Gênero e sexualidade

BREQUE DOS APPS

A vida das entregadoras e dos entregadores importam

quarta-feira 1º de julho| Edição do dia

Os entregadores de aplicativos que hoje são um dos setores mais precários da classe trabalhadora e recebem salários irrisórios dependendo do app e da quilometragem rodada. Hoje (1º) estão fazendo um paralisação em vários estados do país e se somando a uma paralisação internacional dos entregadores de apps. O perfil da maioria desses entregadores é de homens, jovens e negros que não conseguem um trabalho com carteira assinada e nesse momento acabam recorrendo ao trabalhar pelos APPs.

Existe uma parcela de entregadores que são mulheres e estão bastante expostas. Em um momento que a crise capitalista se agudiza as mulheres negras são as mais sofrem sendo levadas a realizarem os trabalhos mais precários como a limpeza, em sua maioria terceirizada, que é composta em sua maioria por mulheres negras e recebem abaixo do salário mínimo, assim como o setor de faxina que neste momento de crise sanitária sofrem com as demissões e agora tem que recorrer aos aplicativos para poderem se sustentar. Esse é o futuro que os capitalistas oferecem para as mulheres jovens e negras, um trabalho sem nenhum vínculo empregatício que coloca a vida delas em risco.

Desde o início da pandemia o desemprego vem aumentado muito e a juventude negra e periférica é a primeira a ser atingida pela crise capitalista. Os aplicativos de entrega vem lucrando muito com esta pandemia, desde quando começou o isolamento social e agora mesmo com a reabertura insana do comércio diante de uma crise sanitária que nem chegou ao pico, os entregadores seguem com as extenuantes horas de trabalho, sem direitos trabalhistas e sem direitos à saúde.

Esse serviço de uberização é a face mais cruel do capitalismo. Para além dos motoristas de uber os entregadores trabalham cerca de 14h por dia, seja em cima de uma moto ou pedalando uma bicicleta e recebem taxas miseráveis para fazer esses serviços arriscando suas vidas todos os dias. Os capitalistas querem convencer esses trabalhadores de que eles são empreendedores para assim seguir explorando o máximo que puderem sem pagar nenhum direito trabalhista. O enriquecimento das empresas de aplicativo se dá no Brasil e no mundo explorando de forma brutal esses trabalhadores.

As mulheres são o grupo mais vulnerável nesse cenário. As motoristas de uber ou entregadoras de apps além de serem assediadas ainda ficam horas nas ruas expostas esperando os aplicativos liberarem para que possam fazer as entregas. Muitas não podem sequer ir ao banheiro porque os estabelecimentos não permitem. Além de não terem os materiais necessários para proteção contra o vírus, como álcool gel, porque as empresas não garantem, são essas as condições que é colocada para os entregadores e as mulheres neste cenário são muito mais expostas.

Os apps não tem sede fixa e isso faz com que as mulheres que trabalham neste ramo fiquem expostas e corram risco ainda maiores em uma sociedade profundamente machista. Hoje as mulheres entregadoras de apps aderem a paralisação assim como os homens em busca de melhores condições de trabalho, por mais suporte nas ruas enquanto pedalam para entregar refeições, pelo fim do bloqueio e desligamentos indevidos, pelo aumento do valor das corridas e pacotes e pelo fim do sistema de pontuação. Nesse dia todo apoio e solidariedade a paralisação dos Apps, nossas vidas valem mais que o lucro deles.




Tópicos relacionados

Breque dos apps   /    Entregadores   /    Mulheres   /    Gênero e sexualidade   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar