COTAS NA USP

“A reitoria da USP foi obrigada a reconhecer a força da luta por cotas”

terça-feira 4 de julho| Edição do dia

Logo após o final da reunião do Conselho Universitário, Bruno Gilga Rocha, representante dos trabalhadores da USP no Conselho Universitário, fez a seguinte declaração ao Esquerda Diário:

“A universidade de São Paulo era uma das últimas a não contar com vagas étnico-raciais. A reunião de hoje do Conselho Universitário começou com uma proposta apresentada pela reitoria e pelo Conselho de Graduação que não continha reserva de vagas para negros e indígenas na universidade e, meio à reunião, a crise aberta pela força do conjunto do movimento negro e do movimento indígena, de dentro e de fora da universidade, do Núcleo de Consciência Negra, da Secretaria de Negras e Negros do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), do movimento estudantil e do conjunto do movimento negro entre os estudantes, dos trabalhadores e professores da universidade, impôs que não se podia mais seguir sem cotas e que mesmo o Conselho Universitário desta Universidade racista e elitista, que em sua primeira proposta não queria reconhecer o racismo da universidade e da sociedade, teve que incluir a reserva de vagas para pessoas autodeclaradas pretas, pardas e indígenas entre as vagas reservadas para pessoas vindas de escolas públicas.

A proposta exata votada foi de 37,2% - proporção de negros no estado de SP - sobre as vagas reservadas para alunos de escola publica, que serão 37% do total, chegando a 50% em 2021. O movimento levou a proposta de que a porcentagem de 37,2% fosse aplicada sobre a totalidade das vagas, que perdeu por apenas 9 votos (43 contrários e 34 favoráveis), mais uma vez expressão clara da força do movimento estudantil, de trabalhadores, forças internas e externas do movimento negro.

Essa é uma conquista muito importante. Agora temos que seguir na luta para garantir o direito à permanência dos estudantes que ingressam nesta universidade, já que a reitoria segue firme em sua política de corte de verbas. Mas isso também não é suficiente. Temos que lutar pelo fim do vestibular, esse filtro social que impede que a população negra, indígena e pobre tenha acesso à universidade.”




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