ATO INTERNACIONAL - BRASIL

"A unidade que precisamos é da classe operária, uma maioria feminina e negra" diz Letícia Parks

Letícia Parks, dirigente do Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT) e do Quilombo Vermelho, representou o Brasil junto com Marcelo Pablito no Ato internacional simultâneo contra o racismo e a violência policial.

sábado 11 de julho| Edição do dia

Com oradores dos Estados Unidos, França e Brasil, e saudações da Grã Bretanha, Alemanha, Chile e Bolívia, o ato ocorreu neste sábado, 11, contra toda forma de racismo e violência policial.

Letícia começou afirmando como os protestos de massas dos Estados Unidos impactaram o Brasil com manifestações contra o governo de Bolsonaro, Mourão e dos militares. Relembrou a situação de todas as mães no Brasil que perdem seus filhos pelas balas da polícia racista, pelo coronavírus, pelo trabalho precário e pela exploração capitalista.

“Gritamos por João Pedro e tantos outros assassinados pela polícia: Vidas Negras importam!”

Sabemos que na pandemia a exploração e opressão se aprofundam muito. No Brasil isso se escancara ao vermos como as mulheres negras estão na linha de frente de combate ao vírus, são as empregadas domésticas como Mirtes que saem para passear com o cachorro da patroa e quando volta encontra o corpo de Miguel, seu filho, morto e estendido no chão por descaso. É impossível falar de racismo e capitalismo sem lembrarmos também da mãe de João Pedro, que teve seu filho morto dentro de sua própria casa pelas mãos da polícia. Ou mesmo de Marielle Franco, mulher negra de esquerda que foi assassinada brutalmente e pela qual seguimos exigindo justiça.

Mas um fato é inegável: se são as mulheres negras as mais expostas, que estão nos piores postos de trabalho, que têm que ver seus filhos mortos por descaso da patroa ou pelas balas da polícia, também serão elas que estarão na linha de frente para dar uma resposta a toda essa miséria. É por todas elas que reivindicamos os atos antirracistas que ocorrem ao redor do mundo.

Letícia afirmou como Bolsonaro é a expressão mais fascista do regime herdeiro do golpe institucional de 2016, articulado pelo poder judiciário aristocrático e racista que organizou operações para mudar governos contra a vontade popular, como vimos com a prisão arbitrária de Lula.

“Um autoritarismo judiciário racista que aprisiona os negros em massa e que veio se fortalecendo nos próprios governos do PT.”

Enquanto isso, o ultra-neoliberal Paulo Guedes está encaminhando privatizações e reformas anti-operárias, o congresso está repleto de partidos que se vendem com regalias policiais racistas que organizam milícias para assassinar jovens negros, criminalizando a pobreza com a desculpa da “guerra às drogas”.

“É por isso que seguimos com toda força exigindo do estado uma investigação independente por justiça para Marielle Franco, vereadora do PSOL negra e lésbica que foi brutalmente assassinada.”

Letícia falou como o regime é tutelado pelas Forças Armadas que seguem impunes desde a ditadura, com Mourão na vice-presidência. Por isso, ressaltou a importância de uma luta para mudar todo o regime apodrecido, batalhando por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que não só mude os jogadores, e sim as regras do jogo. Para isso, Letícia colocou como o impeachment é insuficiente.

Ela citou como batalhamos pela auto-organização da classe trabalhadora para lutar por um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo, um sistema miserável que se utiliza do racismo e do patriarcado para mais precarização, e só oferece miséria para as mulheres e o povo negro.

Ressaltou como as centrais sindicais, em especial o PT através do seu sindicato com a CUT, atuaram para separar separar as lutas e chamar os trabalhadores a ficar em casa por conta da pandemia, mantendo uma trégua com o governo no momento em que entregadores de todo o país se levantaram em uma forte paralisação de milhares de jovens da Rappi, Ifood, UberEats, uma maioria de negros.

Mostrou como essa passividade com o sindicato é uma expressão da política de um partido que abriu espaço pra direita em seus governos começando a implementar planos de ajustes, se aliando com o agronegócio e com a bancada evangélica. Aumentando exponencialmente a terceirização que passou de 4 a 12 milhões nos governos do PT e massacrando o povo do Haiti com as tropas da ONU lideradas pelo Brasil.

No fim, colocou que as frentes amplas que começam a se desenhar juntando até mesmo setores do PSOL com golpistas e empresários já são a mostra de uma
derrota anunciada, e que a unidade que precisamos é da classe operária, uma maioria feminina e negra, lado a lado de nossos irmãos explorados brancos, indígenas, LGBTs e migrantes.

“Como dizia Leon Trotski, pra ser um revolucionário é preciso enxergar a vida com o olhar das mulheres. Neste momento de fúria negra e da brutal violência racista e patriarcal, eu faço um chamado a todos vocês a enxergar a vida com o potente olhar das mulheres negras que em todo mundo, não tem nada a perder a não ser os seus grilhões.”

Pode te interessar também: Letícia Parks: "Mais que nunca é preciso forjar um partido socialista revolucionário e antiburocrático”

Assista a fala de Letícia Parks no ato internacional simultâneo contra o racismo e a violência policial:

Assista na íntegra:




Comentários

Comentar