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CORONAVÍRUS

ABSURDO: Reitoria da UERJ mantém terceirizadas trabalhando na pandemia

Na penúltima sexta feira (13/03), um novo informe (segue tendo suas atualizações, a última realizada em 18/03 e um novo informe ontem -20/03) a respeito dos “critérios de funcionamento para atividades essenciais” frente ao avanço da pandemia do CODVI-19 foi divulgado na plataforma digital da universidade, em que constava as iniciativas da reitoria da UERJ: https://www.uerj.br/noticia/10477/

sexta-feira 20 de março| Edição do dia

Durante o informe contém a seguinte afirmação: “com o intuito de proteger a comunidade universitária, garantindo, ao mesmo tempo, o apoio necessário às suas unidades de saúde, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) definiu os critérios de funcionamento para as atividades consideradas essenciais.”.Porém, é contraditório quando quando tal afirmação não se faz concretizar na realidade, visto que viemos recebendo atuais denúncias dos trabalhadores da universidade em meio a crise que se instala e das medidas tomadas pela reitoria.

A “comunidade universitária” não pode estar por fora de considerar os trabalhadores que fundamentalmente garantem o funcionamento da universidade: as e os trabalhadoras e trabalhadores terceirizadas/ e terceirizados. Que em sua maioria são mulheres negras, seguidos de jovens negros, adultos e até mesmo pessoas mais velhas. A terceirização impacta diretamente na vida de toda a sociedade, e principalmente das trabalhadoras que se sentem na pele e realizam as funções da terceirização, tais trabalhadoras que nessa condição têm suas vidas acompanhada com o peso de jornadas intensas de trabalho, sem equipamentos de segurança fornecido pela própria empresa, salários miseráveis e muita das vezes tendo que lidar com assédios diários por parte de chefes. Inclusive frequentemente passam pelo inadmissível desespero de trabalharem e sobreviverem sem seus pagamentos assim como aconteceu recentemente em dia.

Segue abaixo outras partes do informe em que é contraditório frente as iniciativas tomadas:

“Alunos, servidores técnicos-administrativos e docentes, bem como terceirizados, devem permanecer em suas residências e acompanhar as novas orientações pelos canais oficiais da UERJ. Somente poderão ser executadas presencialmente, e em esquema de rodízio, as atividades administrativas consideradas essenciais e que não possam ser realizadas por meio remoto.

No documento, são consideradas como essenciais as atividades voltadas: ao atendimento de saúde; à gestão de pagamentos a servidores, bolsistas e contratos de manutenção; às compras na área de saúde; à liberação das autorizações e transferências orçamentárias relativas às atividades essenciais; à comunicação com a sociedade e a comunidade interna sobre a conjuntura de saúde atual; à manutenção e suporte na área de TI; ao cumprimento de decisões judiciais e atendimentos a processos eletrônicos; ao atendimento pela Ouvidoria das demandas vinculadas aos serviços essenciais; à limpeza e segurança dos campi universitários.

Segundo as denúncias que viemos recebendo, terceirizados e terceirizadas seguem trabalhando (com escalas de um dia sim e um dia não a partir do início dessa semana) no interior da universidade, mesmo com a universidade “vazia”, sem nem sequer receber orientação e fornecimento de materiais para prevenção da proliferação do vírus, como luvas novas, máscaras, álcool em gel e testes gratuitos para esses trabalhadores. Fazendo com que para além do ambiente de trabalho, estejam colocando seu organismo em contato frequente com ambiente lotado nos transportes coletivos.

Mais contraditório e absurdo ainda são os que esses profissionais estão sendo obrigados a passarem dentro da universidade ao terem que realizar suas funções de trabalho em locais como a reitoria e a prefeitura do campus e por lá passam por assédios: “trata a gente igual lixo, chuta as lixeiras para não termos contato e fala que não, não tem lixo não e chuta a lixeira como se a gente fosse um merda, como se fossemos um nada, pra gente pegar lixo / “É um absurdo o tratamento que o reitor está dando para nós terceirizados: tanto quanto para a limpeza, assessorista, manutenção e outros setores também.”/ “Não existe isso, o funcionário entrar dentro da sala, pra limpar e ser tratado como bicho. É assim que a gente escuta. E o devidos produtos necessários como luva, álcool em gel, pra gente tá usando nesse setores, assim também como outros setores também, então nós queremos reivindicar que somos seres humanos também, nós pegamos conduções lotadas: trem, metrô, ônibus pra poder ir trabalhar e chegar lá e ser tratado dessa maneira. Nós queremos reivindicar nossos direitos, uma posição do reitor, isto não é certo!”

E ainda relataram que o número de funcionários apresentando os sintomas do vírus têm aumentado: mais um funcionário com o vírus (já haviam comunicado a respeito de outros profissionais mas a orientação dada foi que continuassem trabalhando “normal”), trabalhador terceirizado. Até saber dos sintomas, “estava trabalhando de máscara, fez o teste, foi diagnosticado com o coronavírus e agora segue em quarentena, ou seja, tinha tido contato com a UERJ” (afirmou em denúncia anônima) e consequentemente em contato com o restante do corpo profissional!

Seguido com a conclusão do informe:

“Com essas medidas, a UERJ concentra todos os seus esforços para cumprir o seu compromisso com a assistência à saúde da população fluminense e, ao mesmo tempo, protege a sua comunidade universitária.”

Não há “compromisso” e “proteção” à população fluminense e a comunidade universitária sem levar em consideração a vida desses trabalhadores. É absurdo que terceirizados, que já têm suas vidas diariamente colocadas a condições precárias de trabalho sigam nessas condições!

Exigimos que os centros acadêmicos, diretórios centrais dos estudantes, independente da reitoria (órgão burguês que ainda assegura o caráter burguês das universidades públicas), estejam a serviço de organizar os estudantes a defenderem esses trabalhadores. Que sejam garantidas condições segura para esses trabalhadores, como a quarentena, acompanhada de testes gratuitos, materiais de prevenção, com a garantia de não serem demitidos. Que esses trabalhadores, assim como os telemarketings têm dado o exemplo, sejam parte de decidirem as devidas condições de trabalho e até mesmo se seguem e como as escalas de trabalho.

Continuaremos a exigir que os trabalhadores terceirizados, aos quais diariamente cumprem com suas funções sejam efetivados sem a necessidade de concurso, junto com o fim da terceirização. Para isso, damos batalhas cotidianas e buscamos fazer do Esquerda Diário uma ferramenta a contribuir para a unificação da classe trabalhadora do país a um plano de emergência que garanta estabilidade nos empregos, direito de dispensa remunerada imediata a todos os trabalhadores dos grupos de risco ou que apresentem sintomas do coronavírus, contratação imediata de mais trabalhadores para suprir os postos de trabalho ociosos e outras medidas que levantamos aqui.




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