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A unidade necessária na UFRGS para enfrentar os golpistas e a reitoria

Os estudantes da UFRGS organizaram fortes blocos nos atos contra o golpe em 2016, ocuparam inúmeros cursos na universidade contra a PEC do teto de gastos, e na greve geral de 28 de abril em 2017 estiveram ao lado dos trabalhadores. Frente ao brutal assassinato de Marielle, a continuidade do golpe com a prisão arbitrária de Lula, a intervenção federal no RJ e os ataques à educação pública e às universidades, é necessário unidade para que os estudantes da UFRGS voltem a ser um fator na situação política local.

segunda-feira 16 de abril| Edição do dia

Foto: manifestação contra a PEC do teto de gastos, durante as ocupações de 2016. Guilherme Santos/Sul 21

A gestão do DCE da UFRGS eleita em 2017, dirigida pelo PT e a UJS, se negou a ser uma ferramenta de politização e mobilização dos estudantes. Mesmo com brutais ataques como a aprovação da reforma trabalhista, várias tentativas de aprovação da reforma da previdência e a continuidade do golpe com a prisão arbitrária de Lula e a intervenção federal no RJ, seguiu servindo de auxiliar da reitoria. O assassinato de Marielle chocou o país e também a UFRGS, e nada foi feito pelo DCE para garantir espaços de discussão, reflexão e mobilização em torno do tema. Sequer uma assembleia foi chamada neste último ano de gestão!

Dentro dos portões da universidade o golpe institucional também mostra seus efeitos. Isso se expressa nos cortes nos investimentos, no fim do PIBID, nos ataques às cotas, na falta de assistência estudantil, assim como no número de indeferidos que, a cada ano, só cresce e impede muitos jovens negros, pobres e trabalhadores de entrarem e se manterem na universidade. Com isso fica evidente como o golpe institucional vem servindo no país e na UFRGS para aprofundar e acelerar os ataques que o PT já vinha aplicando.

Para que os estudantes se ergam contra tudo isso e sejam um fator importante na situação política, é necessário unidade na ação. A esquerda, que dirige vários CAs e DAs, e também as organizações que estão fora deles, precisa pressionar o DCE a convocar assembleias e espaços democráticos de discussão dos estudantes. Além disso, tem a responsabilidade de cumprir esse papel nos cursos onde estão. A unidade necessária na UFRGS neste momento precisa ser em torno de ações concretas que contribuam para a discussão e mobilização dos estudantes.

Os DAs e CAs dirigidos pela esquerda nem de longe vem fazendo isso. Não só não convocam assembleias e espaços de discussão e reflexão, como também não fomentam a discussão política nos cursos. Nem os atos que exigiam justiça para Marielle foram amplamente convocados nos cursos, nem a reacionária intervenção federal no RJ, muito menos a escalada autoritária e a prisão arbitrária de Lula não foram motivos para que a esquerda tivesse iniciativa nos cursos em que dirige CAs e DAs. Os ataques na universidade, sentidos diariamente pelos estudantes, também não foram motivo para que convocassem assembleias e discussões.

Essas gestões têm se afastado dos estudantes, assim como a gestão do DCE de 2016 também se afastou e não cumpriu papel nenhum durante o golpe, ficando paralisada pelo apoio de parte das correntes da gestão ao golpe naquele ano (Juntos e PSTU). O exemplo da gestão de 2016 mostra que a unidade puramente eleitoral e com base em um programa mínimo leva à paralisia frente a uma situação política de aguda polarização, onde a atuação decidida de entidades como DCEs e DA’s pode fazer a diferença. Por isso, não defendemos uma unidade meramente eleitoral para estar à frente do aparato, e sim a unidade na ação contra os ataques dos golpistas, da reitoria e dos capitalistas, em torno das lutas que travamos em comum, sem que para isso se tenha que abrir mão das diferenças políticas que existem.

Convocamos os estudantes, assim como também as organizações de esquerda, os DAs, CAs e inclusive o DCE a construir essa unidade prática para ações concretas desde já. São necessárias assembleias nos cursos para abrir a discussão com o conjunto dos estudantes, assim como também uma assembleia geral onde possamos discutir, refletir e deliberar democraticamente.

As eleições do DCE como um grande espaço de debate e politização e o papel da entidades estudantis

As eleições para o DCE que se aproximam, previstas para ocorrer nos dias 21, 22 e 23 de maio, não podem ser impeditivo para a unidade na ação de todas as organizações que se propuserem a lutar contra os governos e a reitoria. Também não pode ser impeditivo para a discussão política na universidade, pelo contrário.

Esse processo eleitoral e a campanha precisa ser um espaço para abrir essas discussões com o conjunto dos estudantes. Além da discussão política nacional, que tem que estar no centro de todo o processo, é necessário também fazer um balanço da gestão de 2017, mostrando ao conjunto dos estudantes que um DCE que se propõe a ser quase uma secretaria da reitoria, numa relação de clientelismo com o reitor que nos ataca, não serve enquanto entidade representativa dos estudantes.

Somente entidades militantes, que se proponham a ser verdadeiras ferramentas de politização, organização e mobilização, podem preparar os estudantes para fazerem a diferença neste contexto de ataques. O sistema capitalista em crise só reserva mais precarização à educação pública, e reserva à juventude um futuro de miséria, de empregos precários e terceirizados, de salários de fome. Historicamente há inúmeros exemplos em que o movimento estudantil e a juventude foram faíscas para a explosão de grandes revoltas sociais.

Em 2018 completam-se 50 anos do maior exemplo deste potencial explosivo e revolucionário do movimento estudantil, o Maio de 68 na França. Naquele momento os estudantes e a juventude, ao lado dos trabalhadores, fizeram tremer este sistema de miséria. Retomando as lições de processos como este, as entidades estudantis podem fazer a diferença e ser parte de erguer os estudantes contra os ataques dos governos, da reitoria e contra este sistema de opressão e exploração.




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