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ABSURDO: Após deixar dois morrerem por COVID, empresa de segurança da USP demite grupo de risco

Adriano Favarin

Representante dos trabalhadores no Conselho Universitário da USP

segunda-feira 1º de junho| Edição do dia

Semana passada a Reitoria da USP publicou no Diário Oficial do Estado uma portaria que reduz em 25% o valor do contrato com as empresas terceirizadas que atuam na Universidade de São Paulo. Essa medida foi denunciada pelo SINTUSP e pelo Esquerda Diário, já que a Reitoria não garantia nenhuma segurança no emprego dos trabalhadores terceirizados dessas empresas.

Como era esperado, os donos dessas empresas, muitos dos quais são vinculados com professores que fazem parte do Conselho Universitário e do próprio establishment da Reitoria, impuseram o custo dessa redução sobre as costas dos trabalhadores e iniciaram uma demissão massiva dos trabalhadores da segurança e do controle de acesso das unidades.

Em meio à uma crise sanitária que afeta a vida de toda a população, os patrões e os administradores das instituições públicas, demonstram mais uma vez que não existe “unidade nacional” no combate à pandemia. Quando o assunto é manter seus lucros, a vida dos trabalhadores pouco importa!

É com esse fundamento do lucro acima das vidas, que a empresa de segurança Albatroz, veio se negando desde o início da pandemia a liberar os trabalhadores do grupo de risco, medida essa que custou a vida de dois trabalhadores com mais de 60 anos que vieram a falecer por COVID, trabalhando na USP. É também esse o fundamento que leva agora que essa mesma empresa esteja demitindo, em primeiro lugar, estes trabalhadores do grupo de risco. Um completo absurdo e uma injustiça sem tamanho contra a vida dos trabalhadores.

Diante da morte destes dois trabalhadores da segurança do MAC e da negativa da Reitoria em tomar medidas centralizadas que exigissem da empresa Albatroz o afastamento remunerado de todos os trabalhadores do grupo de risco, a administração local da Faculdade de Odontologia tomou a decisão correta de afastar os dois trabalhadores com mais de 60 anos para quarentena, sem prejuízo no salário e nem no pagamento da empresa.

Foi com imensa indignação que a comunidade da Odontologia recebeu a informação que, diante da redução de 25% do contrato das empresas terceirizadas, a Albatroz estaria demitindo estes dois trabalhadores que estavam em quarentena. Uma enorme injustiça da Reitoria ao deixar que os donos das empresas terceirizadas punam os trabalhadores que estavam afastados para defender sua saúde e a de sua família com a perda dos seus empregos.

É essa a escolha que Bolsonaro, Dória e o Reitor da USP Prof. Dr. Vahan Agopyan dá para os trabalhadores: seguir trabalhando se expondo ao vírus e ao risco de morrer por COVID-19 ou ficar em quarentena e ser punido com a perda do emprego e o risco de morrer de fome.

Além desse ataque desumano com estes trabalhadores da empresa Albatroz, a empresa Works, que atua na área de controle de acesso, já havia impedido a quarentena de três trabalhadoras lactantes da Faculdade de Odontologia e remanejado elas para trabalharem se expondo sem necessidade no Conjunto Residencial da USP (CRUSP). Agora, diante do corte da Reitoria e da não garantia da segurança do emprego das trabalhadoras, a Works pretende fechar os postos na Faculdade de Odontologia e deixar mais três mães de família com o risco de serem demitidas em meio à essa pandemia.

A violência com que o Estado e os patrões tratam os trabalhadores, pode ser simbolizada pelo assassinato de George Floyd pela polícia dos EUA. Quando não nos asfixiam fisicamente e nos matam com a repressão policial, nos asfixiam com escolhas que nos levam de maneira torturante ao desemprego ou à morte.

O levante de resistência do povo negro nos EUA dizendo um basta pro racismo e pra violência policial, com mobilizações de rua, tem que ser um alento para que aqui no Brasil também nos organizemos para poder dizer um basta a essa política da Reitoria e dos governos que estão asfixiando pouco a pouco nossa classe, colocando nossas vidas em risco no trabalho, sem testes e sem garantia de EPI’s, ou impondo a perda do emprego, a redução salarial, e a miséria para centenas de milhares de famílias.

Não podemos aceitar nenhuma demissão! Temos que lutar pela garantia do emprego, da quarentena e da remuneração completa de todos os trabalhadores. Esses ataques demonstram a urgência da luta pela efetivação imediata dos trabalhadores terceirizados, sem concurso público.




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