Política

A verdadeira cara do Movimento Brasil Livre

sábado 25 de junho de 2016| Edição do dia

Na cidade de Vinhedo, a origem do Movimento Brasil Livre está extremamente ligada ao poder que o ex-prefeito, Milton Serafim, do PTB, possui. Eleito quatro vezes prefeito da cidade, Serafim acabou condenado a 32 anos de prisão por receber propina em troca da facilitação de licenças de loteamentos. De acordo com o Tribunal de Contas de São Paulo, até mesmo a famosa festa da uva da cidade apresentou diferença na prestação de contas.

Em abril deste ano, Serafim também foi condenado por envolvimento com a máfia das sanguessugas. Este esquema retirou cerca de 110 milhões de reais dos cofres públicos em desvios de recursos de compra de ambulâncias. Em ambos os casos, ele se diz inocente e vítima de perseguição.

Apesar do prefeito do PTB estar respondendo em liberdade por recebimento de propina na liberação de loteamento na cidade, o mesmo se viu obrigado a renunciar à prefeitura em 2014. Quem assumiu o comando foi o vice, Jaime Cruz, do PSDB. Cruz nunca escondeu sua amizade por Serafim, e afirma que o ex-prefeito é um homem livre para nos comandar. Cruz está sendo investigado num superfaturamento da merenda escolar na cidade.

O atual prefeito tem apoio dos dois fundadores do Movimento Brasil Livre, os irmãos Renan, coordenador nacional, e Alexandre Santos. A dupla costuma frequentar a Câmara dos Vereadores para ameaçar os parlamentares de oposição ao atual prefeito, chegando até insultar a pessoas que façam denúncias a qualquer aliado da atual administração da cidade de Vinhedo.

Outro integrante do MBL é Rubinho Nunes, filho do vereador Rubens Nunes, denunciado por vender produtos falsificados em 2000. Recentemente, Nunes pai comprou um terreno em um dos condomínios mais caros da cidade. Declarou pagar 100 mil reais na área, porém, de acordo com corretores de imóveis da cidade, o terreno custa ao menos um milhão de reais.

Já Rubens Filho é um dos militantes mais ativos do MBL. O Advogado que lançou sua candidatura à prefeitura da cidade pelo PMDB costuma ser bem atuante nas redes sociais, e já teve que prestar depoimento na CPI dos crimes cibernéticos. O deputado federal carioca pelo PSOL, Jean Wyllys, perguntou se ele era sócio do advogado José Luis Gugelmin, autor de pedido de cassação de vereadores que investigam atual administração da cidade.

Por sua vez, os irmãos Santos foram filiados ao PSDB até março de 2015. Vivem em uma ampla casa em um terreno de mil metros quadrados. Segundo a escritura, o imóvel é avaliado em 860 mil reais, muito abaixo do valor estimado por corretores de imóveis locais, que afirma que o valor do imóvel é de 1,5 milhões a 4 milhões de reais. Este imóvel pertence a Stephanie Santos, uma das contribuintes do Movimento Brasil Livre.

O fundador do Jornal, Juliano Gasparini, é acusado de chantagear políticos com reportagens depreciativas e foi condenado por difamar o promotor responsável por investigar a quadrilha de Serafim. Recentemente, Gasparini foi detido com cocaína, porém declarou ser alvo de perseguição.

Estes fatos que vem à tona apenas mostram mais uma vez que o objetivo do Movimento Brasil Livre não é combater a corrupção, mas sim servir de base de sustentação para os golpistas que arquitetaram o golpe institucional para por um governo que imponha ataques com mais força e com mais intensidade contra os trabalhadores do que o governo de Dilma estava fazendo. A verdade também é que o MBL, assim como pretendia Sergio Machado, queria o impeachment para substituir o esquema de corrupção organizado pelo o PT por seus próprios esquemas.

O que acontece em Jundiaí também mostra que a chamada "nova direita" que o Movimento Brasil Livre diz ser é tão corrupta quanto a tradicional direita Brasileira. O Movimento Brasil Livre é corrupto, porque são linha de frente pra defender este regime de suborno e exploração, onde eles e os grandes empresários e banqueiros são beneficiados. Fica claro que o Movimento Brasil Livre quer ser parte deste jogo para poder ganhar um pedaço maior dos esquemas de corrupção.

A grande pergunta que fica é: Onde está o Movimento Brasil Livre com os casos de corrupção envolvendo membros importantes do governo golpista de Michel Temer. O fato é que os "coxinhas" que saíram nas ruas de verde e amarelo estão exatamente agora em seus lares, e não nas ruas, pois os movimentos que articularam os atos em defesa do golpe institucional não têm interesse em pôr abaixo o governo golpista de Michel Temer, pois estão em sua defesa.

E o mais impressionante de tudo isso é que, mesmo depois das declarações de Sergio Machado do PMDB, em São José dos Campos, cidade interior do estado de São Paulo, o MBL está organizando um ato no dia 31/07 pra consolidar o impeachment. Com as denúncias de corrupção que tem envolvimento de membros do governo golpista, fazer um ato pró-impeachment hoje é fazer uma grande manifestação em defesa da impunidade.

Para defender seus políticos corruptos, o Movimento Brasil Livre utiliza de métodos que assustam até mesmo o mais sincero dos democratas. O que só reforça o seu caráter anti-operário e popular, pois se hoje estão nos corredores da Câmara municipal de Vinhedo para impedir que os parlamentares de oposição atuem contra os corruptos para defender os mesmos, quem garante que este movimento não será amanhã tropa de choque da burguesia contra os trabalhadores e demais lutadores que se levantarão.

É preciso combater este movimento golpista, assim como está na ordem do dia derrubar o governo golpista de Michel Temer e seus ajustes. Por isso temos que lutar por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana imposta pela luta dos trabalhadores e demais setores da sociedade, capaz de investigar os casos de corrupção que envolvam o Movimento Brasil Livre, mas certamente envolvendo outros grupos pró-impeachment, e expropriar a fortuna que estes movimentos estão acumulando dia após dia para colocar a serviço da educação, saúde e transporte públicos.




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