Gênero e sexualidade

VIOLÊNCIA NA USP

A voz das Mulheres sobre a violência do dia 7 de março na USP: Isadora de Andrade Guerreiro, mãe da creche

Relato de Isadora de Andrade Guerreiro, mãe da creche, sobre a violência policial sofrida em 7/3 durante manifestação pacífica na USP.

segunda-feira 27 de março de 2017| Edição do dia

A manifestação era pacífica: estávamos ali com as crianças, como sempre fazemos. Mostramos elas aos policiais. Passamos algumas horas ali na frente da reitoria e elas se cansaram. Cerca de 15 minutos depois que saímos, começaram as mensagens.
Nossa professora estava sendo espancada e presa. Mulher, negra, lutadora. Onde estavam as crianças? O que fazer com o filho dela, que estava na escola fora da USP? Assim que a poeira baixou, voltamos. Uma grande rede de mulheres das creches foi acionada e conseguimos os contatos familiares da professora.

Meu filho, de 4 anos, no meu colo, viu a barreira de policiais na frente da reitoria. Viu uma companheira de inúmeras atividades da Ocupação sentada na frente dos policiais. Viu o pai do seu melhor amigo com vergões nas costas, por conta das pancadas que levou simplesmente porque filmava. Ficou com medo. Um medo que se expressava na sua incompreensão do que se passava ali. Se a Reitoria queria fechar a creche e a gente estava protegendo ela, por que os policiais estavam contra a gente? “Por que eles estão com escudos de guerra, mamãe? Não estamos na guerra. Não temos armas para atacar eles... e... eles não deveriam estar do nosso lado?”. Como explicar? “Então eles são os maus, mamãe? Então... quando vão vir os policiais bons para salvar a gente?”. “Não vão vir, filho”. Como explicar o inexplicável?

Isadora de Andrade Guerreiro, mãe da creche, ativista em defesa da Creche Oeste e pós-graduanda na FAU.




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