A repressão da justiça eleitoral à esquerda nessas eleições

Essa campanha eleitoral tem sido marcada por uma série de repressões e arbitrariedades da Justiça eleitoral contra a esquerda. Qual deve ser nossa posição frente a isso?

segunda-feira 17 de setembro| Edição do dia

Nas eleições deste ano a justiça eleitoral tem dedicado uma “atenção especial” a partidos de esquerda como o PSOL. Enquanto nas campanhas dos partidos do regime são registradas várias irregularidades, desde material irregular, caixa 2 e até compra de votos por parte de muitos candidatos, que são totalmente ignoradas pelo TRE, o tratamento dado a esquerda tem sido diferente.

No dia 11 de setembro o TRE-RJ tentou impedir que um comício do Boulos e Tarcísio fosse realizado. O comício acabou ocorrendo, porém sem som e sem palco. No dia 14, invocando uma lei totalmente antidemocrática que proíbe que se façam campanhas políticas em faculdades públicas (como se a universidade não fosse um espaço para as discussões sobre a sociedade), o mesmo TRE invadiu as salas do Diretórios Acadêmico de Serviço Social e de História da UFF Campos, arrombando as portas e os armário e apreendendo matéria, além de obrigar as pessoas a tirar os adesivos, sendo que estudantes não estavam fazendo campanha. Fora isso, há várias denunciais de militantes sendo impedido de fazer campanha por razões totalmente arbitrárias!

Vale lembrar que não é a primeira vez que a justiça eleitoral persegue arbitrariamente o PSOL. Na campanha de 2014, uma série de doadores do PSOL foram arbitrariamente perseguidos pelo TSE por doações de valores como 15 reais, além de apreensões de materiais de campanha sem motivo algum. No mês passado, a vereadora e candidata do PSOL Talíria Perone a deputada federal foi ameaçada com arma por um policial quando estava na barca Rio-Niterói, que alegou que a mesma estaria fazendo campanha, quando estava apenas tirando uma selfie!

Como viemos afirmando anteriormente, essas não são eleições normais. Essas eleições são realizadas no estado do Rio sob intervenção militar. Essas eleições são realizadas no mesmo momento em que o assassinato de Marielle completa seu sexto mês sem resposta, e ainda com suspeita de envolvimento de políticos grandes. Essas eleições são realizadas com Lula, o primeiro colocado nas pesquisas, impedido de se candidatar de maneira arbitrária pela justiça. Se o judiciário faz isso com Lula, que conciliou com todos os setores burgueses e reacionários, imaginam o que são capazes de fazer com a esquerda, os sindicatos e os movimentos sociais? Vale lembrar que esse ano, os 23 perseguidos por participar dos protestos de junho de 2013 também foram condenados num processo totalmente arbitrário.

A algumas semanas,enviamos uma carta ao PSOL convocando-o e nos comprometendo a travar uma luta contra o autoritarismo do judiciário e pelo direito do povo votar em quem quiser. Entretanto, não obtivemos resposta.

Frente ao golpe institucional de 2016 e a escalada autoritária do judiciário com a prisão de Lula a maioria do PSOL se colocou corretamente contra o golpe e contra a prisão arbitrária de Lula. Entretanto, apesar de todos os ocorridos, o PSOL continua tratando essas eleições como “normais” ao invés de travarem fortemente um combate contra todas arbitrariedades da justiça que estão ocorrendo!

Nós não defendemos o voto no PT, porém nos colocamos totalmente contra as atitudes do judiciário de manipular essas eleições, contando inclusive com o apoio das Forças Armadas. Além disso e nos colocamos frontalmente contra qualquer tentativa da justiça golpista de cercear as campanhas de esquerda. Em um sistema eleitoral totalmente antidemocrático, que torna a competição infinitamente mais difícil para os partidos de esquerda, ainda temos um judiciário que retira até mesmo o mínimo direito democrático, que é do povo votar em quem quiser, e tenta cercear a campanha dos partidos de esquerda. Por isso convocamos toda a esquerda a a lutar contra o autoritarismo do judiciário, que vetou o direito do povo de votar em quem quiser e que agora quer cercear as campanhas dos partidos de esquerda, junto a um programa consequente contra essa casta de toga:

Elegibilidade e revogabilidade para todos os juízes, e que todo juiz ganhe igual a uma professora!

Que todo caso de corrupção seja julgado por júri popular!




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