Mundo Operário

GREVES NO RS

A unificação das lutas no RS e a necessidade de uma greve geral

Diante das fortes greves no estado do Rio Grande do Sul, urge a necessidade das centrais sindicais convocarem uma grande greve geral no estado e retomar o caminho aberto pelo dia 28 de Abril.

Jones Adriano Gaio

Professor da rede estadual do RS

sexta-feira 6 de outubro| Edição do dia

Vivemos um período de profundos ataques aos direitos mais básicos da classe trabalhadora, com a aprovação da reforma trabalhista, a reforma política e a perspectiva da votação da reforma da previdência nos próximos dias. O aprofundamento dos ataques privatistas e neoliberais são o coroamento do golpe institucional de 2016.

No RS, Sartori e Marchezan são os arquitetos da ofensiva contra os trabalhadores. Para garantir o pagamento da dívida com a união e enriquecer os banqueiros, pretendem implementar o pacote de privatizações e o arrocho salarial. Ao mesmo tempo em que ocorre uma verdadeira ofensiva reacionária do capital, no sentido de despejar a crise sobre as costas dos trabalhadores e da juventude, o “outro lado da moeda” manifesta-se de forma contundente, pois, as lutas de resistência vão ganhando corpo em todo estado. Nesse momento, são inúmeras greves de diversas categorias que vem a cumprir um importante papel no acúmulo de forças e na elevação da consciência de classe dos trabalhadores. Podemos citar a greve dos professores e funcionários da educação no RS, dos garis de POA, da PROCERGS, dos municipários em POA contra Marchezan, técnicos da UFRGS ocupando a reitoria e estudantes em apoio às lutas. Todas elas com muita força, por exemplo: os trabalhadores em educação com cerca de 70% e municipários com 90% de adesão.

A greve dos professores e funcionários da educação avança a cada dia, ganha corpo e transforma-se a cada dia em uma grande causa popular, com amplo apoio da sociedade e com ações espontâneas por parte da comunidade escolar. Sartori, que está contra a parede, já lançou duas cartadas que não conseguiram desmobilizar os grevistas. A ameaça do corte do ponto, bem como a ameaça de demissão dos contratados, foram na verdade um tiro no próprio pé, pois deixou claro para a sociedade que Sartori prefere fazer terrorismo e perseguição política aos trabalhadores do que cobrar os grandes sonegadores e por fim às isenções fiscais dos grandes empresários. A verdade é que alguns poucos grevistas se deixaram abater pelas ameaças, mas a grande maioria reafirmou a convicção de permanecer na greve e o espírito de luta contra Sartori. A luta colocou na ordem do dia novas pautas que transcendem o parcelamento de salários: a pauta da precarização, do assedio moral e da perseguição política aos trabalhadores por “contrato emergencial”, bem como a luta contra o pacote de privatizações. Diante das ameaças de demissões, bandeiras como "nenhum trabalhador contratado a menos" e a "imediata efetivação dos contratados" foram levantadas pelos grevistas.

Nesse sentido é fundamental a organização da defesa dos trabalhadores diante dos ataques, acumulando forças (subjetivas e objetivas). Mas é necessário além da defesa, apontar o caminho para uma grande contra-ofensiva para barrar de uma vez as forças reacionárias. Para isso é necessário uma estratégia conseqüente. Entendemos que os trabalhadores devam levantar nas assembleias de suas categorias a consigna de “agora é hora de retomar o caminho da greve geral!”. É preciso pressionar desde a base as centrais sindicais, como a CUT e a CTB, pela unificação da luta de todas as categorias em greve, no sentido da construção de um grande dia de greve geral que pare todo o RS. Os trabalhadores não podem mais admitir vacilações e boicote por parte das centrais sindicais, como ocorreu na greve geral marcada para o dia 30 de junho. Agora é a hora de convocar essa grande greve geral em todo o estado para derrotar os governos. As lutas em curso mostram que isso é possível.

Os trabalhadores devem tomar a greve em suas mãos e exigir um plano de lutas e de unidade com todas as categorias do estado que deflagaram greve, junto aos estudantes e comunidade. Somente assim, poderemos reverter a relação de forças a favor dos trabalhadores e da juventude e retomar o caminho aberto pelo dia 28 de Abril.

Os trabalhadores estão aprendendo na prática, dia após dia, na escola da luta de classes que é a greve. Dessa forma, todas as greves em curso, estão cumprindo um importante papel histórico e pedagógico para todos nós, criando a consciência de que unidos poderemos vencer as forças reacionárias e botar abaixo os exploradores do povo, pois não é exagero dizer, que em cada greve, há a semente de toda revolução.




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