Opinião

SÍRIA

A trégua na Síria em farrapos: Quem é o responsável de seu fracasso?

Apesar de que os Estados Unidos responsabilizam diretamente a Russia do bombardeio contra um comboio de ajuda humanitária, não está comprovado que este foi um ataque russo ou do regime sírio.

Juan Chingo

Paris | @JuanChingoFT

quarta-feira 21 de setembro| Edição do dia

Restos de um comboio de ajuda humanitária Crescente Vermelho bombardeado durante a noite na zona de Aurum al Kubra, no oeste de Alepo.

O certo é que está acusação por parte do Estados Unidos coincide com a situação de que o país estava diplomaticamente na defensiva. Vejamos as suas ações desde que começou o processo de implementação da trégua: negativa de deixar publicas as clausulas do acordo secreto demandado pelos russos e franceses; negativa dos distintos grupos opositores de separar-se da frente Al-Nursa ( atual Frente pela Conquista), até julho passado a filial local da Al Qaeda, como dizia anteriormente o acordo não se fez público, e por último, o bombardeio da coalizão internacional encabeçado pelos Estados Unidos ao aeroporto de Deir Ezzor, onde mais de 60 soldados sírios morreram no sábado passado. Ainda que os EUA afirme que se tratou de um erro é totalmente improvável já que nesse lugar apenas se enfrentavam as tropas sírias e o Estados islâmico, uma vez que o bombardeio dos EUA seguiu a uma ofensiva militar destes.

Na realidade este "erro" foi uma mensagem clara a Russia dos falcões norte americanos, incluindo o chefe do Pentagono, Ashton Carter, que se opuseram ao acordo e se negaram a compartilhar informações sensíveis de inteligencia com a Russia, estando ainda aberto o conflito na Ucrania e uma ofensiva geral dos Estados Unidos contra Moscou.

Esses são os principais feitos que fizeram fracassar a trégua (ainda que nem russos nem norteamericanos a deem por morta oficialmente). A realidade do terreno é que se a guerra voltar é muito provável que o exército Sírio e os russos conquistem Alepo, já que as milícias que combatem Assad ( entre as quais se encontram os Jihadistas Frente de Conquista, uma das organizações mais fortes do campo opositor), estavam perdendo suas posições nesta estratégica cidade antes do acordo entre russos e norte americanos e por isso que Kerry aceitou um cessar fogo julgado desvantajoso por outros setores do stablishment político militar norte americano, para alcançar uma retirada honrosa e preserva-los para futuros combates.

Esta é a perspectiva mais provável já que é difícil que os EUA estejam dispostos a tomar medidas que vão diretamente contra os interesse russos, como declarar uma zona livre de voos ou que a turquia ajude militarmente os jihadistas, já que isto pode provocar um enfrentamento com a Russia que nem o conjunto dos militares nem o publico norte americano, - a semanas das eleições presidenciais- está disposto a aceitar. Mais tendo que aceitar uma derrota frente a Moscou e levando em conta a linguagem fanática de alguns setores em Washington, nada se pode excluir. O bombardeio ao comboio humanitário pode dar a desculpas para uma escalada.




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