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A reação dos meios internacionais à crise política que ameaça o governo golpista de Temer

Mesmo tendo os olhos voltados para uma outra crise política marcada pelo escândalo que envolve as relações entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e a Rússia, as manchetes dos meios internacionais foram obrigadas a noticiar a crise que golpeia Temer. O tom ainda é cauteloso na maioria das notícias, mas não consegue esconder os imensos impactos que se anunciam no cenário político.

quinta-feira 18 de maio| Edição do dia

A agência Bloomberg noticiou a queda das bolsas, dando destaque à Ibovespa, que teve que ser fechada após cair 10 pontos. O rendimento extra que os investidores exigem para manter o investimento na dívida do país, em vez de migrarem para os títulos do Tesouro dos Estados Unidos saltaram ao mais alto patamar desde setembro de 2015. Também ressaltou que os mercados deverão seguir “reagindo exageradamente”, e que essa situação coloca como provável que haja eleições antecipadas.

O jornal espanhol El País, também destaca a crise política brasileira, com centro nas consequências para as bolsas, chamando a atenção para que uma situação como essa não ocorria no país desde a quebra do Lehman Brothers, que iniciou a crise econômica internacional de 2008. Também afirmou que o país está em “estado de choque” desde que a denúncia de que o golpista Temer teria sido gravado em março desse ano pelo executivo da JBS em que afirma que teria que pagar pelo silêncio de Eduardo Cunha. Segundo o El País, o mercado está em pânico pela possibilidade da queda de Temer e interrupção da votação das reformas, das quais fazem parte grandes ataques aos trabalhadores, como a reforma trabalhista e da Previdência.

Já o britânico The Guardian denomina a crise como “explosiva” e destaca o chamado às manifestações de rua e o debate de impeachment contra Temer. Ademais, destacou que a crise envolvendo corrupção já paralisavam o governo desde antes do escândalo atual envolvendo Temer. Relembrou que três dos ministros de Temer foram obrigados a saírem, enquanto oito outros seguem envolvidos na Lava Jato, e que nenhum dos grandes partidos do regime parece que poderá sair imune da crise.

Na imprensa norte-americana a crise envolvendo Donald Trump domina as páginas dos jornais. Mesmo assim, o New York Times noticiou o escândalo de Temer, ressaltando a impopularidade das reformas, e o fato de que ele já tinha uma imensa taxa de impopularidade, com 92% dos brasileiros indicando que o país está no caminho errado.

Assim como a cobertura dos grandes meios nacionais, o clima expressado parece ser de consternação, sobretudo pelo fato da gravação ter sido feita muito recentemente, em março desse ano, e de preocupação com o futuro da aprovação das reformas, e o andamento das bolsas de valores, sobretudo da Ibovespa. E também sobre o futuro do regime político, cuja crise se aprofunda ainda mais.




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