Mundo Operário

USP

A tarefa dos trabalhadores da USP frente ao golpe de Temer

quinta-feira 18 de agosto| Edição do dia

Muita gente não quis encarar o fato que a campanha deflagrada e impulsionada pelos setores da direita mais reacionária do país buscava preparar as condições para uma ofensiva contra os direitos, as condições de vida e as liberdades democráticas conquistadas pela classe trabalhadora brasileira em seu último assenso, muito maior e muito mais rápido do que o PT vinha fazendo!

O fato é que alguns setores tiveram uma política que os levou a colaborar diretamente com a política e a estratégia da direita, ao invés de buscar uma política independente, ou seja, uma política capaz de combater e buscar barrar o avanço da direita em ceder um milímetro de trégua ao PT, seu governo e seus planos de ajustes ante operários.

Se esses setores não tiverem a capacidade necessária para admitir seu erro, continuarão a reproduzi-lo, como já estão fazendo, só que agora numa escala ampliada e mais grave que implica em afirmar que nada mudou, que todo continua igual antes e assim deixar de alertar as massas operárias para as novas tarefas ditadas por uma nova conjuntura, uma conjuntura em que a direita se encontra mais fortalecida e muito mais ousada, e fato de ser verdade que foi o próprio PT quem abril espaço para o avanço da direita não vai alterar outro fato mais importante, o fato de que será a classe trabalhadora, a juventude e o povo pobre, os que pagarão a um maior custo as consequências disso.

O golpe construído e desferido com sucesso pela direita estava e está a serviço de preparar as condições politicas para descarregar nas costas da classe trabalhadora, da juventude e do povo pobre, todo o ônus da crise mundial do capitalismo cujos efeitos golpeiam a economia do nosso país com muita força.

Além das reformas previdenciária e trabalhista que tanto falamos está em curso um plano para dar um salto em larga escala no sucateamento e liquidação dos serviços públicos, que não é um ataque apenas ao funcionalismo e sim ao conjunto da classe trabalhadora e do povo pobre pois implicará em menos escolas, hospitais, postos de saúde e menos assistência social, etc.

Em tempos de epidemias de dengue, de H1N1, Zika vírus, bactérias super-resistentes e crescimento vertiginoso de casos de câncer, o fim da gratuidade do SUS, que está em estudo pelo governo golpista de Temer, prepara na verdade um verdadeiro genocídio no país. E as vítimas serão integrantes ou filhos da classe trabalhadora e principalmente os negros.

Mas, o que isso tudo tem a ver com os trabalhadores da USP?

No marco exposto acima, eu creio que estamos vivendo na USP os reflexos dessa mesma conjuntura em que se busca suprimir direitos, conquistas e liberdades democráticas, em que se prepara milhares de demissões como está ocorrendo na Mercedes Benz e na própria USP, entre os terceirizados, uma conjuntura em que se prepara saltos no arrocho salarial, como temos visto acontecer em várias empresas privadas onde sindicatos pelegos fizeram acordos para redução de salários.

Responder a uma conjuntura como essa vai exigir de nós um plano de ação e um programa pra unir as fileiras da nossa classe dentro a muito além dos muros da USP. Que plano e que programa seriam é a discussão que precisamos fazer, pois do jeito que vai corremos o risco de atirar no próprio pé.

Três questões cruciais para as Universidades

1- A transformação de direitos em mercadorias. Entender para poder explicar primeiro pra vanguarda e depois para o conjunto da categoria que a mais de duas décadas, esta em curso no mundo uma politica a serviço da estratégia burguesa e imperialista de transformar direitos como saúde, educação e previdência social em mercadorias a serem comercializada, ou vendidas à quem puder pagar. Essa politica é o sucateamento da educação e da saúde, via redução (cortes de investimentos) de verbas, o que leva a redução do quadro de pessoal através de demissões, ao arrocho salarial do funcionalismo e a queda da qualidade dos serviços, de tal forma que obriga uma enorme parte da população a sacrificar parte da sua renda para pagar planos de saúde privada e escolas particulares para seus filhos na ilusão de isso lhes garanta educação e assistência a saúde de qualidade. No caso da previdência, a politica tem sido a de dificultar o acesso aos benefícios bem como reduzir o valor dos mesmos e assim obrigar as pessoas a contratarem planos de previdência complementar junto a bancos privados. Reverter esse processo exige lutar sem tréguas em defesa da saúde, educação e previdência social publicas como direitos imprescindíveis da classe trabalhadora, exigindo do estado todas as verbas e demais investimentos necessários para assegurar esses direitos. Para nós, isso implica em lutar por mais verbas para a educação incluindo a USP. E pra fazer jus a um maior aporte de verbas, a luta por ela deve se combinar com luta pelo fim do vestibular e acesso garantido ao ensino superior gratuito e de qualidade para todos que concluam o ensino fundamental. Sem isso não teríamos como dialogar com a população que paga os impostos que sustentam essa universidade elitista e racista sem receber em troca praticamente nada, pois até a assistência a saúde, um dos poucos serviços prestados pela universidade à população pobre está sendo suprimida pela atual reitoria.

2- A terceirização. Essa é a maior ameaça que paira sobre os trabalhadores efetivos da USP, bem como os de qualquer outra empresa, publica ou privada. Zago desde que assumiu não para de apontar as universidades de Bolonha e de Toronto como exemplo devido o seu peque numero de trabalhadores efetivos. Mas o que Zago tentava esconder até ser desmascarado por um repórter da Globo News, e que essas duas universidades que ele toma como exemplo tem um numero de funcionários muito maior do que a USP, só que a maioria é terceirizada. O objetivo do Zago, e nisso ele tem apoio de toda a burocracia acadêmica, é demitir a maioria dos trabalhadores efetivos da USP e terceirizar seus postos de trabalho, e assim substituir nossa mão de obra pela dos trabalhadores terceirizados, semiescravos.
Por isso não há como defender os empregos na universidade sem lutar de forma consequente e determinada contra a terceirização. E essa luta só poderemos vencer unindo as forças dos trabalhadores efetivos às forças dos terceirizados, em uma só luta pela incorporação de todos os terceirizados aos quadros da universidades, com iguais salários e iguais direitos e sem a necessidade de concurso publico.

3- A luta em defesa dos serviços públicos, como direitos de toda a classe trabalhadora, só pode ser vitoriosa como parte de uma luta da própria classe para fazer com que os próprios patrões paguem com seus lucros, suas fortunas e com os privilégios e fortunas dos altos funcionários e dos políticos corruptos, todo o ônus de sua própria crise, ou seja, uma luta para que nenhum trabalhador ou trabalhadora fique sem emprego, nenhuma família fique sem alimento, moradia e demais necessidades básicas, para que nenhuma criança, jovem ou adulto sejam privados de seu direito a saúde, educação, aposentadoria e garantias sociais e previdenciárias. Construir essa luta exige uma politica de exigência e denuncias contra as direções das grandes Centrais Sindicais e dos sindicatos pelegos combinada com intensa campanha junto as suas bases sociais, nas portas de fabrica e no interior delas mesmas e demais locais de trabalho, de estudo e de grandes concentrações.




Tópicos relacionados

Golpe institucional   /    Luta contra os ajustes   /    Luta contra ajustes na USP   /    Universidade   /    USP   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar