de julho e impulsionar a paralisação internacional, ações de rua, chamando outros setores dos trabalhadores a apoiarem.

Também discutiram sobre a importância de atravessar fronteiras e mostrar solidariedade com as lutas que os trabalhadores da entrega em todas as partes do mundo estão travando contra empresas como Rappi, Ifood, Uber eats e outras, que precarizam em todo o mundo milhares de trabalhadores expondo-os a condições de trabalho não reconhecidas por nenhuma lei ou regulamento.

Na reunião, se expressou muita raiva pelas condições de trabalho sofridas dia a dia, sendo um setor em permanente exposição durante o trabalho, pelo qual ninguém se faz responsável, tendo inclusive com vários mortos entregadores, em especial na pandemia. Entregadores do México, comprometeram-se a levantar no 1º de julho uma homenagem aos entregadores que foram mortos pela precarização, propondo pendurar caixas e capacetes brancos para lembrá-los e continuar a exigir justiça por eles, questão que foi apoiada por todos na reunião, de fazer homenagens aos entregadores mortos nos protestos de 1 de julho.

As empresas expõem os trabalhadores à pandemia sem fornecer a eles os materiais mínimos para seus cuidados, como máscaras, álcool gel e luvas de látex. Essa falta de cuidado ocorre com todos os "essenciais", como os profissionais de saúde que não realizam testes massivos e são grande parte dos infectados pelo COVID19, que estavam desde o primeiro dia na linha de frente, a serviço dos infectados. Quando se trata de fazer as contas, para os empresários, a vida dos trabalhadores não vale nada. "Se eles mexem com um, mexem com todos", foi o espírito da reunião internacional.

Do Brasil, os que promoveram a reunião reivindicaram a unidade dos trabalhadores e a participação de outros países para organizar a greve internacional. Também houve os que ligaram a luta dos entregadores com a a necessidade de combater Bolsonaro e toda a sua política, que além de atacar os trabalhadores, também está destruindo todo o país, seus recursos naturais, atacando negros e indígenas e permitindo que a polícia massacre o povo pobre.

Na Argentina, os entregadores em assembleia já decidiram, por unanimidade, fazer uma ação no dia 25 para rejeitar o projeto do macrismo de precarizar ainda mais o trabalho dos entregadores, e na reunião debateu-se de que apoiávamos essa luta a partir de todos os demais países presentes.

Para dar força e impulso a esta convocação, propôs-se fazer uma declaração chamando a paralisação internacional em três idiomas (inglês, português e espanhol) para que alcance muitos outros países e a convocação para 1º de julho se torne uma verdadeira "Paralisação Internacional de Entregadores".

Em um contexto internacional de crise sanitária, mas também de uma forte crise econômica que está começando a acontecer, vemos como em muitos países os jovens saem às ruas com o grito de #BlackLivesMatters por um enorme esgotamento com o racismo, xenofobia e a política repressiva de todos os estados.

Neste 1º de julho, temos que estar milhares nas ruas, em apoio aos entregadores, apoiando a partir de todos os setores da classe trabalhadora. Nós do Esquerda Diário e da Rede Internacional de Diários estamos impulsionando uma solidariedade cada vez maior e dedicaremos todas as nossas forças para que este seja um grande dia de luta no Brasil e no mundo, como um marco na luta em defesa de todos os direitos dos entregadores e contra a precarização do trabalho.




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