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CRÔNICA OPERÁRIA

A patronal amola o facão pra garantir dinheiro...

quinta-feira 9 de abril de 2015| Edição do dia

A patronal amola o facão pra garantir dinheiro pra França

É com grande pesar, que iniciamos o ano de 2015 com a demissão de vários trabalhadores no chão de fábrica da Multinacional Vallourec, em Contagem (MG). Essas demissões fazem parte do plano de reestruturação sugerido pela matriz na França para garantir ainda uma boa margem de lucro para os acionistas no exterior. Se for seguir a risca o plano sugerido pelo diretor Philippe Crouzet, haverá ainda mais demissões, pois as ordens vindas da França sugerem uma redução de 7% no quadro de funcionários, o que ainda não aconteceu, mas que já é anunciado pela patronal.

Além das demissões, o plano de reestruturação conta com políticas e práticas que já são antigas na empresa; a política de arrocho salarial, de múltiplas funções e de assédio moral.

Seguindo a prática do governo Dilma, que anunciou no começo do ano uma série de medidas de ataques nas leis trabalhistas, a direção da empresa prepara um grande ataque para os trabalhadores, jogando a crise do capitalismo nas costas da classe trabalhadora e livrando a barra das poderosas elites.

Muito cacique pra pouco índio

“Não é novidade pra ninguém que quando se fala em demissões, nunca a chefia é afetada. Na Vallourec tá sobrando chefe pra todo lado, mas na hora de demitir, eles demitem o trabalhador no chão de fábrica. Além da chefia, tem também os “peixes”, que são cheios de regalias, "o filho do chefe fulano de tal", "o sobrinho do engenheiro" e por aí vai. Não existe crise pra chefia e pra essa turma aí, a crise é só pra quem trabalha duro e ganha pouco.

Oportunismo

Com a crise a patronal aproveita o clima de medo pra impor um ritmo maior na produção e sobrecarregar ainda mais os trabalhadores. Essa prática tem como consequência o aumento dos riscos na área e afeta a saúde física e psicológica do trabalhador de forma considerável. O assedio moral e a ameaça de demissão passa a ter ainda mais peso em momentos como esse.

A burocracia Sindical

Infelizmente não podemos esperar que a direção do nosso sindicato faça uma grande campanha de luta contra a patronal e em defesa do emprego, já que é filiado a CUT e CTB, centrais sindicais que se mantem defendendo o governo do PT mesmo quando esse partido ataca o direito dos trabalhadores. Se durante o período de vacas gordas a burocracia sindical já negociava direitos pra se manter no comando dos sindicatos e formarem verdadeiras burocracias sindicais, agora em período de crise é que não podemos confiar nessa turma mesmo.

Acreditamos que organização dos trabalhadores é a única saída para que a patronal não jogue a crise nas costas dos que mais precisam, ou seja, os operários no chão de fábrica e os terceirizados. Essa crise, provocada pela ganância desenfreada de banqueiros e grandes barões da indústria, acentuada pela corrupção na Petrobrás por uma camada de políticos do PT e sua base, mas também da própria oposição de direita, como o PSDB por exemplo, não pode ser jogada na costas dos trabalhadores. É uma grande injustiça fazer com que a classe trabalhadora pague por uma crise que não foi provocada por ela.

O "Movimento Nossa Classe" chama cada trabalhador e trabalhadora para se somar à luta em defesa do emprego e dos direitos. Fazemos também um chamado aos trabalhadores terceirizados, que sempre acabam sendo os primeiros a terem seus direitos retirados e os que sofrem ainda mais com as demissões, a precarização, o assedio moral e a rotatividade no trabalho.


FOTO: EFE




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